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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg082177
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Um paciente de 3 anos de idade é encaminhado para avaliação de fissura palatina. Após exame clínico detalhado, é diagnosticada a presença de fissura palatina submucosa. Qual a melhor técnica cirúrgica para o tratamento dessa condição?
  1. APalatoplastia de Veau, com acesso através de incisões na região do palato mole e palato duro.
  2. BPalatoplastia de Furlow, com reposicionamento muscular do palato mole e encerramento da fissura em camadas.
  3. CPalatoplastia de von Langenbeck, com liberação do palato mole do palato duro e fechamento em camadas.
  4. DPalatoplastia de Kriens, com reconstrução do esfíncter velofaríngeo por meio de retalhos musculares.
  5. EPalatorrafia de Sommerlad, com alongamento do palato mole e encerramento da fissura em duas camadas.
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GabaritoB — Palatoplastia de Furlow, com reposicionamento muscular do palato mole e encerramento da fissura em camadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fissura palatina submucosa: técnica cirúrgica de escolha

Gabarito: letra B. A palatoplastia de Furlow é a técnica mais indicada para o tratamento da fissura palatina submucosa, pois promove o reposicionamento muscular do palato mole (transposição de retalhos musculares em zetaplastia) e o encerramento da fissura em camadas, restaurando a função velofaríngea. As demais técnicas (Veau, von Langenbeck, Kriens, Sommerlad) são utilizadas em outros tipos de fissura ou com objetivos diferentes, como veremos a seguir.

A fissura palatina submucosa é uma condição em que há uma falha na fusão dos músculos do palato mole, mas a mucosa oral permanece íntegra, o que torna o diagnóstico clínico um desafio. A tríade clássica inclui úvula bífida, diástase dos músculos do palato mole e entalhe na borda posterior do palato duro. O principal problema funcional é a insuficiência velofaríngea, que causa hipernasalidade e escape de ar durante a fala. O objetivo do tratamento cirúrgico é restaurar a anatomia e a função do palato, especialmente a competência velofaríngea.

A palatoplastia de Furlow, descrita por Leonard Furlow em 1978, é uma técnica de zetaplastia dupla que envolve a criação de dois retalhos: um retalho mucoso oral e um retalho muscular, que são transpostos para alongar o palato mole e reposicionar a musculatura (levantador do véu palatino) em uma posição mais fisiológica. Essa técnica é particularmente eficaz na fissura submucosa porque aborda diretamente a diástase muscular e o encurtamento do palato, que são as causas da insuficiência velofaríngea. O alongamento do palato e a reconstrução do anel muscular do véu palatino melhoram a função de fechamento velofaríngeo durante a fala e a deglutição.

Na prática, a escolha da técnica cirúrgica para fissura palatina depende do tipo de fissura, da idade do paciente e da experiência do cirurgião. Para a fissura submucosa, a palatoplastia de Furlow é frequentemente a primeira escolha, pois é menos invasiva que outras técnicas e tem bons resultados funcionais. Em casos de insuficiência velofaríngea residual, pode ser necessária uma segunda cirurgia, como a esfincteroplastia velofaríngea (técnica de Kriens). É importante que o cirurgião avalie cuidadosamente cada caso e discuta as opções com a família, considerando os riscos e benefícios de cada abordagem.

A principal distinção que devemos fazer é entre as técnicas que visam apenas fechar a fissura (como von Langenbeck e Veau) e aquelas que também buscam reconstruir a função muscular (como Furlow e Kriens). Na fissura submucosa, o fechamento simples não é suficiente, pois o problema central é a disfunção muscular. Por isso, a técnica de Furlow, que reposiciona a musculatura, é a mais adequada. A técnica de Kriens, embora também reconstrua a função, é mais indicada para casos de insuficiência velofaríngea já estabelecida, não como tratamento primário da fissura submucosa.

A pegadinha desta questão está em associar a fissura submucosa a técnicas de fechamento simples, como a palatoplastia de von Langenbeck, que é mais utilizada para fissuras completas de palato. O candidato que não conhece a especificidade da fissura submucosa pode ser levado a escolher uma técnica que apenas fecha a fenda, sem corrigir a disfunção muscular subjacente. A chave é lembrar que, na fissura submucosa, o objetivo principal é restaurar a função velofaríngea, e a técnica de Furlow é a que melhor atende a esse objetivo.

Guarde a fronteira entre as técnicas de fechamento simples e as de reconstrução funcional: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A fissura submucosa exige uma abordagem que corrija a diástase muscular, e a palatoplastia de Furlow é a técnica que faz isso de forma eficaz.

Fissura palatina submucosa
  • 1Tríade clássica
    • Úvula bífida
    • Diástase muscular
    • Entalhe no palato duro
  • 2Problema funcional
    • Insuficiência velofaríngea
    • Hipernasalidade
  • 3Tratamento
    • Técnicas de fechamento simples
      • Veau
      • von Langenbeck
      • Sommerlad
    • Técnicas de reconstrução funcional
      • Furlow (tratamento primário)
      • Kriens (insuficiência residual)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A palatoplastia de Veau é uma técnica clássica de fechamento do palato, mas não é a mais indicada para a fissura submucosa. Ela envolve incisões no palato mole e duro para fechar a fenda, mas não aborda diretamente a diástase muscular, que é o problema central da fissura submucosa. O erro está em escolher uma técnica de fechamento simples para uma condição que exige reconstrução funcional.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A palatoplastia de Furlow é a técnica de escolha para a fissura palatina submucosa. Ela utiliza uma zetaplastia dupla para alongar o palato mole e reposicionar a musculatura do véu palatino, corrigindo a diástase muscular e restaurando a função velofaríngea. O fechamento em camadas e o reposicionamento muscular são exatamente o que a alternativa descreve, e é isso que a torna a melhor opção para essa condição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A palatoplastia de von Langenbeck é uma técnica de fechamento do palato que envolve a liberação do palato mole do palato duro e o fechamento em camadas. Embora seja útil para fissuras completas, ela não é a mais indicada para a fissura submucosa, pois não corrige a diástase muscular. O erro está em aplicar uma técnica de fechamento simples a uma condição que exige reconstrução funcional.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A palatoplastia de Kriens, também conhecida como esfincteroplastia velofaríngea, é uma técnica que reconstrói o esfíncter velofaríngeo por meio de retalhos musculares. Ela é mais indicada para o tratamento da insuficiência velofaríngea residual após uma palatoplastia primária, e não como tratamento primário da fissura submucosa. O erro está em indicar uma técnica de segunda linha para o tratamento inicial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A palatorrafia de Sommerlad é uma técnica que envolve o alongamento do palato mole e o encerramento da fissura em duas camadas. Embora seja uma técnica válida para alguns tipos de fissura, não é a mais indicada para a fissura submucosa. A técnica de Furlow é superior porque promove um reposicionamento muscular mais eficaz, que é o objetivo principal no tratamento da fissura submucosa.

A fissura palatina submucosa é uma condição que exige uma abordagem cirúrgica que restaure a função velofaríngea, e a palatoplastia de Furlow é a técnica que melhor atende a esse objetivo. Lembre-se: na fissura submucosa, o problema não é apenas a fenda, mas a diástase muscular, e a técnica de Furlow corrige exatamente isso.

Gabarito: letra B

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