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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg082195
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Clínica Médica - Medicina Paliativa
Os monitores do débito cardíaco baseados em análise de contorno de pulso têm sido mais empregados por sua praticidade de uso. No entanto, devemos estar cientes de suas limitações:
  1. ANão devem ser usados em concomitância com balão intra-aórtico, ventilação em pressão de suporte e durante infusão de grandes quantidades de fluidos.
  2. BNão devem ser usados em arritmias importantes, processos que mudam a função valvar cardíaca e variações súbitas ou frequentes da resistência vascular.
  3. CNão devem ser utilizados, por não terem sido validados, na maioria dos cenários comuns de unidade de terapia intensiva, sobretudo quadros hipodinâmicos e perioperatório.
  4. DNão devem ser utilizados quando a pressão intratorácica ou intra-abdominal está elevada, visto que, nessas condições, a pressão de pulso fica comprometida.
  5. ENão devem ser utilizados em pacientes com hipertensão grave, uma vez que o monitoramento invasivo sempre oferece resultados mais precisos.
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GabaritoB — Não devem ser usados em arritmias importantes, processos que mudam a função valvar cardíaca e variações súbitas ou frequentes da resistência vascular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Monitorização hemodinâmica: análise do contorno de pulso

Gabarito: letra B. Os monitores de débito cardíaco baseados na análise do contorno de pulso não devem ser usados em arritmias importantes, processos que mudam a função valvar cardíaca e variações súbitas ou frequentes da resistência vascular. Essas condições comprometem a premissa fundamental do método — a relação estável entre a pressão de pulso e o volume sistólico —, invalidando a estimativa do débito cardíaco.

A análise do contorno de pulso é uma técnica de monitorização hemodinâmica minimamente invasiva que estima o débito cardíaco a partir da análise da onda de pressão arterial. O princípio físico é que a área sob a curva da pressão arterial sistólica é proporcional ao volume sistólico do ventrículo esquerdo, desde que a complacência arterial permaneça relativamente constante. O método assume que a impedância aórtica e a complacência arterial são estáveis durante o período de mensuração, permitindo que variações na pressão de pulso reflitam diretamente variações no volume sistólico.

A grande vantagem dessa técnica é a praticidade: basta uma linha arterial (ou até mesmo um sensor não invasivo) para obter medidas contínuas e em tempo real do débito cardíaco, sem a necessidade de um cateter de artéria pulmonar. Isso a torna atraente em unidades de terapia intensiva e no perioperatório, onde decisões rápidas sobre reposição volêmica e uso de vasopressores são frequentes.

No entanto, a validade do método depende de condições fisiológicas estáveis. Qualquer situação que altere a relação entre pressão de pulso e volume sistólico — ou que mude abruptamente a impedância arterial — compromete a acurácia da medida. As principais limitações incluem:

  • Arritmias cardíacas: batimentos irregulares produzem variações no volume sistólico que não são devidas à interação coração-pulmão, gerando falsos positivos na avaliação de fluidorresponsividade.

  • Alterações na função valvar: regurgitação ou estenose valvar modificam o padrão de ejeção ventricular e, consequentemente, o formato da onda de pressão, invalidando o algoritmo.

  • Variações súbitas ou frequentes da resistência vascular: mudanças rápidas na pós-carga alteram a complacência arterial efetiva, que o algoritmo assume como constante.

Além dessas, outras condições limitam o uso: ventilação espontânea, volume corrente baixo (< 8 mL/kg), complacência pulmonar reduzida, hipertensão intra-abdominal, cor pulmonale e relação frequência cardíaca/frequência respiratória < 3,6. O contexto clínico é essencial: em pacientes com choque refratário, a análise do contorno de pulso pode ser usada como adjuvante ao ecocardiograma, mas não substitui a avaliação estrutural.

A pegadinha desta questão está em distinguir as limitações reais do método das contraindicações absolutas que não existem. A banca explora a confusão entre "condições que invalidam a premissa do método" e "situações em que o método não foi validado" ou "em que outro método seria superior". Guarde o critério: a análise do contorno de pulso falha quando a relação pressão de pulso × volume sistólico é quebrada — arritmias, disfunção valvar e instabilidade vascular são exatamente esses casos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o método não deve ser usado com balão intra-aórtico, ventilação em pressão de suporte e infusão de grandes quantidades de fluidos. O balão intra-aórtico, de fato, altera a morfologia da onda de pressão e pode comprometer a leitura — mas a ventilação em pressão de suporte e a infusão de fluidos não são contraindicações absolutas. A ventilação espontânea (que ocorre na pressão de suporte) limita a interpretação das variações respiratórias, mas o método em si pode ser usado com outras estratégias (como elevação passiva das pernas). A infusão de fluidos, por sua vez, é justamente uma das situações em que o monitoramento é útil para avaliar a resposta. O erro está em generalizar contraindicações que não existem para todas essas condições.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa descreve com precisão as principais limitações do método. Arritmias importantes (como fibrilação atrial) produzem variações irregulares no volume sistólico que não refletem a interação coração-pulmão, invalidando a análise. Processos que mudam a função valvar (estenose ou insuficiência aórtica, por exemplo) alteram o padrão de ejeção e o formato da onda de pressão, comprometendo o algoritmo. Variações súbitas ou frequentes da resistência vascular (como na sepse ou no uso de vasodilatadores) mudam a complacência arterial, que o método assume como constante. Essas três condições quebram a premissa fundamental do método: a relação estável entre pressão de pulso e volume sistólico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o método não deve ser utilizado por não ter sido validado na maioria dos cenários comuns de UTI, sobretudo quadros hipodinâmicos e perioperatório. Isso é falso: a análise do contorno de pulso é amplamente validada e utilizada justamente nesses cenários — pacientes hipodinâmicos (choque cardiogênico, sepse) e no perioperatório de cirurgias de alto risco. O método tem limitações, mas não é correto afirmar que não foi validado nesses contextos. Pelo contrário, é nesses cenários que ele mais agrega, desde que as condições de validade sejam respeitadas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o método não deve ser usado quando a pressão intratorácica ou intra-abdominal está elevada, pois a pressão de pulso fica comprometida. A hipertensão intra-abdominal é, de fato, uma condição que limita a acurácia das variáveis dinâmicas (como a variação da pressão de pulso), mas a justificativa apresentada está errada. A pressão de pulso não fica "comprometida" em si; o que ocorre é que a hipertensão intra-abdominal altera a interação coração-pulmão e pode gerar falsos positivos na avaliação de fluidorresponsividade. Além disso, a pressão intratorácica elevada (como na ventilação mecânica com PEEP alta) não é uma contraindicação absoluta — o método pode ser usado, desde que as condições sejam adequadas. O erro está na justificativa e na generalização.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o método não deve ser usado em pacientes com hipertensão grave, pois o monitoramento invasivo sempre oferece resultados mais precisos. Essa afirmação é duplamente errada. Primeiro, a hipertensão grave não é contraindicação para a análise do contorno de pulso — o método pode ser usado, desde que a complacência arterial seja estável. Segundo, a afirmação de que "o monitoramento invasivo sempre oferece resultados mais precisos" é uma generalização incorreta: a análise do contorno de pulso é um método minimamente invasivo (requer apenas linha arterial) e pode ser tão preciso quanto métodos mais invasivos em condições adequadas. A precisão depende das condições fisiológicas, não da invasividade em si.

Gabarito: letra B — a única alternativa que descreve corretamente as limitações reais da análise do contorno de pulso: arritmias, disfunção valvar e instabilidade vascular.

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