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Questão de Medicina — Mastologia — Avança SP 2024

MedicinaMastologia
Código
qg082204
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Clínica Médica - Medicina Paliativa
Uma mulher de 45 anos, sem comorbidades conhecidas, procura atendimento após notar um nódulo indolor na mama direita. Ao exame físico, o nódulo é palpável, móvel, e mede cerca de 2 cm. A mamografia revela uma massa espiculada no quadrante superior externo da mama direita, com classificação BI-RADS 5. Qual é o próximo passo mais adequado na investigação desse caso?
  1. ASolicitar ressonância magnética de mamas.
  2. BSolicitar ultrassonografia mamária.
  3. CSolicitar biópsia por agulha grossa.
  4. DSolicitar nova mamografia em 6 meses
  5. EEncaminhar para tratamento cirúrgico conservador.
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GabaritoC — Solicitar biópsia por agulha grossa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Investigação de nódulo mamário com BI-RADS 5

Gabarito: letra C. Diante de uma massa espiculada classificada como BI-RADS 5 (alta suspeita de malignidade), o próximo passo é a biópsia por agulha grossa (core biopsy) para esclarecimento diagnóstico definitivo, conforme a conduta guiada pela classificação BI-RADS. A mamografia já foi realizada e demonstrou alta suspeita; exames de imagem adicionais não substituem a confirmação histológica, e o tratamento cirúrgico só é definido após o diagnóstico anatomopatológico.

A classificação BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) é um sistema padronizado que traduz os achados de imagem em categorias que orientam a conduta clínica. Cada categoria corresponde a uma probabilidade de malignidade e a uma recomendação específica. A categoria 5 significa "alta suspeita de malignidade" e, segundo a tabela de conduta, "necessita de esclarecimento definitivo" — ou seja, a confirmação por biópsia é mandatória. Não se deve repetir exames de imagem ou adiar a investigação, pois a probabilidade de câncer é muito alta (acima de 95%).

A biópsia por agulha grossa (core biopsy) é o método de escolha para lesões sólidas suspeitas, pois permite a obtenção de fragmentos de tecido para exame anatomopatológico, diferenciando benignidade de malignidade com alta acurácia. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é menos indicada para lesões sólidas, pois fornece apenas material citológico, enquanto a core biopsy preserva a arquitetura tecidual, permitindo diagnóstico histológico completo, incluindo avaliação de receptores hormonais e HER2, essenciais para o planejamento terapêutico.

A ressonância magnética e a ultrassonografia são exames complementares que podem ser úteis em situações específicas, como avaliação de extensão da doença, lesões ocultas ou em pacientes de alto risco, mas não substituem a biópsia quando há alta suspeita. A conduta expectante com nova mamografia em 6 meses é totalmente contraindicada em lesões BI-RADS 5, pois representa atraso no diagnóstico de um câncer provável. O encaminhamento direto para cirurgia sem confirmação histológica também é inadequado, pois o tratamento cirúrgico definitivo (conservador ou radical) deve ser planejado com base no diagnóstico anatomopatológico e no estadiamento.

A pegadinha desta questão está em confundir a sequência correta da investigação: primeiro o diagnóstico (biópsia), depois o tratamento. Muitos candidatos optam por exames de imagem adicionais (RM ou US) por acharem que precisam de mais informações antes da biópsia, mas a classificação BI-RADS 5 já indica alta suspeita, e o próximo passo é sempre a confirmação histológica. A ultrassonografia pode ser útil para guiar a biópsia, mas não é o passo principal; a RM é reservada para casos específicos, como avaliação de extensão em câncer já diagnosticado ou em pacientes de alto risco genético.

Guarde a sequência: imagem suspeita (BI-RADS 4 ou 5) → biópsia para diagnóstico → estadiamento → tratamento. É exatamente essa ordem que as alternativas tentam confundir.

  1. 1Imagem suspeita
  2. 2Biópsia (core biopsy)
  3. 3Diagnóstico histológico
  4. 4Estadiamento
  5. 5Tratamento
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ressonância magnética de mamas não é o próximo passo em lesão BI-RADS 5. A RM é um exame complementar, indicado em situações específicas como avaliação de extensão da doença em câncer já diagnosticado, lesões ocultas, ou em pacientes de alto risco (ex.: mutação BRCA). Não substitui a biópsia e não deve ser solicitada de rotina antes da confirmação histológica. A conduta correta é a biópsia imediata.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ultrassonografia mamária é útil para caracterizar lesões (sólida vs. cística) e guiar procedimentos, mas não é o passo decisivo em uma lesão BI-RADS 5. A mamografia já demonstrou alta suspeita de malignidade; a US poderia ser usada como guia para a biópsia, mas não substitui a confirmação histológica. Solicitar apenas a US atrasaria o diagnóstico definitivo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A biópsia por agulha grossa (core biopsy) é o procedimento indicado para esclarecimento definitivo de lesões BI-RADS 5. Ela permite a obtenção de fragmentos de tecido para exame anatomopatológico, confirmando ou excluindo malignidade e fornecendo dados essenciais para o planejamento terapêutico (tipo histológico, grau, receptores hormonais, HER2). É o padrão-ouro para diagnóstico de lesões suspeitas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Solicitar nova mamografia em 6 meses é conduta expectante, totalmente contraindicada em lesão BI-RADS 5. Essa conduta seria aceitável apenas para lesões BI-RADS 3 (provavelmente benignas), que requerem revisão em 6 meses. Em alta suspeita de malignidade, o atraso de 6 meses pode permitir progressão da doença, comprometendo o prognóstico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Encaminhar diretamente para tratamento cirúrgico conservador sem confirmação histológica é inadequado. O tratamento cirúrgico (conservador ou radical) deve ser planejado após o diagnóstico anatomopatológico, que define o tipo de tumor, o grau e os marcadores biológicos. Além disso, a cirurgia sem diagnóstico prévio pode resultar em procedimento desnecessário (se a lesão for benigna) ou em margens cirúrgicas inadequadas (se for maligna e o planejamento não considerar a extensão da doença).

Gabarito: letra C

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