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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Avança SP 2024

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
qg082213
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Clínica Médica - Medicina Paliativa
Paciente feminina, 65 anos, menopausada há 15 anos, sem histórico de fraturas, realiza densitometria óssea que revela osteoporose na coluna lombar e fêmur proximal. Qual dos seguintes mecanismos é o principal responsável pela perda de massa óssea e fragilidade esquelética na osteoporose pós-menopausa?
  1. AAumento da atividade dos osteoblastos, células responsáveis pela formação óssea.
  2. BDeficiência de vitamina D, levando à redução da absorção intestinal de cálcio.
  3. CAumento da reabsorção óssea pelos osteoclastos, em resposta à queda dos níveis de estrogênio.
  4. DDiminuição da produção de paratormônio (PTH), hormônio que estimula a formação óssea.
  5. EExcesso de atividade física de alto impacto, causando microfraturas e perda de massa óssea.
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GabaritoC — Aumento da reabsorção óssea pelos osteoclastos, em resposta à queda dos níveis de estrogênio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Osteoporose pós-menopausa: o papel central do estrogênio e dos osteoclastos

Gabarito: letra C. Na osteoporose pós-menopausa, o principal mecanismo da perda de massa óssea é o aumento da reabsorção óssea pelos osteoclastos, desencadeado pela queda dos níveis de estrogênio — hormônio que, em condições normais, inibe a atividade dessas células. A alternativa C espelha exatamente essa fisiopatologia, que é o eixo central da doença.

A osteoporose é uma doença metabólica óssea caracterizada por baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, com consequente aumento da fragilidade e do risco de fraturas. O osso é um tecido dinâmico, em constante remodelação: os osteoclastos reabsorvem o osso antigo e os osteoblastos formam osso novo. Na mulher jovem, esse processo é equilibrado. Com a menopausa, a queda abrupta do estrogênio rompe esse equilíbrio.

O estrogênio exerce papel protetor sobre o esqueleto: ele inibe a atividade osteoclástica e promove a apoptose (morte programada) dos osteoclastos. Quando seus níveis caem, há um desacoplamento do remodelamento ósseo — a reabsorção aumenta e a formação não consegue acompanhar. O resultado é uma perda acelerada de massa óssea, especialmente em locais ricos em osso trabecular, como a coluna vertebral. As mulheres podem perder de 1 a 5% da massa óssea por ano nos primeiros anos após a menopausa, e essa perda é maior no osso trabecular do que no cortical.

É importante distinguir a osteoporose pós-menopausa (tipo I) da osteoporose senil (tipo II). A primeira está diretamente ligada à deficiência estrogênica e acomete principalmente mulheres entre 51 e 75 anos, com predomínio de fraturas vertebrais e de rádio distal. A segunda está relacionada ao envelhecimento e à deficiência de vitamina D e cálcio, acometendo ambos os sexos após os 70 anos, com predomínio de fraturas de fêmur proximal. A questão descreve uma paciente de 65 anos, menopausada há 15 anos, com osteoporose em coluna e fêmur — o quadro clássico da osteoporose pós-menopausa, cujo gatilho fisiopatológico é a perda do efeito inibitório do estrogênio sobre os osteoclastos.

A pegadinha da banca está em apresentar mecanismos que são verdadeiros em outros contextos, mas não são o principal responsável na osteoporose pós-menopausa. A deficiência de vitamina D, por exemplo, é um fator importante na osteoporose senil e contribui para a fragilidade óssea, mas não é o mecanismo primário da perda óssea acelerada que se segue à menopausa. O paratormônio (PTH), por sua vez, tem efeito anabólico quando administrado de forma intermitente, mas sua produção não está diminuída na osteoporose pós-menopausa — pelo contrário, o hiperparatireoidismo secundário pode ocorrer como consequência da deficiência de vitamina D e cálcio.

Guarde o par estrogênio × osteoclasto: é exatamente essa relação que separa a alternativa correta das demais. A questão testa se o candidato conhece o mecanismo fisiopatológico central da doença, não apenas seus fatores de risco ou tratamentos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que há aumento da atividade dos osteoblastos (células formadoras). É o oposto do que ocorre: na osteoporose pós-menopausa, a formação óssea pelos osteoblastos não consegue acompanhar a reabsorção aumentada. O problema não é excesso de formação, mas excesso de reabsorção. A banca inverte o protagonismo celular — o osteoblasto é a célula que constrói o osso; se estivesse hiperativo, haveria ganho, não perda, de massa óssea.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A deficiência de vitamina D reduz a absorção intestinal de cálcio e contribui para a fragilidade óssea, mas é um fator secundário e não o mecanismo principal da osteoporose pós-menopausa. A perda óssea acelerada nos primeiros anos após a menopausa é comandada pela queda do estrogênio, não pela vitamina D. A deficiência de vitamina D ganha relevância na osteoporose senil e como causa de osteoporose secundária, mas não é o gatilho do quadro descrito.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A queda dos níveis de estrogênio na menopausa remove a inibição que esse hormônio exerce sobre os osteoclastos, resultando em aumento da reabsorção óssea. Esse é o mecanismo fisiopatológico central da osteoporose pós-menopausa. O estrogênio, em condições normais, promove a apoptose dos osteoclastos e limita sua atividade; sem ele, a reabsorção supera a formação, levando à perda de massa óssea e à fragilidade esquelética.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que há diminuição da produção de PTH. Isso está errado em dois níveis: primeiro, o PTH não é um hormônio que estimula a formação óssea de forma simples — seu efeito líquido no osso é predominantemente catabólico (estimula a reabsorção osteoclástica) quando em níveis elevados e contínuos; segundo, na osteoporose pós-menopausa não há diminuição da produção de PTH. Na verdade, pode ocorrer hiperparatireoidismo secundário como consequência da deficiência de vitamina D e da redução da absorção de cálcio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O excesso de atividade física de alto impacto não causa osteoporose; pelo contrário, o exercício com carga é um fator protetor, estimulando a formação óssea. A perda de massa óssea por desuso ocorre com a imobilização e o sedentarismo, não com o excesso de exercício. A alternativa confunde o efeito do estresse mecânico sobre o osso: o osso responde à carga aumentando sua massa, não perdendo-a.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os mecanismos da osteoporose pós-menopausa e da osteoporose senil. A deficiência de vitamina D (alternativa B) é um fator real de fragilidade óssea, mas na pós-menopausa o gatilho principal é a queda do estrogênio. O candidato que conhece apenas os fatores de risco, sem dominar a fisiopatologia, tende a marcar a letra B. Lembre-se: a questão pergunta o mecanismo principal da perda óssea na pós-menopausa — e esse é o aumento da reabsorção osteoclástica.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de fisiopatologia, monte o raciocínio em cadeia: estímulo → célula efetora → efeito. Na osteoporose pós-menopausa: queda do estrogênio → desinibição dos osteoclastos → aumento da reabsorção óssea → perda de massa e fragilidade. Se a alternativa não seguir essa sequência lógica, ela está errada. Essa técnica também funciona para outras doenças metabólicas ósseas, como a doença de Paget (aumento da remodelação com osso desorganizado) e o hiperparatireoidismo (aumento da reabsorção por excesso de PTH).

Gabarito: letra C

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