Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oncologia — Avança SP 2024

MedicinaOncologia
Código
qg082217
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Clínica Médica - Medicina Paliativa
No manejo cirúrgico do adenocarcinoma de próstata localizado, a técnica cirúrgica considerada padrão-ouro para pacientes com expectativa de vida superior a 10 anos, visando à remoção completa da glândula e à preservação da continência urinária e potência sexual, é:
  1. AProstatectomia radical retropúbica com preservação de feixes neurovasculares.
  2. BProstatectomia simples para desobstrução do trato urinário inferior.
  3. CRessecção transuretral da próstata (RTU) como tratamento curativo definitivo.
  4. DProstatectomia radical perineal com linfadenectomia ampliada.
  5. ECrioterapia prostática como abordagem curativa padrão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Prostatectomia radical retropúbica com preservação de feixes neurovasculares.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de Próstata Localizado: Tratamento Cirúrgico Padrão-Ouro

Gabarito: letra A. Para pacientes com adenocarcinoma de próstata localizado e expectativa de vida superior a 10 anos, a prostatectomia radical retropúbica com preservação dos feixes neurovasculares é o procedimento padrão-ouro, pois permite a remoção completa da glândula e, ao preservar os feixes neurovasculares, busca manter a continência urinária e a potência sexual. As demais alternativas descrevem procedimentos para outras indicações (HPB, paliação) ou técnicas não consideradas padrão-ouro para o cenário curativo descrito.

O câncer de próstata é a neoplasia maligna mais comum em homens (excluindo o câncer de pele não melanoma) e uma das principais causas de morte por câncer. Quando diagnosticado em fase localizada, ou seja, sem evidência de metástases, o objetivo do tratamento é a cura. As opções terapêuticas curativas incluem a prostatectomia radical, a radioterapia (externa ou braquiterapia) e, para casos de muito baixo e baixo risco, a vigilância ativa. A escolha entre cirurgia e radioterapia depende da estratificação de risco, da preferência do paciente e, crucialmente, da expectativa de vida, pois o câncer de próstata costuma ter evolução lenta e o benefício do tratamento curativo só se manifesta plenamente em pacientes com sobrevida esperada superior a 10 anos.

A prostatectomia radical é a remoção cirúrgica completa da próstata e das vesículas seminais. Existem duas vias de acesso principais: a retropúbica e a perineal. A via retropúbica é a mais utilizada e considerada o padrão-ouro, pois permite, além da remoção da glândula, a realização de linfadenectomia pélvica (quando indicada) e, principalmente, a identificação e preservação dos feixes neurovasculares, estruturas responsáveis pela ereção e que também influenciam a continência urinária. A preservação desses feixes é o que diferencia a técnica moderna e busca minimizar as duas principais sequelas da cirurgia: a disfunção erétil e a incontinência urinária. A via perineal, embora associada a menor sangramento e dor pós-operatória, não permite a linfadenectomia com a mesma facilidade e dificulta a preservação dos feixes neurovasculares, sendo menos utilizada.

É fundamental distinguir a prostatectomia radical do tratamento cirúrgico da hiperplasia prostática benigna (HPB). A prostatectomia simples e a ressecção transuretral da próstata (RTU) são procedimentos para desobstrução do trato urinário inferior em pacientes com HPB, que removem apenas o adenoma (tecido hiperplásico da zona de transição), deixando a cápsula prostática e o tecido periférico (onde o câncer geralmente se origina) intactos. Portanto, não têm papel curativo no adenocarcinoma. A RTU, inclusive, é contraindicada como tratamento primário do câncer de próstata localizado, pois não remove a doença e pode até dificultar um tratamento posterior. A crioterapia, por sua vez, é uma opção de tratamento ablativo, mas não é considerada padrão-ouro para doença localizada, sendo mais utilizada em casos de recidiva após radioterapia ou em pacientes com contraindicação cirúrgica.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre os procedimentos para HPB (prostatectomia simples, RTU) e o tratamento curativo do câncer (prostatectomia radical). O candidato que não domina essa distinção pode ser atraído pelas alternativas B e C, que descrevem corretamente o tratamento da HPB, mas não se aplicam ao adenocarcinoma. A alternativa D, por sua vez, menciona uma via de acesso (perineal) que, embora seja uma forma de prostatectomia radical, não é o padrão-ouro, principalmente pela dificuldade de preservação dos feixes neurovasculares e de realização da linfadenectomia. A alternativa E apresenta a crioterapia, que não é a abordagem curativa padrão para doença localizada. A alternativa A é a única que descreve com precisão a técnica padrão-ouro: prostatectomia radical retropúbica com preservação dos feixes neurovasculares.

Guarde a fronteira entre o tratamento da HPB (que remove o adenoma, sem curar câncer) e o tratamento do câncer de próstata localizado (que remove a glândula inteira, com intenção curativa): é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A prostatectomia radical retropúbica com preservação dos feixes neurovasculares é o procedimento padrão-ouro para o tratamento do adenocarcinoma de próstata localizado em pacientes com expectativa de vida superior a 10 anos. A via retropúbica permite o acesso adequado para a remoção completa da glândula, a realização de linfadenectomia pélvica quando indicada e, crucialmente, a identificação e preservação dos feixes neurovasculares, que são essenciais para a manutenção da potência sexual e contribuem para a continência urinária. Essa técnica busca equilibrar o controle oncológico (remoção completa do tumor) com a qualidade de vida (preservação funcional).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A prostatectomia simples é um procedimento para o tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB), não do adenocarcinoma. Ela consiste na enucleação do adenoma prostático (tecido da zona de transição) de dentro da cápsula, deixando a cápsula e o tecido periférico (onde o câncer geralmente se origina) intactos. Portanto, não tem intenção curativa no câncer de próstata. A banca troca o procedimento para HPB pelo tratamento curativo do câncer, uma confusão clássica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ressecção transuretral da próstata (RTU) é o padrão-ouro para o tratamento cirúrgico da HPB sintomática, mas é contraindicada como tratamento curativo do adenocarcinoma de próstata localizado. A RTU remove apenas a zona de transição (adenoma), não a glândula inteira, e não tem capacidade de curar o câncer, que se origina predominantemente na zona periférica. Além disso, a RTU pode comprometer a realização de uma prostatectomia radical posterior, se necessário. A alternativa erra ao apresentar a RTU como tratamento curativo definitivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A prostatectomia radical perineal é uma via de acesso válida para a remoção da próstata, mas não é considerada o padrão-ouro. A via perineal oferece pior exposição para a preservação dos feixes neurovasculares e dificulta a realização de linfadenectomia pélvica ampliada, que pode ser necessária para o estadiamento. A via retropúbica (ou laparoscópica/robótica) é preferida por permitir melhor acesso aos feixes neurovasculares e à pelve para a linfadenectomia. A alternativa erra ao apontar a via perineal como padrão-ouro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A crioterapia prostática é uma técnica ablativa que utiliza congelamento para destruir o tecido prostático. Embora possa ser uma opção em casos selecionados (como recidiva após radioterapia ou pacientes com contraindicação cirúrgica), não é a abordagem curativa padrão para o adenocarcinoma de próstata localizado em pacientes com boa expectativa de vida. A prostatectomia radical e a radioterapia são as opções curativas padrão. A alternativa erra ao apresentar a crioterapia como abordagem curativa padrão.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/qg082217