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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg082234
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Ecocardiografia
Um paciente de 65 anos, com histórico de insuficiência cardíaca e taquicardia ventricular paroxística recorrente, refratária a outros antiarrítmicos, é encaminhado para você. Qual dos seguintes fármacos seria a melhor opção para o controle da arritmia deste paciente e qual o seu principal mecanismo de ação?
  1. AAdenosina: Bloqueio dos receptores de adenosina, promovendo bradicardia transitória.
  2. BVerapamil: Bloqueio dos canais de cálcio, diminuindo a condução atrioventricular e a contratilidade miocárdica.
  3. CAmiodarona: Bloqueio de múltiplos canais iônicos, prolongando o potencial de ação e o período refratário efetivo.
  4. DDigoxina: Inibição da Na+/K+ ATPase, aumentando a força de contração do miocárdio e diminuindo a frequência cardíaca.
  5. ELidocaína: Bloqueio dos canais de sódio, diminuindo a excitabilidade do miocárdio.
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GabaritoC — Amiodarona: Bloqueio de múltiplos canais iônicos, prolongando o potencial de ação e o período refratário efetivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Antiarrítmicos na taquicardia ventricular: amiodarona como escolha

Gabarito: letra C. Para um paciente com taquicardia ventricular paroxística recorrente e insuficiência cardíaca (cardiopatia estrutural), a amiodarona é a droga de escolha, pois bloqueia múltiplos canais iônicos (sódio, potássio, cálcio e receptores beta), prolongando o potencial de ação e o período refratário efetivo — exatamente o que a alternativa C descreve. As demais alternativas ou descrevem fármacos inadequados para este cenário (adenosina, verapamil, lidocaína) ou apresentam mecanismo de ação correto, mas indicação clínica errada (digoxina).

A taquicardia ventricular (TV) é uma arritmia que se origina nos ventrículos e, por sua gravidade intrínseca, quase todo o seu diagnóstico e tratamento ocorre em ambiente de emergência. O mecanismo mais comum das taquiarritmias clinicamente significativas é a reentrada, que requer um obstáculo à propagação, uma área de condução lenta e refratariedade diferencial. Os fármacos antiarrítmicos são classificados pelo esquema de Singh-Vaughan Williams em quatro classes: classe I (bloqueadores de canais de sódio), classe II (betabloqueadores), classe III (prolongadores da repolarização) e classe IV (bloqueadores de canais de cálcio). Alguns fármacos, como adenosina e digoxina, não se encaixam nessa classificação.

No caso específico de TV em paciente com cardiopatia estrutural (insuficiência cardíaca), a amiodarona é a droga de escolha. Isso porque ela combina ações de todas as classes: bloqueia canais de sódio (classe I), beta-receptores (classe II), canais de potássio (classe III — ação predominante) e canais de cálcio (classe IV). Esse bloqueio múltiplo prolonga a duração do potencial de ação e o período refratário efetivo, suprimindo os circuitos de reentrada. A lidocaína, embora também seja usada em TV, tem baixa taxa de reversão (20-30%) e é menos eficaz que a amiodarona em pacientes com disfunção ventricular. O verapamil, bloqueador de canal de cálcio, é contraindicado em disfunção ventricular esquerda por seu efeito inotrópico negativo. A adenosina é usada para taquicardias supraventriculares que dependem do nó AV, não para TV. A digoxina, apesar de ter mecanismo de ação corretamente descrito, é usada para controle de frequência em arritmias atriais, não para supressão de TV.

A distinção crucial que separa as alternativas é a indicação clínica versus mecanismo de ação. Todas as alternativas descrevem mecanismos de ação corretos dos fármacos, mas apenas a amiodarona é a escolha adequada para TV em cardiopatia estrutural. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que conhece os mecanismos, mas não sabe a indicação clínica, pode ser levado a escolher a lidocaína (também usada em TV) ou o verapamil (que tem mecanismo correto, mas é contraindicado neste cenário).

Alternativa A — ❌ Incorreta

A adenosina é um fármaco parenteral com meia-vida de 1 a 6 segundos que se liga aos receptores A1, ativando canais de potássio e hiperpolarizando as membranas dos átrios, nó SA e nó AV. Seu uso clínico é para provocar bloqueio atrioventricular transitório e encerrar taquicardias supraventriculares que dependem do nó AV (como a TRNAV). Ela não é indicada para taquicardia ventricular, pois não atua no miocárdio ventricular de forma eficaz. Além disso, o mecanismo descrito na alternativa — "bloqueio dos receptores de adenosina" — está incorreto: a adenosina é um agonista dos receptores A1, não um bloqueador. A pegadinha aqui é dupla: mecanismo errado (agonista vs. antagonista) e indicação errada (TSV vs. TV).

Alternativa B — ❌ Incorreta

O verapamil é um bloqueador de canais de cálcio (classe IV) que diminui a condução atrioventricular e a contratilidade miocárdica. Seu mecanismo de ação está corretamente descrito, mas sua indicação é para taquicardias supraventriculares (como TRNAV) e controle de frequência em fibrilação atrial. Em pacientes com disfunção ventricular esquerda (como o paciente do caso, com insuficiência cardíaca), o verapamil é contraindicado por seu efeito inotrópico negativo, que pode piorar a função cardíaca. A banca explora aqui a confusão entre mecanismo correto e indicação clínica inadequada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A amiodarona é um antiarrítmico classe III que bloqueia múltiplos canais iônicos: canais de sódio (ação classe I), canais de potássio (ação classe III — predominante), canais de cálcio (ação classe IV) e receptores beta-adrenérgicos (ação classe II). Esse bloqueio múltiplo prolonga a duração do potencial de ação e o período refratário efetivo, suprimindo circuitos de reentrada. É a droga de escolha para taquicardia ventricular em pacientes com cardiopatia estrutural, como o paciente do caso com insuficiência cardíaca. A alternativa descreve corretamente tanto a indicação quanto o mecanismo de ação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A digoxina inibe a Na+/K+ ATPase, aumentando o sódio intracelular e, via trocador Na+/Ca2+, aumentando o cálcio intracelular — o que explica seu efeito inotrópico positivo. Ela também aumenta o tônus vagal, diminuindo a frequência sinusal e prolongando a condução AV. O mecanismo descrito está correto, mas a indicação é para controle de frequência em arritmias atriais (fibrilação atrial, flutter atrial), não para supressão de taquicardia ventricular. Em TV, a digoxina não é a escolha e pode até ser prejudicial. A alternativa mistura um mecanismo correto com uma indicação clínica errada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A lidocaína é um bloqueador de canais de sódio (classe I) que diminui a excitabilidade miocárdica. Seu mecanismo está correto e ela é usada em taquicardias ventriculares, mas apresenta baixa taxa de reversão (20-30%) e é menos eficaz que a amiodarona em pacientes com cardiopatia estrutural. Além disso, a lidocaína é mais indicada para TV em contexto de isquemia aguda, não para TV recorrente refratária em paciente com insuficiência cardíaca. A alternativa descreve um fármaco que poderia ser considerado, mas não é a melhor opção para este caso específico.

A regra de ouro para esta questão: em taquicardia ventricular com cardiopatia estrutural, a amiodarona é a droga de escolha por seu bloqueio múltiplo de canais iônicos. Lembre-se de que o verapamil é contraindicado em disfunção ventricular, a lidocaína tem baixa eficácia, a adenosina é para TSV e a digoxina é para controle de frequência em arritmias atriais.

Gabarito: letra C

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