Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2024
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg082297
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Programa de Alergia e Imunologia Pediátrica
A neofobia alimentar, ou "aversão ao novo", é uma fase comum no desenvolvimento infantil, especialmente entre 2 e 3 anos de idade. Considerando as características da neofobia alimentar nessa faixa etária, qual das seguintes afirmações está INCORRETA?
AA neofobia alimentar se manifesta como uma relutância em experimentar novos alimentos, podendo levar à restrição alimentar e à seletividade na dieta da criança.
BA neofobia alimentar é uma resposta natural e adaptativa, que protege a criança de ingerir substâncias potencialmente tóxicas ou prejudiciais.
CA neofobia alimentar é um problema comportamental que deve ser tratado com firmeza, insistindo para que a criança coma todos os alimentos oferecidos, mesmo que contra sua vontade.
DA neofobia alimentar pode ser influenciada por fatores genéticos, ambientais e culturais, além de experiências prévias com alimentos.
EA neofobia alimentar pode ser superada com paciência e persistência, oferecendo os novos alimentos repetidamente, em pequenas quantidades e de forma atrativa.
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GabaritoC — A neofobia alimentar é um problema comportamental que deve ser tratado com firmeza, insistindo para que a criança coma todos os alimentos oferecidos, mesmo que contra sua vontade.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Neofobia alimentar na infância
Gabarito: letra C. A neofobia alimentar é uma fase normal do desenvolvimento infantil, caracterizada pela recusa de novos alimentos, e NÃO deve ser tratada com imposição ou força — pelo contrário, a conduta correta envolve paciência, exposições repetidas e um ambiente positivo. A alternativa C está incorreta porque sugere tratar a neofobia "com firmeza, insistindo para que a criança coma todos os alimentos oferecidos, mesmo que contra sua vontade", o que contraria as recomendações de saúde infantil.
A neofobia alimentar, também chamada de "aversão ao novo", é um comportamento comum e esperado em crianças pequenas, especialmente entre 2 e 3 anos de idade. Trata-se de uma resposta natural e adaptativa: ao recusar alimentos desconhecidos, a criança se protege de possíveis substâncias tóxicas ou prejudiciais — um mecanismo que tem raízes evolutivas. Esse comportamento não é um problema comportamental que deva ser "corrigido" com rigidez, mas sim uma fase que deve ser manejada com compreensão e estratégias adequadas.
A literatura pediátrica é clara ao afirmar que são necessárias, em média, 8 a 10 exposições a um novo alimento para que ele seja aceito pela criança. Essa informação é essencial para os cuidadores, pois evita que interpretem a recusa inicial como uma aversão permanente. Além disso, as diretrizes de alimentação infantil enfatizam que a hora da refeição deve ser um momento de experiências positivas, aprendizado e afeto, e que práticas coercivas — como forçar a criança a comer, usar castigos ou recompensas — são desaconselhadas.
A neofobia é influenciada por múltiplos fatores: genéticos (predisposição individual), ambientais (exposição a diferentes alimentos no ambiente familiar), culturais (hábitos alimentares da família e da sociedade) e experiências prévias com alimentos (tanto positivas quanto negativas). A abordagem recomendada envolve paciência e persistência, oferecendo os novos alimentos repetidamente, em pequenas quantidades e de forma atrativa — por exemplo, com apresentação colorida e variada, e sempre em um ambiente acolhedor.
A distinção crucial que a banca explora nesta questão é entre manejo adequado e manejo inadequado da neofobia. Enquanto as alternativas A, B, D e E descrevem corretamente as características e a conduta recomendada, a alternativa C propõe uma abordagem coercitiva e autoritária, que vai diretamente contra as evidências científicas e as recomendações de órgãos de saúde. Forçar uma criança a comer pode gerar ansiedade, aversão ainda maior aos alimentos e prejudicar a relação da criança com a alimentação no futuro.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato confundir "insistir" com "forçar". O material de apoio é explícito: "Às vezes, pode ser necessário insistir para que a criança coma, mas nunca forçar." A alternativa C usa o verbo "insistir" de forma distorcida, acrescentando "mesmo que contra sua vontade" — o que transforma uma conduta aceitável (insistir com paciência) em uma conduta inadequada (forçar). Fique atento a essa sutileza: a palavra "forçar" ou expressões como "contra sua vontade" são o sinal de alerta.
Alternativa A — ✅ Correta
A afirmação descreve corretamente a neofobia alimentar como uma relutância em experimentar novos alimentos, que pode levar à restrição alimentar e à seletividade na dieta. Isso é exatamente o que caracteriza essa fase: a criança tende a aceitar apenas os alimentos que já conhece, recusando os novos, o que pode resultar em uma dieta limitada. A conduta adequada, como visto, é a exposição repetida e paciente.
Alternativa B — ✅ Correta
A neofobia é, de fato, uma resposta natural e adaptativa. Do ponto de vista evolutivo, a recusa de alimentos desconhecidos protege a criança de ingerir substâncias potencialmente tóxicas ou prejudiciais — um mecanismo de defesa que foi importante para a sobrevivência da espécie. Essa é uma explicação amplamente aceita na literatura sobre comportamento alimentar infantil.
Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
Esta é a afirmação INCORRETA pedida pela banca. Ela propõe tratar a neofobia "com firmeza, insistindo para que a criança coma todos os alimentos oferecidos, mesmo que contra sua vontade". Isso contraria frontalmente as recomendações de saúde infantil, que desaconselham práticas coercivas. O material de apoio é claro: "São desaconselháveis quaisquer práticas de gratificação (prêmios) ou coercivas (castigos) com o intuito de a criança aceitar a alimentação" e "Às vezes, pode ser necessário insistir para que a criança coma, mas nunca forçar." A alternativa C distorce o conceito de "insistir", transformando-o em imposição — o que é exatamente o oposto da conduta recomendada.
Alternativa D — ✅ Correta
A neofobia alimentar é influenciada por fatores genéticos (predisposição individual), ambientais (exposição a alimentos no ambiente familiar), culturais (hábitos alimentares da sociedade) e experiências prévias com alimentos. Essa multifatorialidade é amplamente reconhecida na literatura, e a alternativa a descreve corretamente.
Alternativa E — ✅ Correta
A neofobia pode ser superada com paciência e persistência, oferecendo os novos alimentos repetidamente, em pequenas quantidades e de forma atrativa. Essa é exatamente a conduta recomendada: são necessárias, em média, 8 a 10 exposições a um novo alimento para que ele seja aceito, e a apresentação atrativa (prato bonito, colorido, cheiroso) motiva a criança a comer. A alternativa está em total conformidade com as diretrizes de alimentação infantil.
Conclusão: A neofobia alimentar é uma fase normal e adaptativa do desenvolvimento infantil, que deve ser manejada com paciência, exposições repetidas e um ambiente positivo — nunca com imposição ou força. A alternativa C é a única que propõe uma conduta inadequada, sendo, portanto, a INCORRETA pedida pela banca.