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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2024

MedicinaNeurologia
Código
qg082301
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Programa de Alergia e Imunologia Pediátrica
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é complexo e exige uma avaliação multiprofissional abrangente. Considerando os métodos e ferramentas utilizados no diagnóstico do TEA, qual das seguintes afirmações está CORRETA?
  1. AO diagnóstico do TEA é baseado exclusivamente em critérios comportamentais, dispensando a avaliação de outras áreas do desenvolvimento, como a linguagem e a cognição.
  2. BA aplicação de escalas e questionários padronizados, como o M-CHAT e a CARS, é suficiente para o diagnóstico definitivo do TEA, sem a necessidade de observação clínica.
  3. CA avaliação do TEA deve incluir a observação do comportamento da criança em diferentes contextos, a entrevista com os pais ou cuidadores e a aplicação de instrumentos de avaliação padronizados.
  4. DO diagnóstico do TEA deve ser realizado o mais precocemente possível, idealmente nos primeiros meses de vida, para que a intervenção seja iniciada antes dos 3 anos de idade.
  5. EA ressonância magnética e o eletroencefalograma são exames essenciais para o diagnóstico do TEA, sendo utilizados para identificar alterações neurológicas específicas.
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GabaritoC — A avaliação do TEA deve incluir a observação do comportamento da criança em diferentes contextos, a entrevista com os pais ou cuidadores e a aplicação de instrumentos de avaliação padronizados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Gabarito: letra C. O diagnóstico do TEA é essencialmente clínico e multiprofissional, baseado na observação do comportamento em diferentes contextos, na entrevista com os pais/cuidadores e na aplicação de instrumentos padronizados — não há biomarcador ou exame complementar que feche o diagnóstico. A alternativa C sintetiza exatamente essa tríade metodológica, que é o padrão-ouro na prática clínica.

O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. O diagnóstico é um processo complexo que exige avaliação multiprofissional abrangente, pois a apresentação clínica é extremamente heterogênea — há desde indivíduos não verbais com grande comprometimento até aqueles com sintomas leves ou imperceptíveis. Essa variabilidade é justamente o que torna o diagnóstico um desafio e exige uma abordagem integrada.

A base do diagnóstico são os critérios do DSM-5, que descrevem os domínios de déficit na comunicação social e nos comportamentos repetitivos. Para operacionalizar esses critérios, foram desenvolvidos instrumentos padronizados, como a Autism Diagnostic Observation Schedule (ADOS) e a Autism Diagnostic Interview-Revised (ADI-R), que utilizam perguntas padronizadas e pontuações de observação. Além desses, há escalas de triagem como o M-CHAT (para rastreio em consultas de puericultura) e a CARS (escala de classificação de autismo na infância).

O processo diagnóstico envolve múltiplas fontes de informação: a observação direta da criança em diferentes contextos (consultório, escola, casa), a entrevista detalhada com os pais ou cuidadores sobre a história do desenvolvimento, e a aplicação de instrumentos padronizados. Essa triangulação é essencial porque nenhuma ferramenta isolada é suficiente — cada uma captura uma dimensão do quadro. A observação clínica é insubstituível, pois permite avaliar a qualidade da interação social, a comunicação não verbal e os comportamentos repetitivos em tempo real.

O diagnóstico precoce é fundamental, mas há um limite importante: embora as manifestações iniciais possam ser identificadas entre 1 e 3 anos, e um diagnóstico confiável possa ser obtido em torno dos 2 anos, não é possível diagnosticar TEA nos primeiros meses de vida de forma confiável. Os marcos do desenvolvimento típico até os 12 meses incluem contato visual, balbucio e interação por imitação — e os sinais de alerta para TEA nessa fase (movimentos estereotipados, comportamentos autolesivos, reações emocionais extremas) são inespecíficos e podem ocorrer em outras condições. O diagnóstico definitivo exige que os padrões de déficit social e comportamentos repetitivos se manifestem de forma consistente, o que tipicamente ocorre após o primeiro ano.

Exames complementares como ressonância magnética e eletroencefalograma não fazem parte do diagnóstico de TEA. Não há alteração neurológica específica que identifique o transtorno — o EEG pode ser solicitado quando há suspeita de epilepsia (comorbidade comum), e a RM pode ser útil para excluir outras condições, mas nenhum deles é diagnóstico. O diagnóstico é 100% clínico, baseado na avaliação comportamental e do desenvolvimento.

A pegadinha central desta questão é a tentação de buscar um "exame definitivo" ou uma "ferramenta isolada" que resolva o diagnóstico — mas o TEA não funciona assim. A banca explora exatamente essa expectativa: o candidato que acredita que escalas como M-CHAT e CARS são suficientes, ou que exames de imagem fecham o diagnóstico, cai nas alternativas incorretas. O critério decisivo é: diagnóstico clínico, multiprofissional, baseado em múltiplas fontes de informação — observação, entrevista e instrumentos padronizados, todos integrados.

1Base: clínica e multiprofissional
Observação em diferentes contextos
Entrevista com pais/cuidadores
Instrumentos padronizados
2Instrumentos
Triagem: M-CHAT
Classificação: CARS
Diagnóstico: ADOS e ADI-R
3Exames complementares
Não são diagnósticos
EEG: só se suspeita de epilepsia
RM: só para excluir outras condições
4Diagnóstico precoce
Possível por volta dos 2 anos
Não confiável nos primeiros meses
Diagnóstico do TEA
LEVELsoulevel.com.br
Diagnóstico do TEA: Base: clínica e multiprofissional (Observação em diferentes contextos, Entrevista com pais/cuidadores, Instrumentos padronizados); Instrumentos (Triagem: M-CHAT, Classificação: CARS, Diagnóstico: ADOS e ADI-R); Exames complementares (Não são diagnósticos, EEG: só se suspeita de epilepsia, RM: só para excluir outras condições); Diagnóstico precoce (Possível por volta dos 2 anos, Não confiável nos primeiros meses)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o diagnóstico é baseado exclusivamente em critérios comportamentais, dispensando a avaliação de outras áreas como linguagem e cognição. O erro está em dois pontos: primeiro, os critérios comportamentais do DSM-5 já incluem a comunicação social (que envolve linguagem) e os comportamentos repetitivos — não há como separar "comportamento" de "linguagem" no diagnóstico. Segundo, a avaliação multiprofissional do TEA inclui necessariamente a avaliação da linguagem (pelo fonoaudiólogo) e da cognição (pelo psicólogo/neuropsicólogo), pois o TEA frequentemente coexiste com deficiência intelectual e transtornos de linguagem. A avaliação dessas áreas é parte integrante do processo diagnóstico, não um complemento dispensável.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que escalas e questionários padronizados (M-CHAT, CARS) são suficientes para o diagnóstico definitivo, sem necessidade de observação clínica. Há dois erros graves: primeiro, o M-CHAT é um instrumento de triagem (rastreio), não diagnóstico — ele identifica risco e indica necessidade de avaliação aprofundada, mas não confirma TEA. Segundo, a CARS é uma escala de classificação que auxilia na avaliação, mas nenhum instrumento isolado substitui a observação clínica e a entrevista com os pais. O diagnóstico definitivo exige a integração de múltiplas fontes de informação, e a observação clínica é insubstituível para avaliar a qualidade da interação social e os comportamentos em tempo real.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa descreve corretamente o processo diagnóstico do TEA: observação do comportamento em diferentes contextos, entrevista com pais/cuidadores e aplicação de instrumentos padronizados. Essa tríade é exatamente o que a prática clínica recomenda — a observação direta permite avaliar a interação social e os comportamentos repetitivos; a entrevista com os pais fornece a história do desenvolvimento (marcos, regressões, comportamentos em casa); e os instrumentos padronizados (ADOS, ADI-R, CARS) operacionalizam os critérios do DSM-5 de forma estruturada. Nenhuma dessas fontes é suficiente isoladamente — é a integração delas que permite um diagnóstico confiável.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o diagnóstico deve ser realizado idealmente nos primeiros meses de vida. Embora o diagnóstico precoce seja fundamental e as manifestações iniciais possam aparecer entre 1 e 3 anos, não é possível diagnosticar TEA de forma confiável nos primeiros meses de vida. Os sinais de alerta antes dos 12 meses (movimentos estereotipados, comportamentos autolesivos) são inespecíficos e podem ocorrer em outras condições. O diagnóstico confiável é obtido em torno dos 2 anos, quando os padrões de déficit social e comportamentos repetitivos se manifestam de forma consistente. A alternativa confunde "diagnóstico precoce" (que é desejável e possível por volta dos 2 anos) com "diagnóstico nos primeiros meses" (que não é clinicamente viável).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que ressonância magnética e eletroencefalograma são exames essenciais para o diagnóstico, identificando alterações neurológicas específicas. Isso é falso — não há alteração de neuroimagem ou eletroencefalográfica que seja diagnóstica de TEA. O EEG pode ser solicitado quando há suspeita de epilepsia (comorbidade comum no TEA), e a RM pode ser útil para excluir outras condições neurológicas, mas nenhum desses exames faz parte do diagnóstico. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na avaliação comportamental e do desenvolvimento. A alternativa reflete uma expectativa equivocada de que exista um biomarcador para o TEA, o que não é o caso.

Gabarito: letra C — a única que descreve corretamente o processo diagnóstico multiprofissional do TEA, integrando observação, entrevista e instrumentos padronizados.

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