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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg082306
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Programa de Alergia e Imunologia Pediátrica
Qual medicamento é contraindicado para crianças com menos de 1 ano de idade, e quais são as razões para essa contraindicação?
  1. AIbuprofeno, pois pode causar desidratação e insuficiência renal em crianças pequenas.
  2. BParacetamol, que pode resultar em hepatotoxicidade severa se administrado em doses inadequadas.
  3. CDescongestionantes nasais, que podem provocar arritmias cardíacas e efeitos adversos no sistema nervoso central.
  4. DAntibióticos, que não são eficazes contra infecções virais e podem levar ao desenvolvimento de resistência bacteriana.
  5. EAntitérmicos à base de ácido acetilsalicílico, que podem causar síndrome de Reye em crianças.
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GabaritoC — Descongestionantes nasais, que podem provocar arritmias cardíacas e efeitos adversos no sistema nervoso central.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Contraindicações medicamentosas em pediatria: o caso do ácido acetilsalicílico

Gabarito: letra E. O ácido acetilsalicílico (AAS) é contraindicado em crianças com menos de 1 ano (e, na prática, em toda a infância) pelo risco de síndrome de Reye, uma encefalopatia hepática grave associada ao uso do salicilato em vigência de infecções virais, como influenza e varicela. As demais alternativas apresentam medicamentos ou justificativas incorretas para a contraindicação pediátrica.

A síndrome de Reye é uma condição rara, mas potencialmente fatal, caracterizada por encefalopatia aguda e esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado). A associação entre o uso de aspirina e o desenvolvimento da síndrome foi descrita na década de 1980, levando à recomendação formal de evitar o salicilato em crianças e adolescentes, especialmente durante quadros febris de origem viral. O mecanismo exato não é totalmente compreendido, mas envolve disfunção mitocondrial hepática e cerebral desencadeada pelo salicilato em um hospedeiro geneticamente suscetível e sob estresse viral.

Na prática clínica, o AAS deixou de ser utilizado como antipirético e analgésico na infância. Seu uso pediátrico ficou restrito a situações específicas, como na doença de Kawasaki e na febre reumática, sempre sob supervisão médica e com monitorização. Para o controle da febre e da dor em crianças, os fármacos de primeira linha são o paracetamol e o ibuprofeno, que não apresentam essa associação com a síndrome de Reye.

A contraindicação do AAS em crianças é um consenso mundial, refletido em bulas e diretrizes. A banca explora exatamente o conhecimento dessa contraindicação clássica, que é amplamente cobrada em pediatria. A alternativa E é a única que nomeia corretamente o medicamento (ácido acetilsalicílico) e a razão (síndrome de Reye), enquanto as demais ou citam medicamentos que não são contraindicados nessa faixa etária ou atribuem razões incorretas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com contraindicações que parecem plausíveis, mas não são as principais para a faixa etária. O ibuprofeno e o paracetamol são seguros e amplamente usados em lactentes, desde que respeitadas as doses. A pegadinha clássica é trocar a contraindicação do AAS (síndrome de Reye) por outras associações, como arritmias ou desidratação, que não são o motivo central da contraindicação.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O ibuprofeno não é contraindicado em crianças com menos de 1 ano. Pelo contrário, é um dos antipiréticos e analgésicos de primeira linha nessa faixa etária, desde que usado em doses adequadas e por período limitado. A justificativa apresentada (desidratação e insuficiência renal) não é uma contraindicação absoluta, mas sim um risco potencial em casos de desidratação prévia ou uso prolongado. A banca troca a contraindicação real (AAS) por um efeito adverso possível de outro fármaco.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O paracetamol é outro antipirético de primeira linha em pediatria, não contraindicado em menores de 1 ano. A hepatotoxicidade é um risco real, mas está associada a doses inadequadas (superdosagem), não sendo uma contraindicação absoluta. A alternativa confunde o risco de superdosagem com contraindicação formal. Na prática, o paracetamol é seguro e amplamente utilizado em lactentes, desde que respeitada a dose máxima diária.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os descongestionantes nasais, especialmente os vasoconstritores sistêmicos, têm restrições em crianças pequenas, mas não são a contraindicação clássica para menores de 1 ano. O risco de arritmias e efeitos no sistema nervoso central existe, mas é mais associado ao uso sistêmico e em doses elevadas. A alternativa não corresponde ao medicamento mais emblematicamente contraindicado nessa faixa etária, que é o AAS.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os antibióticos não são contraindicados em crianças menores de 1 ano. Pelo contrário, são frequentemente necessários para tratar infecções bacterianas nessa faixa etária. A afirmação de que não são eficazes contra infecções virais é verdadeira, mas isso não configura contraindicação — é uma questão de indicação correta. O desenvolvimento de resistência bacteriana é uma preocupação, mas não contraindica o uso quando há indicação. A alternativa confunde indicação com contraindicação.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O ácido acetilsalicílico (AAS) é formalmente contraindicado em crianças com menos de 1 ano (e, na prática, em toda a infância) pelo risco de síndrome de Reye. Essa síndrome é uma encefalopatia hepática grave, associada ao uso de salicilatos em vigência de infecções virais, como influenza e varicela. A contraindicação é absoluta e amplamente reconhecida, sendo o motivo central da exclusão do AAS do arsenal pediátrico.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar as contraindicações em pediatria, foque nos fármacos com associações clássicas: AAS → síndrome de Reye; dipirona → anemia aplástica (risco, não contraindicação absoluta); codeína → depressão respiratória em menores de 12 anos. Essas associações são as mais cobradas em provas de pediatria.

Gabarito: letra E

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