Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2024
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg082312
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Programa de Alergia e Imunologia Pediátrica
A difteria é uma doença infecciosa grave, especialmente em crianças. Qual é o achado clínico característico da difteria em crianças?
AExantema maculopapular.
BPseudomembrana cinzenta na orofaringe.
CTosse convulsa.
DDiarreia aquosa.
EErupção cutânea vesicular.
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GabaritoB — Pseudomembrana cinzenta na orofaringe.
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Difteria: o achado clínico característico
Gabarito: letra B. O achado clínico característico da difteria em crianças é a pseudomembrana cinzenta na orofaringe, formada pela ação da toxina diftérica sobre a mucosa, que se apresenta como uma placa aderente, branco-acinzentada, que sangra ao tentar removê-la. As demais alternativas descrevem manifestações de outras doenças (exantema maculopapular, tosse convulsa, diarreia aquosa e erupção vesicular), não sendo típicas da difteria.
A difteria é uma doença infecciosa aguda causada pelo Corynebacterium diphtheriae, uma bactéria gram-positiva que produz uma potente exotoxina. Essa toxina é responsável pelas manifestações locais e sistêmicas da doença. O período de incubação varia de 2 a 5 dias, e o quadro clínico inicia-se de forma insidiosa, com sintomas inespecíficos como anorexia, mal-estar, febre baixa e dor de garganta. Após 1 a 2 dias, surge o sinal mais característico: a formação de uma membrana na orofaringe.
Essa membrana, também chamada de pseudomembrana, é formada por fibrina, células necróticas e hemácias, e sua cor varia de branca a cinza. Ela é tipicamente aderente aos tecidos subjacentes, e qualquer tentativa de removê-la provoca sangramento. A extensão da membrana depende do estado imunológico do hospedeiro: em indivíduos parcialmente imunes, ela pode não se desenvolver; em casos graves, pode se estender da orofaringe para a laringe e traqueia, causando obstrução das vias aéreas e colapso respiratório. A linfadenite cervical é variável e, em alguns casos, pode estar associada a intenso edema dos tecidos moles do pescoço, o chamado "pescoço de touro".
O diagnóstico da difteria é essencialmente clínico, pois o tratamento não pode ser postergado até a confirmação bacteriológica, dado o risco de rápida deterioração do paciente. A confirmação laboratorial é feita pela cultura de secreção coletada debaixo das placas da orofaringe e fossas nasais, em meio de cultura especial (como o meio de Loeffler ou ágar sangue com telurito). O tratamento é hospitalar e inclui a administração de soro antidiftérico, antibióticos (penicilina ou eritromicina) e medidas de suporte. O paciente deve ser isolado até que duas culturas negativas sejam obtidas, com intervalo mínimo de 24 horas.
A principal complicação da difteria é a miocardite, que pode levar a insuficiência cardíaca e arritmias, além de neurite periférica, que pode causar paralisia do palato, dos músculos oculares e dos membros. A prevenção é feita pela vacina tríplice bacteriana (DTP) ou pela vacina dupla tipo adulto (dT), que conferem imunidade contra a toxina diftérica.
A banca explora a confusão entre a difteria e outras doenças que cursam com manifestações cutâneas ou respiratórias. É fundamental reconhecer que a difteria é uma doença que se manifesta predominantemente na orofaringe, com a formação da pseudomembrana, e não com exantemas ou sintomas gastrointestinais. A distinção entre a difteria e outras causas de faringoamigdalite membranosa, como a monilíase oral (candidíase) e a amigdalite estreptocócica, é crucial. Na monilíase, as placas brancas são facilmente removíveis, revelando mucosa normal, enquanto na difteria a membrana é aderente e sangra ao ser removida. Na amigdalite estreptocócica, o exsudato é purulento e não forma uma membrana aderente.
Guarde a fronteira entre a difteria e as demais doenças: o que define a difteria é a pseudomembrana aderente na orofaringe, acompanhada de sinais sistêmicos e adenopatia cervical. É exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.
Difteria
1Agente: Corynebacterium diphtheriae
2Achado característico
Pseudomembrana cinzenta na orofaringe
Aderente, sangra ao remover
3Outros sinais
Febre baixa
Dor de garganta
Linfadenite cervical
4Complicações
Miocardite
Neurite periférica
5Tratamento
Soro antidiftérico
Antibióticos
6Prevenção
Vacina DTP/dT
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O exantema maculopapular é uma manifestação cutânea característica de diversas doenças virais, como sarampo, rubéola, dengue, zika e chikungunya, além de outras condições como a doença de Kawasaki e reações medicamentosas. Na difteria, o exantema não é um achado clínico típico; a doença se manifesta principalmente com a pseudomembrana na orofaringe e sintomas sistêmicos como febre baixa, mal-estar e dor de garganta. A presença de exantema maculopapular deve direcionar o diagnóstico para outras etiologias, não para difteria.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A pseudomembrana cinzenta na orofaringe é o achado clínico mais característico da difteria. Essa membrana é formada pela ação da toxina diftérica, que causa necrose do epitélio respiratório, com deposição de fibrina, células inflamatórias e hemácias. A membrana é aderente, de coloração branco-acinzentada, e sua tentativa de remoção provoca sangramento. A presença dessa membrana, associada a sintomas como febre baixa, dor de garganta e linfadenite cervical, é altamente sugestiva de difteria e exige tratamento imediato com soro antidiftérico e antibióticos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A tosse convulsa é o sintoma cardinal da coqueluche, doença causada pela bactéria Bordetella pertussis. A coqueluche caracteriza-se por crises de tosse paroxística, seguidas de guincho inspiratório e possível vômito. Na difteria, a tosse não é o sintoma predominante; o quadro é dominado pela dor de garganta, febre baixa e pela presença da pseudomembrana na orofaringe. A obstrução das vias aéreas na difteria pode causar estridor e dificuldade respiratória, mas não se manifesta como tosse convulsa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A diarreia aquosa é uma manifestação gastrointestinal comum em diversas infecções, como as causadas por rotavírus, norovírus, Escherichia coli enterotoxigênica e Vibrio cholerae. Na difteria, os sintomas gastrointestinais não são proeminentes; a doença afeta principalmente o trato respiratório superior, com a formação da pseudomembrana na orofaringe. A diarreia aquosa não é um achado clínico característico da difteria e sua presença deve levar à investigação de outras causas infecciosas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A erupção cutânea vesicular é típica de infecções virais como varicela (catapora), herpes simples e herpes-zóster, além de outras condições como a síndrome mão-pé-boca. Na difteria, as manifestações cutâneas não são características; a doença se manifesta principalmente com a pseudomembrana na orofaringe e sintomas sistêmicos. A presença de vesículas na pele deve direcionar o diagnóstico para outras etiologias, não para difteria.