Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2024
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg082315
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Programa de Alergia e Imunologia Pediátrica
Embora o aleitamento materno seja amplamente recomendado e traga inúmeros benefícios para a mãe e o bebê, existem algumas situações em que ele é contraindicado. Qual das seguintes condições maternas NÃO configura uma contraindicação absoluta para a amamentação, segundo o Ministério da Saúde do Brasil?
AInfecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV).
BInfecção pelo HTLV1 e HTLV2.
CUso de medicamentos incompatíveis com a amamentação, como antineoplásicos e radiofármacos.
DGalactosemia no lactente.
EDiagnóstico de Sífilis Primária.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Diagnóstico de Sífilis Primária.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Contraindicações absolutas ao aleitamento materno
Gabarito: letra E. A sífilis primária materna não é contraindicação absoluta à amamentação: o Ministério da Saúde orienta que, na ausência de lesões mamárias ativas, a amamentação pode ser mantida, desde que a mãe e o bebê recebam tratamento adequado. As demais alternativas (HIV, HTLV-1/2, uso de medicamentos incompatíveis e galactosemia no lactente) são contraindicações absolutas, conforme as diretrizes nacionais de aleitamento materno.
O aleitamento materno é a estratégia isolada mais eficaz para reduzir a morbimortalidade infantil, e por isso o Ministério da Saúde adota uma postura de proteção e incentivo à amamentação. As contraindicações absolutas são poucas e bem definidas, dividindo-se em condições maternas e condições do lactente. A lógica por trás de cada contraindicação é o risco de transmissão de agentes infecciosos pelo leite ou o risco de dano direto ao bebê por substâncias presentes no leite materno.
No caso das infecções maternas, a regra geral é que a amamentação é contraindicada quando há risco comprovado de transmissão vertical pelo leite. É o que ocorre com o HIV e com o HTLV-1/2, vírus que podem ser transmitidos pela amamentação e causar doença grave no lactente. Já a sífilis é uma infecção bacteriana tratável, e a transmissão pelo leite materno não é considerada um mecanismo relevante de transmissão vertical — o risco está no contato com lesões ativas na mama, que pode ser evitado com a suspensão temporária da amamentação na mama afetada até a cicatrização.
Quanto aos medicamentos, a contraindicação absoluta se aplica a fármacos com potencial teratogênico ou tóxico comprovado para o lactente, como antineoplásicos e radiofármacos. A galactosemia, por sua vez, é uma doença metabólica do lactente que impede o metabolismo da galactose presente no leite materno, sendo contraindicação absoluta clássica. A distinção central que a questão explora é entre contraindicação absoluta (nunca amamentar) e contraindicação relativa (amamentar com cuidados ou suspender temporariamente) — e a sífilis, na maioria dos casos, se enquadra na segunda categoria.
Art. 9Lei-8069
Art. 9º — "O poder público, as instituições e os empregadores propiciarão condições adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas a medida privativa de liberdade."
A pegadinha da banca está em classificar a sífilis como contraindicação absoluta, quando na verdade a conduta recomendada é individualizada: se a mãe tem lesões mamárias ativas, suspende-se a amamentação na mama afetada até a resolução; se não há lesões, a amamentação é permitida com tratamento materno e do lactente. Essa é a fronteira que separa a alternativa correta das demais.
Condição Materna
Contraindicação Absoluta?
Motivo/Justificativa
HIV
Sim
Risco de transmissão pelo leite materno
HTLV-1 e HTLV-2
Sim
Risco de transmissão vertical pelo leite
Uso de medicamentos incompatíveis (antineoplásicos, radiofármacos)
Sim
Potencial tóxico/teratogênico para o lactente
Galactosemia no lactente
Sim
Incapacidade de metabolizar a galactose do leite
Sífilis primária
Não
Transmissão pelo leite não é relevante; risco é contato com lesões ativas na mama
Contraindicações absolutas à amamentação: Condições maternas (HIV, HTLV-1 e HTLV-2, Medicamentos incompatíveis); Condições do lactente (Galactosemia); Não contraindica (Sífilis (sem lesões mamárias ativas))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A infecção pelo HIV é contraindicação absoluta à amamentação, pois o vírus pode ser transmitido pelo leite materno, e não há medida que elimine completamente esse risco. A recomendação do Ministério da Saúde é substituir o leite materno por fórmula láctea até os 6 meses de idade, sendo também contraindicado o aleitamento misto. A alternativa está correta ao listar o HIV como contraindicação absoluta, portanto não é a resposta da questão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A infecção pelo HTLV-1 e HTLV-2 também é contraindicação absoluta à amamentação, pelo risco comprovado de transmissão vertical pelo leite e pela gravidade das doenças associadas (leucemia de células T do adulto e paraparesia espástica tropical). A alternativa está correta ao listar o HTLV como contraindicação absoluta, portanto não é a resposta da questão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação, como antineoplásicos e radiofármacos, é contraindicação absoluta, pois essas substâncias podem causar danos graves ao lactente. A alternativa está correta ao listar essa condição como contraindicação absoluta, portanto não é a resposta da questão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A galactosemia no lactente é contraindicação absoluta à amamentação, pois o bebê não consegue metabolizar a galactose presente no leite materno, o que pode levar a danos hepáticos, renais e neurológicos graves. A alternativa está correta ao listar a galactosemia como contraindicação absoluta, portanto não é a resposta da questão.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A sífilis primária não é contraindicação absoluta à amamentação. A transmissão da sífilis pelo leite materno não é considerada um mecanismo relevante; o risco está no contato do bebê com lesões ativas na mama. A conduta recomendada é: se houver lesões mamárias, suspender a amamentação na mama afetada até a cicatrização; se não houver lesões, a amamentação pode ser mantida, com tratamento adequado da mãe e do lactente. A alternativa está correta ao afirmar que a sífilis primária não configura contraindicação absoluta, sendo a resposta da questão.
Gabarito: letra E — a sífilis primária não é contraindicação absoluta à amamentação, diferentemente de HIV, HTLV, medicamentos incompatíveis e galactosemia.