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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — Avança SP 2024

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qg082330
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Programa de Alergia e Imunologia Pediátrica
Um paciente de 35 anos apresenta uma reação alérgica após ser picado por uma abelha, manifestando urticária e dificuldade respiratória. Considerando os aspectos clínicos e o manejo da alergia a picadas de abelha, alternativa correta.
  1. AA anafilaxia é uma reação alérgica leve que não requer intervenção médica imediata.
  2. BA maioria das pessoas que já foi picada por abelhas desenvolve imunidade completa e não apresentará reações alérgicas em picadas futuras.
  3. COs sintomas locais como dor e inchaço são os únicos sinais de reação alérgica e não devem ser confundidos com reações sistêmicas.
  4. DO uso de anti-histamínicos orais é suficiente para tratar todas as reações alérgicas a picadas de abelha, sem necessidade de outras intervenções.
  5. EO tratamento inicial para reações alérgicas graves deve incluir a administração de epinefrina, seguida de monitoramento rigoroso dos sinais vitais.
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GabaritoC — Os sintomas locais como dor e inchaço são os únicos sinais de reação alérgica e não devem ser confundidos com reações sistêmicas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anafilaxia por picada de abelha: manejo de emergência

Gabarito: letra E. A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave e potencialmente fatal, e o tratamento inicial de primeira linha é a administração imediata de epinefrina intramuscular, seguida de monitoramento rigoroso dos sinais vitais — exatamente o que a alternativa E descreve. As demais alternativas minimizam a gravidade do quadro ou propõem condutas insuficientes, contrariando as diretrizes de emergência.

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade imediata (tipo I), mediada por IgE, que ocorre quando um indivíduo previamente sensibilizado é reexposto ao alérgeno. No caso de picada de abelha, o veneno inoculado pode desencadear uma cascata de liberação de mediadores inflamatórios (histamina, leucotrienos, prostaglandinas) a partir de mastócitos e basófilos, levando a manifestações multissistêmicas: cutâneas (urticária, angioedema, rubor), respiratórias (dispneia, sibilos, estridor, edema de laringe), cardiovasculares (hipotensão, taquicardia, choque distributivo) e gastrointestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal). A gravidade é variável, mas a presença de dificuldade respiratória, como no caso do enunciado, indica um quadro grave que exige intervenção imediata.

O pilar do tratamento da anafilaxia é a epinefrina (adrenalina) intramuscular, que deve ser administrada o mais precocemente possível, idealmente no ambiente pré-hospitalar. A epinefrina atua como agonista alfa e beta-adrenérgico: alfa-adrenérgico causa vasoconstrição, revertendo a vasodilatação e a hipotensão; beta-adrenérgico promove broncodilatação, aumenta a força de contração miocárdica e inibe a liberação de mediadores pelos mastócitos. A via intramuscular é preferida por ter melhor perfil de segurança e eficácia comparada à subcutânea e à endovenosa, que apresenta maior risco de arritmias. As doses recomendadas são: 0,5 mg em adultos e crianças acima de 12 anos; 0,15 mg dos 6 meses aos 6 anos; e 0,1 a 0,15 mg em menores de 6 meses. A dose pode ser repetida a cada 5 a 15 minutos se não houver melhora clínica.

É fundamental distinguir as reações locais das sistêmicas. As reações locais, como dor, edema e eritema no local da picada, são comuns e geralmente não requerem tratamento de emergência, podendo ser manejadas com medidas sintomáticas. Já as reações sistêmicas, que envolvem múltiplos sistemas (pele, respiratório, cardiovascular, gastrointestinal), caracterizam a anafilaxia e exigem tratamento imediato com epinefrina. A presença de urticária generalizada e dificuldade respiratória, como no caso do paciente, é um sinal claro de anafilaxia, não uma reação local.

A banca explora a confusão entre a gravidade da anafilaxia e a simplicidade do tratamento. Muitos candidatos podem pensar que anti-histamínicos orais são suficientes, mas eles têm papel coadjuvante e não revertem a obstrução de vias aéreas nem o choque. A epinefrina é o único fármaco que atua rapidamente em todos os sistemas afetados. Além disso, a ideia de que a maioria das pessoas desenvolve imunidade após picadas é incorreta: a sensibilização pode aumentar o risco de reações mais graves em exposições futuras.

Guarde a fronteira entre reação local e sistêmica e o papel central da epinefrina: é exatamente nesses dois pontos que as alternativas se dividem.

Anafilaxia por picada de abelha
  • 1Fisiopatologia
    • Hipersensibilidade tipo I (IgE)
    • Liberação de mediadores (histamina, leucotrienos)
  • 2Manifestações
    • Cutâneas (urticária, angioedema)
    • Respiratórias (dispneia, sibilos, edema de laringe)
    • Cardiovasculares (hipotensão, choque)
  • 3Tratamento
    • Epinefrina IM (1ª linha)
    • Monitoramento rigoroso (risco de curso bifásico)
    • Anti-histamínicos (coadjuvante)
  • 4Reação local × sistêmica
    • Local: dor, edema — manejo sintomático
    • Sistêmica: múltiplos sistemas — emergência
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A anafilaxia é uma reação alérgica grave, potencialmente fatal, que exige intervenção médica imediata. A alternativa inverte completamente a gravidade, tratando-a como leve e sem necessidade de intervenção. Na prática, a anafilaxia pode levar a obstrução de vias aéreas, choque distributivo e parada cardiorrespiratória em minutos, como descrito nas diretrizes de emergência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A maioria das pessoas não desenvolve imunidade completa após picadas de abelha. Pelo contrário, a exposição repetida pode aumentar a sensibilização e o risco de reações alérgicas mais graves, incluindo anafilaxia. A imunoterapia com veneno de insetos é uma opção para pacientes com histórico de reações sistêmicas, mas não é uma consequência natural das picadas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os sintomas locais como dor e inchaço não são os únicos sinais de reação alérgica. Reações sistêmicas, como urticária generalizada, angioedema, dispneia, sibilos, hipotensão e choque, são manifestações de anafilaxia e devem ser reconhecidas e tratadas imediatamente. A alternativa tenta limitar a reação alérgica apenas ao local da picada, ignorando a possibilidade de envolvimento multissistêmico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O uso de anti-histamínicos orais não é suficiente para tratar todas as reações alérgicas a picadas de abelha. Em casos de anafilaxia, os anti-histamínicos têm papel coadjuvante, mas não revertem a broncoconstrição, o edema de laringe ou o choque. A epinefrina é o tratamento de primeira linha, e os anti-histamínicos podem ser usados como complemento para sintomas cutâneos, mas nunca como substitutos.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O tratamento inicial para reações alérgicas graves, como a anafilaxia, deve incluir a administração imediata de epinefrina intramuscular, seguida de monitoramento rigoroso dos sinais vitais. A epinefrina é o fármaco de escolha por sua ação rápida e abrangente: vasoconstrição, broncodilatação e estabilização cardiovascular. O monitoramento é essencial porque a anafilaxia pode ter curso bifásico, com recorrência dos sintomas horas após o episódio inicial.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, identifique a anafilaxia pela presença de sintomas respiratórios ou cardiovasculares após exposição a alérgeno (picada, alimento, medicação). A resposta correta quase sempre envolve epinefrina IM como primeira linha. Desconfie de alternativas que minimizem a gravidade ou proponham apenas anti-histamínicos.

Gabarito: letra E

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