Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — Avança SP 2024
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qg082342
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Programa de Alergia e Imunologia Pediátrica
Mulher de 45 anos apresenta urticária com angioedema há 8 meses, com lesões diárias que duram menos de 24 horas. Nega uso de medicamentos contínuos ou outras comorbidades. Exame físico atual sem lesões ativas. Na investigação diagnóstica da urticária crônica espontânea (UCE), alternativa correta.
AO teste do soro autólogo positivo indica presença de autoanticorpos anti-FcεRIα funcionalmente ativos, sendo diagnóstico definitivo de UCE autoimune.
BA biópsia cutânea da lesão urticariforme é mandatória para confirmação diagnóstica e exclusão de vasculite urticariforme.
CA presença de anticorpos antitireoperoxidase em títulos elevados sugere associação com autoimunidade, mas não confirma isoladamente o diagnóstico de UCE autoimune.
DO teste de ativação dos basófilos (BAT) negativo exclui definitivamente o diagnóstico de UCE autoimune, dispensando investigação adicional.
EA dosagem sérica de proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação elevadas sugerem fortemente o diagnóstico de UCE autoimune tipo IIb.
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GabaritoC — A presença de anticorpos antitireoperoxidase em títulos elevados sugere associação com autoimunidade, mas não confirma isoladamente o diagnóstico de UCE autoimune.
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Urticária crônica espontânea: investigação diagnóstica e autoimunidade
Gabarito: letra C. A presença de anticorpos antitireoperoxidase (anti-TPO) em títulos elevados sugere associação com autoimunidade, mas não confirma isoladamente o diagnóstico de UCE autoimune — o diagnóstico de UCE é essencialmente clínico, e a autoimunidade é um mecanismo fisiopatológico que pode ser investigado, mas não define o diagnóstico por si só. A alternativa correta reflete exatamente essa distinção entre associação e confirmação diagnóstica.
A urticária crônica espontânea (UCE) é definida pela presença de urticas espontâneas e/ou angioedema por mais de 6 semanas, sem um desencadeante físico identificável. No caso da paciente, as lesões diárias que duram menos de 24 horas e o quadro de 8 meses confirmam o diagnóstico clínico de UCE. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico — as lesões urticariformes típicas são fugazes, pruriginosas e desaparecem sem deixar sequelas. A investigação laboratorial na UCE tem papel limitado: o consenso sugere hemograma completo e velocidade de hemossedimentação (VHS) ou proteína C-reativa (PCR) para todos os casos, além de provas de função tireoidiana em casos com sintomas sugestivos de tireoidopatia.
A autoimunidade na UCE é um mecanismo fisiopatológico bem estabelecido: cerca de 30-50% dos pacientes com UCE apresentam autoanticorpos funcionais contra o receptor de alta afinidade de IgE (FcεRI) ou contra IgE, caracterizando a UCE autoimune tipo I (mediada por IgE) ou tipo IIb (mediada por IgG anti-FcεRI ou anti-IgE). No entanto, a presença desses autoanticorpos não é necessária nem suficiente para o diagnóstico — muitos pacientes com UCE autoimune comprovada não apresentam marcadores detectáveis, e muitos pacientes com marcadores positivos têm doença leve ou autolimitada. A tireoidite autoimune, evidenciada pela presença de anti-TPO, é uma comorbidade frequente na UCE, mas sua presença apenas sugere um background autoimune, sem valor diagnóstico isolado.
A distinção crucial que a questão explora é entre associação e confirmação diagnóstica. Os testes de autoimunidade (soro autólogo, BAT, anti-TPO) são ferramentas de pesquisa e caracterização fisiopatológica, não critérios diagnósticos. O diagnóstico de UCE permanece clínico, e a investigação adicional visa excluir diagnósticos diferenciais (como vasculite urticariforme) e identificar comorbidades associadas (como tireoidopatia), não confirmar o diagnóstico de UCE autoimune. A banca testa exatamente essa fronteira: o candidato que supervaloriza os testes de autoimunidade como critérios diagnósticos erra a questão.
Guarde este princípio: na UCE, o diagnóstico é clínico; os testes de autoimunidade são ferramentas de caracterização, não de confirmação. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O teste do soro autólogo positivo indica a presença de autoanticorpos funcionais, mas não é diagnóstico definitivo de UCE autoimune. O teste do soro autólogo (ASST) tem sensibilidade e especificidade limitadas — um resultado positivo sugere a presença de autoanticorpos, mas não confirma o diagnóstico, que permanece clínico. Além disso, o ASST não diferencia entre autoanticorpos anti-FcεRI e anti-IgE, e pode ser positivo em outras condições. O erro está no termo "diagnóstico definitivo": nenhum teste isolado confirma o diagnóstico de UCE autoimune.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A biópsia cutânea não é mandatória na investigação da UCE. O diagnóstico é clínico, e a biópsia é reservada para casos atípicos, como suspeita de vasculite urticariforme (lesões que duram mais de 24 horas, deixam equimose ou têm componente sistêmico). Na UCE típica, com lesões fugazes e sem sinais de alerta, a biópsia não é indicada. O erro está no termo "mandatória": a biópsia é um recurso diagnóstico para situações específicas, não uma etapa obrigatória.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A presença de anticorpos antitireoperoxidase (anti-TPO) em títulos elevados sugere associação com autoimunidade, mas não confirma isoladamente o diagnóstico de UCE autoimune. A tireoidite autoimune é uma comorbidade frequente na UCE, e a presença de anti-TPO indica um background autoimune, mas o diagnóstico de UCE autoimune requer a demonstração de autoanticorpos funcionais contra FcεRI ou IgE (via testes como ASST ou BAT), e mesmo assim o diagnóstico clínico permanece soberano. A alternativa está correta porque reconhece o valor da associação sem supervalorizar o teste como critério diagnóstico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O teste de ativação dos basófilos (BAT) negativo não exclui definitivamente o diagnóstico de UCE autoimune. O BAT é um teste de pesquisa com sensibilidade limitada — um resultado negativo não afasta a possibilidade de autoimunidade, pois pode haver autoanticorpos não detectáveis pelo teste ou mecanismos não autoimunes envolvidos. O erro está no termo "exclui definitivamente": nenhum teste isolado exclui o diagnóstico de UCE autoimune, e a investigação adicional não pode ser dispensada com base em um único resultado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A dosagem sérica de proteína C reativa (PCR) e velocidade de hemossedimentação (VHS) elevadas não sugerem fortemente o diagnóstico de UCE autoimune tipo IIb. Esses marcadores inflamatórios podem estar elevados em diversas condições e não são específicos para autoimunidade na UCE. Na verdade, a elevação de PCR/VHS na UCE pode sugerir a presença de uma condição inflamatória subjacente ou mesmo levantar suspeita de vasculite urticariforme, mas não tem relação direta com o subtipo autoimune tipo IIb. O erro está na associação indevida entre marcadores inflamatórios inespecíficos e um subtipo específico de UCE.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a supervalorização dos testes de autoimunidade como critérios diagnósticos. O candidato que memoriza que "anti-TPO está associado à UCE" pode marcar a alternativa C como correta, mas a pegadinha está nas alternativas A, D e E, que elevam testes de pesquisa (ASST, BAT) ou marcadores inespecíficos (PCR/VHS) à categoria de critérios diagnósticos definitivos. Lembre-se: na UCE, o diagnóstico é clínico; os testes são ferramentas de caracterização, não de confirmação. Com treino, você identifica essas supervalorizações de longe 💪