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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2024

MedicinaNeurologia
Código
qg087854
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Lorena - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Neurologista
Um paciente idoso, com 75 anos, apresenta progressiva perda de memória, dificuldades na resolução de problemas cotidianos e alterações no comportamento. Exames neuropsicológicos revelam déficits significativos em diversas funções cognitivas. A tomografia computadorizada (TC) cerebral evidencia atrofia cortical e aumento da dilatação dos ventrículos. Uma biópsia cerebral confirma a presença de placas neuríticas e emaranhados de neurofibrilas consistentes com a doença de Alzheimer. Quais são as implicações clínicas da atrofia cortical e do aumento da dilatação dos ventrículos na TC cerebral desse paciente?
  1. ASintomas gastrointestinais.
  2. BDor crônica.
  3. CComprometimento cognitivo.
  4. DHipertensão arterial.
  5. ERedução do risco de complicações neurológicas
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Comprometimento cognitivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença de Alzheimer: atrofia cortical e dilatação ventricular

Gabarito: letra C. A atrofia cortical e o aumento da dilatação dos ventrículos na TC cerebral são achados de neuroimagem que refletem a perda neuronal e a redução do volume cerebral, cuja implicação clínica direta é o comprometimento cognitivo — exatamente o quadro descrito no enunciado (perda de memória, dificuldade de resolução de problemas e alterações de comportamento). As demais alternativas (sintomas gastrointestinais, dor crônica, hipertensão arterial e redução do risco de complicações) não têm relação fisiopatológica com esses achados estruturais.

A doença de Alzheimer (DA) é a causa mais comum de demência, caracterizada por um processo neurodegenerativo progressivo. O diagnóstico definitivo exige confirmação histopatológica, com a presença de placas neuríticas (depósitos extracelulares de proteína beta-amiloide) e emaranhados neurofibrilares (acúmulos intracelulares de proteína tau hiperfosforilada), como descrito no enunciado. Essas alterações patológicas levam à morte neuronal e à perda sináptica, que se manifestam macroscopicamente como atrofia cortical — mais proeminente nas regiões temporais e parietais — e, consequentemente, como alargamento dos sulcos e aumento do volume dos ventrículos cerebrais (hidrocefalia ex vacuo).

A atrofia cortical e a dilatação ventricular são, portanto, marcadores de neurodegeneração. A perda neuronal no córtex cerebral compromete diretamente as funções cognitivas superiores, como memória, linguagem, função executiva e visuoespacial. O hipocampo, estrutura crucial para a formação de novas memórias, é uma das primeiras regiões afetadas, o que explica a queixa inicial de perda de memória recente. A dilatação ventricular, por sua vez, é uma consequência passiva da redução do parênquima cerebral: os ventrículos, que são espaços preenchidos por líquido cefalorraquidiano, expandem-se para ocupar o espaço deixado pela atrofia. Não se trata de um processo de hipertensão intracraniana, mas sim de uma compensação volumétrica.

É importante distinguir a atrofia cerebral patológica da atrofia fisiológica do envelhecimento. No envelhecimento normal, ocorre uma perda neuronal discreta e uma leve redução do volume cerebral, mas sem comprometimento funcional significativo. Na DA, a atrofia é acelerada e desproporcional, acometendo preferencialmente regiões específicas (lobo temporal medial, incluindo o hipocampo). A avaliação neuropsicológica, como a descrita no enunciado, é fundamental para diferenciar o declínio cognitivo patológico do envelhecimento normal, demonstrando déficits significativos em múltiplos domínios cognitivos.

A banca explora a associação direta entre os achados de imagem e a clínica. O candidato deve reconhecer que a atrofia cortical e a dilatação ventricular em um paciente com quadro demencial progressivo e confirmação histopatológica de DA implicam, necessariamente, comprometimento cognitivo. As alternativas distratoras (A, B, D e E) apresentam condições clínicas que não são consequências desses achados estruturais específicos, sendo facilmente eliminadas por quem compreende a fisiopatologia da doença.

Atrofia cortical e dilatação ventricular (DA)
  • 1Marcadores de neurodegeneração
    • Perda neuronal
    • Redução do volume cerebral
  • 2Implicação clínica
    • Comprometimento cognitivo
      • Memória
      • Linguagem
      • Função executiva
      • Visuoespacial
  • 3Mecanismo da dilatação
    • Hidrocefalia ex vacuo
    • Compensação volumétrica passiva
  • 4Distinção do envelhecimento normal
    • Atrofia acelerada e desproporcional
    • Acomete lobo temporal medial (hipocampo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Sintomas gastrointestinais não são uma implicação clínica da atrofia cortical e da dilatação ventricular. Esses achados de neuroimagem refletem neurodegeneração, que compromete funções cognitivas, não o trato gastrointestinal. Embora pacientes com demência possam apresentar alterações gastrointestinais (como obstipação) por outras razões (medicamentos, imobilidade, disfagia), não há relação causal direta entre a atrofia cortical e a dilatação ventricular e esses sintomas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Dor crônica não é uma implicação clínica da atrofia cortical e da dilatação ventricular. A neurodegeneração na DA afeta predominantemente áreas corticais associativas e o hipocampo, regiões envolvidas em funções cognitivas superiores, não em vias de nocicepção. A dor crônica pode coexistir em pacientes idosos, mas não é consequência desses achados estruturais.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O comprometimento cognitivo é a implicação clínica direta da atrofia cortical e da dilatação ventricular. A perda neuronal no córtex cerebral, evidenciada pela atrofia, compromete as funções cognitivas superiores (memória, linguagem, função executiva, visuoespacial). A dilatação ventricular é uma consequência passiva da redução do parênquima cerebral. O enunciado descreve exatamente esse quadro: perda progressiva de memória, dificuldades na resolução de problemas e alterações de comportamento, com déficits significativos na avaliação neuropsicológica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Hipertensão arterial não é uma implicação clínica da atrofia cortical e da dilatação ventricular. A hipertensão é um fator de risco para demência vascular, mas não é consequência da neurodegeneração da DA. Na verdade, a hipertensão pode contribuir para lesão microvascular cerebral, mas os achados de imagem descritos (atrofia cortical e dilatação ventricular) são típicos de doença neurodegenerativa, não de doença vascular.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Redução do risco de complicações neurológicas é o oposto da realidade. A atrofia cortical e a dilatação ventricular indicam neurodegeneração avançada, que aumenta o risco de complicações neurológicas, como declínio cognitivo progressivo, perda de independência, alterações comportamentais e, eventualmente, óbito. Não há nenhum mecanismo pelo qual esses achados reduziriam o risco de complicações.

Gabarito: letra C

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