Um adolescente apresenta fraqueza muscular progressiva, perda de reflexos tendinosos profundos e hipertrofia de panturrilhas. Qual das seguintes condições neurológicas é mais provável?
AEsclerose lateral amiotrófica.
BDistrofia muscular de Duchenne.
CEsclerose múltipla.
DMiastenia gravis.
EPoliomielite.
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GabaritoB — Distrofia muscular de Duchenne.
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Distrofia muscular de Duchenne: fraqueza proximal, hiporreflexia e pseudohipertrofia
Gabarito: letra B. O quadro descrito — fraqueza muscular progressiva, perda de reflexos tendinosos profundos e hipertrofia de panturrilhas em um adolescente — é a tríade clássica da distrofia muscular de Duchenne (DMD), uma miopatia hereditária recessiva ligada ao X que cursa com degeneração muscular progressiva. A hipertrofia de panturrilhas (pseudohipertrofia) é o sinal mais característico e praticamente patognomônico da doença, o que direciona o diagnóstico para a alternativa B.
A distrofia muscular de Duchenne é uma doença genética causada por mutações no gene da distrofina (cromossomo Xp21), proteína essencial para a estabilidade da membrana da fibra muscular. Sem distrofina funcional, as fibras musculares sofrem degeneração contínua, levando a fraqueza progressiva, perda de reflexos e, paradoxalmente, aumento do volume muscular — a pseudohipertrofia — que ocorre porque o tecido muscular é substituído por tecido adiposo e fibroso, dando a aparência de músculo hipertrofiado. A doença manifesta-se tipicamente na infância, com atraso no desenvolvimento motor, dificuldade para correr e subir escadas, e o diagnóstico costuma ser feito por volta dos 4 anos de idade. A fraqueza é predominantemente proximal, afetando primeiro a cintura pélvica e depois a escapular, e os reflexos tendinosos profundos diminuem progressivamente à medida que a doença avança. A CK (creatinoquinase) encontra-se marcadamente elevada, frequentemente acima de 10.000 U/L, refletindo a destruição muscular ativa.
Para diferenciar a DMD das outras condições listadas, é essencial entender a localização da lesão na unidade motora. A unidade motora compreende o neurônio motor superior (córtex motor e trato piramidal), o neurônio motor inferior (célula do corno anterior), o nervo periférico, a junção neuromuscular e o músculo. Cada uma dessas localizações produz um padrão clínico distinto:
Localização
Fraqueza
Reflexos
Atrofia
Características
Neurônio motor superior (ELA)
Assimétrica, membros
Hiperreflexia, espasticidade
Tardia
Fasciculações, sinal de Babinski
Célula do corno anterior (poliomielite)
Assimétrica, segmentar
Hiporreflexia
Acentuada e precoce
Febre, paralisia flácida aguda
Nervo periférico (neuropatia)
Distal, simétrica
Diminuídos
Leve, distal
Disestesias, perda sensitiva
Junção neuromuscular (miastenia)
Flutuante, fatigabilidade
Normais
Nenhuma
Ptose, diplopia, piora com esforço
Músculo (DMD)
Proximal, simétrica
Diminuídos
Leve precoce, acentuada tardia
Pseudohipertrofia de panturrilhas
A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença do neurônio motor que acomete tanto o neurônio motor superior quanto o inferior, manifestando-se com fraqueza assimétrica, fasciculações, espasticidade e hiperreflexia — não hiporreflexia — e atrofia muscular acentuada, sem pseudohipertrofia. A esclerose múltipla é uma doença desmielinizante do sistema nervoso central que causa fraqueza, mas com sinais de neurônio motor superior (espasticidade, hiperreflexia), além de sintomas sensitivos, visuais e cerebelares, e não cursa com hipertrofia de panturrilhas. A miastenia gravis é uma doença da junção neuromuscular caracterizada por fatigabilidade muscular flutuante, com piora ao esforço e melhora ao repouso, frequentemente com ptose e diplopia, e reflexos normais. A poliomielite é uma infecção viral que afeta as células do corno anterior da medula, causando paralisia flácida assimétrica aguda, com atrofia precoce e acentuada, mas sem pseudohipertrofia de panturrilhas.
A pegadinha central desta questão é a hipertrofia de panturrilhas, que muitos candidatos associam erroneamente a um músculo forte e saudável. Na DMD, trata-se de pseudohipertrofia: o músculo está sendo substituído por tecido adiposo e fibroso, o que aumenta o volume mas não a força. Esse sinal, combinado com fraqueza proximal e hiporreflexia em um paciente jovem do sexo masculino, é altamente sugestivo de DMD. A banca explora exatamente essa confusão entre hipertrofia verdadeira (como ocorre em atletas) e pseudohipertrofia (como na DMD).
Distrofia muscular de Duchenne: Herança recessiva ligada ao X; Mutação no gene da distrofina; Tríade clássica (Fraqueza proximal progressiva, Hiporreflexia, Pseudohipertrofia de panturrilhas); Diagnóstico (CK muito elevada, Teste genético)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença do neurônio motor que acomete o córtex motor, o trato piramidal e as células do corno anterior. O quadro clássico inclui fraqueza assimétrica, fasciculações, espasticidade e hiperreflexia (sinais de neurônio motor superior), além de atrofia muscular acentuada. A ELA não cursa com pseudohipertrofia de panturrilhas e é mais comum em adultos na sexta década de vida, não em adolescentes. A hiporreflexia descrita no enunciado é incompatível com a ELA, que tipicamente apresenta reflexos exaltados.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A distrofia muscular de Duchenne é a miopatia hereditária mais comum na infância, com herança recessiva ligada ao X, afetando quase exclusivamente meninos. A tríade clássica — fraqueza muscular progressiva proximal, perda de reflexos tendinosos profundos e pseudohipertrofia de panturrilhas — está presente no enunciado. A doença manifesta-se nos primeiros anos de vida, com atraso motor, e progride rapidamente, levando à perda da deambulação por volta dos 10-12 anos. A CK está marcadamente elevada, e o diagnóstico é confirmado por teste genético ou biópsia muscular.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A esclerose múltipla é uma doença autoimune desmielinizante do sistema nervoso central, mais comum em mulheres jovens (20-40 anos). O quadro inclui fraqueza, mas com sinais de neurônio motor superior (espasticidade, hiperreflexia), além de sintomas sensitivos (parestesias), visuais (neurite óptica), cerebelares (ataxia) e fadiga. Não há pseudohipertrofia de panturrilhas, e os reflexos tendinosos estão tipicamente aumentados, não diminuídos. A idade do paciente (adolescente) e o padrão de fraqueza proximal com hiporreflexia não são compatíveis com EM.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A miastenia gravis é uma doença autoimune da junção neuromuscular, caracterizada por fraqueza muscular flutuante e fatigabilidade, que piora com o esforço repetitivo e melhora com o repouso. O acometimento ocular (ptose, diplopia) é a apresentação mais comum, e os reflexos tendinosos são normais. Não há hipertrofia de panturrilhas, e a fraqueza não é progressiva no sentido de degeneração muscular, mas sim flutuante. A idade de início é variável, mas o padrão clínico descrito não se encaixa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A poliomielite é uma infecção viral aguda que afeta as células do corno anterior da medula espinal, causando paralisia flácida assimétrica, com febre e pródromos gripais. A fraqueza é assimétrica e segmentar, com atrofia muscular precoce e acentuada, e não há pseudohipertrofia de panturrilhas. Além disso, a poliomielite é uma doença aguda, não progressiva, e o quadro descrito no enunciado é de fraqueza progressiva, o que afasta essa hipótese. Com a vacinação, a poliomielite é extremamente rara atualmente.
Gabarito: letra B — a distrofia muscular de Duchenne é a condição que melhor explica a tríade de fraqueza proximal progressiva, hiporreflexia e pseudohipertrofia de panturrilhas em um adolescente.