Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra QUE — Avança SP 2024
- Código
- qg097154
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- FSPSS
- Ano
- 2024
- Nível
- Médio
- Aconjunção integrante.
- Bpronome expletivo.
- Cpronome relativo.
- Dpronome interrogativo.
- Econjunção causal.
GabaritoC — pronome relativo.
Gabarito: letra C. O "que" em "o que pode ocorrer" é pronome relativo, pois retoma o pronome demonstrativo "o" (equivalente a "aquilo") e introduz a oração subordinada adjetiva "que pode ocorrer" — que equivale a "o qual pode ocorrer". A pista decisiva está no próprio trecho: o "que" substitui um termo anterior e equivale a "o qual", característica exclusiva do pronome relativo.
A questão pede a classificação morfossintática da primeira ocorrência de "que" no trecho destacado. Isso exige analisar a função do vocábulo no contexto da oração, não isoladamente. O comando é de conceito (gramática metalinguística): você precisa reconhecer a classe e a função sintática do "que" na estrutura "o que pode ocorrer".
No trecho "o que pode ocorrer", temos:
"o": pronome demonstrativo, equivalente a "aquilo" (retoma a ideia de "maior cautela ao utilizar o T. antiquus").
"que": pronome relativo, que retoma "o" e introduz a oração subordinada adjetiva "que pode ocorrer".
"pode ocorrer": locução verbal, núcleo da oração adjetiva.
A oração "que pode ocorrer" funciona como adjunto adnominal do pronome "o", restringindo ou explicando a que se refere. O "que" exerce a função de sujeito dessa oração (quem pode ocorrer? "o" = a cautela).
Para identificar o pronome relativo, use o teste clássico: substitua o "que" por "o qual", "a qual", "os quais", "as quais". Se a substituição for possível sem alterar o sentido, é pronome relativo. No trecho:
"o que pode ocorrer" → "o qual pode ocorrer"
A substituição funciona perfeitamente, confirmando que "que" é pronome relativo. Além disso, o "que" retoma um termo anterior (o pronome "o"), o que é a definição de pronome relativo: ele substitui um termo já enunciado e introduz uma oração subordinada adjetiva.
Conjunção integrante introduz oração subordinada substantiva, que pode ser trocada por "isso". No trecho, "que pode ocorrer" não equivale a "isso pode ocorrer" (a oração não é substantiva, mas adjetiva). Além disso, a conjunção integrante não retoma termo anterior, enquanto o "que" aqui retoma "o". Portanto, a alternativa confunde o conceito de conjunção integrante com o de pronome relativo.
Pronome expletivo (ou partícula de realce) é usado para ênfase e pode ser retirado sem alterar o sentido. No trecho, "que" não pode ser retirado: "o pode ocorrer" não faz sentido. O "que" é essencial para a estrutura da oração relativa. Portanto, a alternativa extrapola o conceito de partícula expletiva, que não se aplica aqui.
Como demonstrado, "que" é pronome relativo, pois retoma o pronome demonstrativo "o" e equivale a "o qual". A oração "que pode ocorrer" é subordinada adjetiva, e o "que" exerce função de sujeito. A substituição por "o qual" confirma a classificação.
Pronome interrogativo é usado em perguntas diretas ou indiretas, como "Que livro você quer?". No trecho, não há interrogação; o "que" não introduz pergunta. Portanto, a alternativa contradiz o contexto, que é afirmativo e não interrogativo.
Conjunção causal introduz oração que expressa causa, como "porque", "visto que". No trecho, "que pode ocorrer" não expressa causa; expressa uma possibilidade (a cautela pode ocorrer). Não há relação de causa e consequência. Portanto, a alternativa troca o conceito de pronome relativo por conjunção causal, sem base no texto.
A única alternativa que se sustenta é a letra C, pois o "que" é pronome relativo, retomando "o" e introduzindo oração adjetiva. As demais alternativas ou confundem classes gramaticais ou não se aplicam ao contexto.
Sempre teste o "que" substituindo por "o qual". Se funcionar, é pronome relativo. Se puder trocar por "isso", é conjunção integrante. Se puder retirar sem mudar o sentido, é partícula expletiva.
Gabarito: letra C
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