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Concordância Verbal e Correlação Temporal
Gabarito: letra A. O trecho exige que o primeiro verbo concorde com o sujeito "O governo" (3ª pessoa do singular) e que o segundo verbo esteja no pretérito perfeito do indicativo para manter a correlação temporal com o presente "reconhece". A alternativa A é a única que preenche corretamente: "reconhece - adotou".
A questão testa dois pontos básicos de sintaxe: concordância verbal (o verbo deve flexionar-se de acordo com o sujeito) e correlação temporal (a harmonia entre os tempos verbais de um período). O conectivo "mas" é uma conjunção adversativa, que estabelece oposição entre as duas orações: o governo reconhece a necessidade, porém não adotou medidas. Essa oposição não altera a exigência de concordância, mas ajuda a entender o sentido: a primeira ação é um fato presente, a segunda é um fato já concluído (pretérito).
Vamos analisar o trecho com atenção:
"O governo reconhece a necessidade de investimentos em infraestrutura, mas ainda não adotou medidas concretas para resolver o problema."
O sujeito é "O governo" — núcleo singular, 3ª pessoa. Portanto, o verbo "reconhecer" deve estar na 3ª pessoa do singular: reconhece. A segunda lacuna pede um verbo que indique uma ação não realizada até o momento da fala, mas que já poderia ter sido feita. O pretérito perfeito "adotou" expressa exatamente isso: uma ação concluída no passado, mas que, no contexto, ainda não ocorreu (por isso o "ainda não").
A correlação temporal é o princípio que rege a combinação de tempos verbais em um período. Aqui, o presente "reconhece" indica um estado atual; a ação de "adotar" seria posterior a esse reconhecimento, mas o "ainda não" mostra que ela não aconteceu. O pretérito perfeito "adotou" é o tempo adequado para expressar uma ação que poderia ter ocorrido e não ocorreu — é o tempo da narrativa de fatos concluídos. O futuro "adotarão" indicaria uma ação que ainda vai acontecer, o que contradiria o "ainda não" (pois "ainda não" sugere que a ação não ocorreu até agora, mas pode ocorrer no futuro — porém, o contexto de oposição com "mas" pede um contraste entre o reconhecimento presente e a falta de ação passada).
A banca adora explorar a confusão entre pretérito perfeito e pretérito mais-que-perfeito. O mais-que-perfeito ("adotara") indica uma ação anterior a outra ação passada — por exemplo: "O governo reconheceu que adotara medidas" (reconheceu no passado, e as medidas foram adotadas antes desse reconhecimento). No nosso trecho, o verbo "reconhece" está no presente, então não há uma ação passada anterior a outra; o mais-que-perfeito ficaria sem referência temporal adequada.
Concordância verbal
1Sujeito "O governo" (singular)
Verbo na 3ª pessoa do singular
Plural "reconhecem" (erro)
2Correlação temporal
Presente "reconhece"
Pretérito perfeito "adotou"
ação não realizada até agora
Mais-que-perfeito "adotara" (anterior a outra passada)
Futuro "adotarão" (ação futura)
Infinitivo "adotar" (sem flexão)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A preenche as lacunas com "reconhece - adotou". O primeiro verbo concorda com o sujeito singular "O governo" (3ª pessoa do singular). O segundo verbo, "adotou", está no pretérito perfeito do indicativo, que expressa uma ação concluída no passado. No contexto, o "ainda não" indica que a ação não foi realizada até o momento da fala, mas o pretérito perfeito é o tempo usado para narrar fatos que poderiam ter ocorrido e não ocorreram — é o tempo adequado para expressar a falta de ação em oposição ao reconhecimento presente. A correlação temporal fica perfeita: presente (reconhece) + pretérito perfeito (adotou) — o reconhecimento é atual, a adoção de medidas é uma ação que já deveria ter acontecido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B usa "adotara" (pretérito mais-que-perfeito do indicativo). Esse tempo indica uma ação anterior a outra ação passada. No trecho, o verbo "reconhece" está no presente, não no passado. Portanto, não há uma ação passada anterior a outra; o mais-que-perfeito ficaria sem referência temporal adequada. A frase "O governo reconhece a necessidade, mas ainda não adotara medidas" soa estranha, pois o "ainda não" pede um tempo que indique ação não concluída até o presente, e o mais-que-perfeito indica ação concluída antes de outra passada — o que não se aplica aqui.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C usa "adotarão" (futuro do presente do indicativo). Esse tempo indica uma ação que ainda vai acontecer. No trecho, o "ainda não" sugere que a ação não ocorreu até agora, mas o futuro "adotarão" indicaria que ela ocorrerá no futuro — o que é possível, mas o contexto de oposição com "mas" pede um contraste entre o reconhecimento presente e a falta de ação passada. A frase "O governo reconhece a necessidade, mas ainda não adotarão medidas" soa incoerente, pois o "ainda não" + futuro indica que a ação não ocorreu até agora, mas ocorrerá — o que não é o sentido pretendido. O sentido é: o governo reconhece, mas não adotou (ação passada não realizada).
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D usa "adotar" (infinitivo). O infinitivo não expressa tempo nem pessoa, e aqui precisamos de um verbo flexionado que concorde com o sujeito "O governo" e que indique um tempo adequado. A frase "O governo reconhece a necessidade, mas ainda não adotar medidas" é agramatical — falta a flexão verbal. O infinitivo só seria usado em locuções verbais (ex.: "vai adotar"), mas aqui não há verbo auxiliar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E usa "reconhecem - adotaram". O primeiro verbo está no plural (reconhecem), mas o sujeito é "O governo" — singular. Portanto, há erro de concordância verbal: o verbo deve concordar com o núcleo do sujeito, que é "governo" (3ª pessoa do singular). O segundo verbo, "adotaram", está no plural, mas também deveria concordar com o sujeito singular. A frase "O governo reconhecem... adotaram" é agramatical.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre tempos verbais: o candidato pode escolher "adotara" (mais-que-perfeito) ou "adotarão" (futuro) sem atentar para a correlação com o presente "reconhece". A chave é perceber que o "ainda não" + oposição "mas" pede um pretérito perfeito — ação que poderia ter ocorrido e não ocorreu.
PEGA ESSA DICA!
Ao preencher lacunas, verifique sempre a concordância com o sujeito e a correlação temporal com os outros verbos do período. Pergunte: "qual tempo expressa a ideia de ação não realizada até agora?" — a resposta é o pretérito perfeito.
Gabarito: letra A — a única que respeita a concordância (sujeito singular) e a correlação temporal (presente + pretérito perfeito).