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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg097345
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Paciente de 68 anos com dispneia aos moderados esforços apresenta ao ecocardiograma: FEVE 58%, septo interventricular 13mm, átrio esquerdo 45mm, onda E mitral 85 cm/s, onda A mitral 45 cm/s, e' septal 5 cm/s, e' lateral 6 cm/s. Em relação à função diastólica, assinale a alternativa correta.
  1. AA relação E/e' média de 15,4 indica pressões normais de enchimento do ventrículo esquerdo.
  2. BO padrão de enchimento mitral é consistente com alteração de relaxamento (grau I).
  3. CA relação E/A > 1,8 associada à e' média reduzida sugere padrão restritivo.
  4. DO valor da e' média associado à relação E/A indica disfunção diastólica grau II (pseudonormal).
  5. EA velocidade e' septal > 4 cm/s exclui disfunção diastólica significativa.
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GabaritoD — O valor da e' média associado à relação E/A indica disfunção diastólica grau II (pseudonormal).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Disfunção diastólica do ventrículo esquerdo: graus e parâmetros ecocardiográficos

Gabarito: letra D. A relação E/A de 1,89 (85/45) com e' média reduzida (5,5 cm/s) caracteriza o padrão pseudonormal (grau II) de disfunção diastólica — o fluxo mitral parece normal, mas o Doppler tecidual revela a alteração de relaxamento subjacente. A e' média é calculada como (e' septal + e' lateral)/2 = (5 + 6)/2 = 5,5 cm/s, valor claramente reduzido (normal ≥ 8 cm/s), o que desmascara o padrão pseudonormal.

A avaliação da função diastólica do ventrículo esquerdo (VE) é um pilar do ecocardiograma, especialmente em pacientes com dispneia e fração de ejeção preservada (ICFEP). O conceito central é que a diástole ventricular depende de dois processos: o relaxamento ativo do miocárdio (que consome energia e ocorre na diástole precoce) e a complacência passiva da câmara (que determina a pressão de enchimento). Quando o relaxamento está prejudicado, a velocidade de deslocamento do anel mitral na diástole precoce (onda e') diminui, e o átrio esquerdo precisa contrair com mais força para completar o enchimento — daí o aumento da onda A.

Os principais parâmetros avaliados são: (1) o fluxo transvalvar mitral pelo Doppler pulsado, que gera as ondas E (enchimento rápido passivo) e A (contração atrial); (2) o Doppler tecidual no anel mitral, que mede as velocidades e' (diástole precoce) e a' (contração atrial); (3) a relação E/e', que estima a pressão de enchimento do VE; (4) a velocidade de refluxo tricúspide; e (5) o volume do átrio esquerdo. A relação E/e' é o parâmetro que melhor se correlaciona com a pressão de átrio esquerdo medida invasivamente: valores > 14 indicam pressões elevadas (> 15 mmHg).

Os graus de disfunção diastólica formam um espectro progressivo. No grau I (relaxamento anormal), há redução da onda E com aumento da onda A (E/A < 0,8), e' reduzida e E/e' normal. No grau II (pseudonormal), o fluxo mitral se "normaliza" (E/A entre 0,8 e 1,5), mas a e' permanece reduzida — é o padrão que mais exige o Doppler tecidual para ser identificado. No grau III (restritivo), a complacência está severamente reduzida, com E/A > 2, e' muito baixa e E/e' elevado. A progressão reflete o aumento progressivo das pressões de enchimento.

A pegadinha clássica desta questão é que o aluno calcula a relação E/A (85/45 = 1,89) e, vendo um valor > 1,8, conclui erroneamente padrão restritivo (alternativa C). No entanto, o padrão restritivo exige E/A > 2,0 E e' muito reduzida, além de E/e' elevado — o que não ocorre aqui. O valor de 1,89, associado à e' média de 5,5 cm/s, é o cenário típico do padrão pseudonormal: o fluxo mitral está "quase normal", mas o Doppler tecidual revela a disfunção. A banca explora exatamente essa confusão entre os limiares de E/A e a necessidade de integrar múltiplos parâmetros.

Guarde o critério decisivo: a e' média reduzida (< 8 cm/s) é o marcador de disfunção diastólica que persiste em todos os graus, e é ela que diferencia o padrão pseudonormal (grau II) do fluxo mitral verdadeiramente normal. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A relação E/e' média é calculada como E / [(e' septal + e' lateral)/2] = 85 / 5,5 = 15,45. O valor de referência é 14, sendo valores ≥ 15 considerados anormais e fortemente correlacionados com pressão de átrio esquerdo > 15 mmHg. Portanto, E/e' de 15,45 indica pressões de enchimento elevadas, não normais. O erro está em afirmar que esse valor indica pressões normais — é exatamente o oposto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O padrão de enchimento mitral com E/A = 1,89 não é consistente com alteração de relaxamento (grau I). No grau I, a relação E/A é reduzida (< 0,8), com onda E diminuída e onda A aumentada. Aqui, a relação E/A está elevada (1,89), o que afasta o padrão de relaxamento anormal. A e' reduzida está presente, mas o fluxo mitral não mostra o padrão típico do grau I.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A relação E/A de 1,89 é menor que 2,0, o limiar clássico para o padrão restritivo (grau III). Além disso, o padrão restritivo cursa com E/e' elevado (> 14) e e' muito reduzida, o que ocorre aqui, mas o E/A de 1,89 não atinge o critério de > 2,0. O padrão restritivo é o estágio mais avançado, com complacência severamente reduzida — não é o caso deste paciente, que tem E/A de 1,89 e e' média de 5,5 cm/s, configurando o padrão pseudonormal.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A e' média é (5 + 6)/2 = 5,5 cm/s, valor reduzido (normal ≥ 8 cm/s). A relação E/A é 85/45 = 1,89, que está na faixa "normal" do fluxo mitral (0,8–1,5), mas a e' reduzida indica que há disfunção diastólica subjacente. Essa combinação — fluxo mitral aparentemente normal com e' reduzida — é a definição do padrão pseudonormal (grau II). O aumento da pressão do átrio esquerdo "normaliza" o fluxo mitral, mas o Doppler tecidual revela a alteração de relaxamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A velocidade e' septal de 5 cm/s é menor que 8 cm/s, o limiar de normalidade. Portanto, ela não exclui disfunção diastólica — pelo contrário, é um forte indicador de sua presença. A afirmação de que e' septal > 4 cm/s exclui disfunção significativa é incorreta: o valor de 5 cm/s está abaixo do normal e, neste caso, confirma a disfunção diastólica grau II.

Gabarito: letra D — a e' média reduzida (5,5 cm/s) associada à relação E/A de 1,89 indica disfunção diastólica grau II (pseudonormal).

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