Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg097348
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Um homem de 65 anos, portador de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, refere dispneia ao caminhar em subidas leves e melhora dos sintomas em repouso. Ao exame clínico, apresenta-se estável e sem sinais de congestão. Segundo a classificação da New York Heart Association (NYHA), como seria classificada a limitação funcional desse paciente?
AClasse I: ausência de limitação funcional e sintomas apenas em atividades físicas intensas.
BClasse II: leve limitação funcional, com sintomas desencadeados por atividades físicas habituais.
CClasse III: limitação funcional acentuada, com sintomas desencadeados por atividades físicas menores que as habituais.
DClasse IV: incapacidade funcional completa, com sintomas presentes mesmo em repouso.
EClasse II/III: limitação funcional moderada com variação de gravidade entre atividades habituais e repouso.
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GabaritoB — Classe II: leve limitação funcional, com sintomas desencadeados por atividades físicas habituais.
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Classificação funcional da New York Heart Association (NYHA) na insuficiência cardíaca
Gabarito: letra B. O paciente apresenta dispneia ao caminhar em subidas leves — atividade física habitual — com melhora em repouso e ausência de congestão, o que caracteriza Classe II: discreta limitação funcional, com sintomas desencadeados por atividades habituais. A classificação NYHA é a ferramenta clínica padrão para graduar a limitação funcional em quatro classes, baseada na relação entre os sintomas e o nível de esforço que os desencadeia.
A classificação funcional da NYHA é um dos pilares da avaliação do paciente com insuficiência cardíaca (IC). Ela não mede a fração de ejeção nem a estrutura cardíaca — mede, de forma subjetiva, o impacto dos sintomas (dispneia, fadiga, palpitações) nas atividades cotidianas do paciente. É uma ferramenta dinâmica: o paciente pode mudar de classe conforme a resposta ao tratamento ou a progressão da doença, e é amplamente utilizada para definir condutas terapêuticas e avaliar prognóstico.
A lógica da classificação é progressiva e hierárquica. Na Classe I, o paciente tem doença cardíaca conhecida, mas nenhuma limitação: atividades habituais não causam sintomas, e estes só aparecem com esforço intenso ou prolongado. Na Classe II, há discreta limitação: o paciente fica confortável em repouso, mas atividades habituais (como caminhar em subidas leves, subir escadas, varrer a casa) já desencadeiam sintomas. Na Classe III, a limitação é importante: atividades menores que as habituais (como caminhar no plano por curta distância, vestir-se) provocam sintomas, embora o repouso ainda traga conforto. Na Classe IV, o paciente é incapaz de realizar qualquer atividade física sem desconforto, e os sintomas podem estar presentes mesmo em repouso.
O caso clínico é um exemplo clássico de aplicação direta: um homem de 65 anos com IC de fração de ejeção reduzida, que refere dispneia ao caminhar em subidas leves — uma atividade física habitual — e melhora em repouso, sem sinais de congestão. Esse quadro se encaixa perfeitamente na Classe II. A ausência de congestão e a estabilidade clínica reforçam que não se trata de classe mais avançada. A pegadinha da questão está em distinguir o que é "atividade habitual" (Classe II) do que é "atividade menor que a habitual" (Classe III) — e em não confundir a NYHA com a classificação de estágios A–D da ACC/AHA, que avalia a progressão estrutural da doença, não a limitação funcional.
Guarde a fronteira entre as classes pelo tipo de esforço que desencadeia os sintomas: habitual (II) × menor que habitual (III) × repouso (IV). É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.
NYHA (limitação funcional): Classe I (Sem limitação, Sintomas só em esforço intenso); Classe II (Discreta limitação, Sintomas em atividades habituais); Classe III (Limitação acentuada, Sintomas em atividades menores que habituais); Classe IV (Incapacidade completa, Sintomas em repouso)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A Classe I é definida pela ausência de limitação funcional, com sintomas apenas em atividades físicas intensas ou prolongadas — não em "atividades físicas intensas" de forma genérica. O paciente do enunciado tem dispneia em subidas leves, que são atividades habituais, o que já o exclui da Classe I. A alternativa erra ao descrever a Classe I como se os sintomas surgissem em atividades intensas, quando na verdade eles só aparecem em esforço extenuante.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A Classe II é exatamente o que o paciente apresenta: discreta limitação funcional, com sintomas desencadeados por atividades físicas habituais (como caminhar em subidas leves), e conforto em repouso. O enunciado descreve dispneia ao caminhar em subidas leves com melhora em repouso — a definição literal da Classe II. A ausência de congestão e a estabilidade clínica confirmam que não há sinais de classe mais avançada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A Classe III é caracterizada por limitação funcional acentuada, com sintomas desencadeados por atividades menores que as habituais — como caminhar no plano por curta distância ou tomar banho. O paciente do enunciado tem sintomas apenas em subidas leves, que são atividades habituais, não menores que as habituais. Portanto, ele está na Classe II, não na III. A alternativa descreve corretamente a Classe III, mas não se aplica ao caso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A Classe IV é a incapacidade funcional completa, com sintomas presentes mesmo em repouso. O paciente do enunciado está estável, sem sinais de congestão e com melhora dos sintomas em repouso — o oposto da Classe IV. A alternativa descreve corretamente a Classe IV, mas não se aplica ao caso clínico apresentado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não existe "Classe II/III" na classificação NYHA. A NYHA é uma escala ordinal com quatro classes bem definidas (I, II, III e IV), sem categorias intermediárias ou combinadas. O paciente do enunciado se encaixa claramente na Classe II, e a alternativa inventa uma classe que não faz parte da classificação oficial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "atividade habitual" (Classe II) e "atividade menor que a habitual" (Classe III). O paciente caminha em subidas leves — isso é atividade habitual, não menor que a habitual. O candidato que não fixa essa distinção tende a marcar a letra C, achando que qualquer dispneia aos esforços é Classe III. Lembre-se: a Classe III exige sintomas com esforços inferiores aos habituais, como caminhar no plano por poucos metros.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar a NYHA, use a régua do esforço: I = esforço intenso, II = esforço habitual, III = esforço menor que o habitual, IV = repouso. Na prova, leia o enunciado e pergunte: "qual o nível de esforço que desencadeia os sintomas?" — a resposta aponta diretamente a classe.