Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg097354
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Um paciente com diagnóstico de insuficiência cardíaca congestiva apresenta piora dos sintomas, incluindo dispneia e edema de membros inferiores. É solicitado dosagem de peptídeo natriurético tipo B (BNP) e NT-proBNP. Qual é o papel clínico principal desses biomarcadores no contexto da insuficiência cardíaca?
AIdentificação precoce de isquemia miocárdica aguda.
BDiagnóstico e avaliação prognóstica da insuficiência cardíaca.
CMonitoramento da resposta ao tratamento antiplaquetário.
DDiferenciação entre insuficiência cardíaca direita e esquerda.
EDetecção de estados pró-trombóticos no sistema cardiovascular.
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GabaritoB — Diagnóstico e avaliação prognóstica da insuficiência cardíaca.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Peptídeos natriuréticos na insuficiência cardíaca: BNP e NT-proBNP
Gabarito: letra B. O papel clínico principal do BNP e do NT-proBNP na insuficiência cardíaca é o diagnóstico e a avaliação prognóstica da síndrome. Esses biomarcadores são liberados pelos cardiomiócitos em resposta ao estiramento da parede ventricular (aumento das pressões de enchimento), refletindo a congestão e a gravidade da doença — por isso servem tanto para confirmar a IC como causa de dispneia quanto para estratificar o risco do paciente.
Os peptídeos natriuréticos são hormônios produzidos principalmente pelos ventrículos cardíacos quando há sobrecarga de volume ou pressão. O BNP (peptídeo natriurético tipo B) é o hormônio ativo, enquanto o NT-proBNP é o fragmento N-terminal inativo, liberado na mesma proporção — ambos se elevam na insuficiência cardíaca. O contexto clínico é claro: um paciente com piora de dispneia e edema de membros inferiores, sintomas clássicos de congestão, tem indicação de dosagem desses biomarcadores justamente para confirmar a suspeita diagnóstica e avaliar o prognóstico.
A principal utilidade prática do BNP/NT-proBNP é descartar ou confirmar a insuficiência cardíaca em pacientes com dispneia. O valor preditivo negativo é elevado: um BNP normal torna a IC pouco provável como causa da dispneia. Além disso, quanto maior o nível, pior o prognóstico — níveis elevados se correlacionam com maior mortalidade e mais hospitalizações. O biomarcador também auxilia no monitoramento da resposta ao tratamento, mas essa não é a função principal cobrada na questão.
É importante distinguir o papel dos peptídeos natriuréticos de outros biomarcadores cardíacos. As troponinas, por exemplo, são os marcadores de escolha para isquemia miocárdica aguda (infarto), não o BNP. Já os marcadores de função plaquetária ou coagulação são usados para monitorar terapia antiplaquetária ou estados pró-trombóticos, respectivamente. A diferenciação entre insuficiência cardíaca direita e esquerda é feita principalmente pela clínica e pelo ecocardiograma, não pelos peptídeos natriuréticos, que se elevam em ambos os casos.
A pegadinha desta questão está em associar o BNP a outras condições cardiológicas. O candidato que confunde BNP com troponina tende a marcar a alternativa A (isquemia miocárdica), mas o BNP não é marcador de isquemia — é marcador de estiramento ventricular e congestão. Guarde a fronteira: troponina = necrose/isquemia; BNP/NT-proBNP = estiramento/sobrecarga de volume. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
A identificação precoce de isquemia miocárdica aguda é papel das troponinas (T e I), que são liberadas na necrose dos cardiomiócitos. O BNP se eleva por estiramento da parede ventricular, não por isquemia — embora possa estar elevado em um infarto extenso com disfunção ventricular, não é o marcador de escolha para essa finalidade.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O BNP e o NT-proBNP são utilizados para diagnóstico (confirmar IC como causa de dispneia, com alto valor preditivo negativo) e avaliação prognóstica (níveis elevados correlacionam-se com pior evolução, maior mortalidade e mais internações). O contexto do enunciado — piora de dispneia e edema — é exatamente a situação em que esses biomarcadores são solicitados.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O monitoramento da resposta ao tratamento antiplaquetário é feito por testes de função plaquetária (agregometria) ou, na prática clínica, pela adesão ao tratamento — não pelo BNP. O BNP pode ser usado para monitorar a resposta ao tratamento da IC, mas não ao tratamento antiplaquetário.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A diferenciação entre insuficiência cardíaca direita e esquerda é feita pela avaliação clínica (sinais de congestão pulmonar vs. sistêmica) e pelo ecocardiograma (avaliação das câmaras e funções ventriculares). O BNP se eleva em ambos os tipos de IC, pois reflete o estiramento ventricular — não discrimina o lado acometido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A detecção de estados pró-trombóticos é feita por marcadores de coagulação (como dímero D, fibrinogênio) ou testes de função plaquetária — não pelo BNP. O BNP é um marcador neuro-humoral de estiramento cardíaco, sem relação direta com o estado de coagulação.
PEGA ESSA DICA!
Para não errar em questões sobre biomarcadores cardíacos, monte um mapa mental rápido: troponina = necrose/isquemia; BNP/NT-proBNP = estiramento/sobrecarga de volume (IC); CK-MB = necrose (menos específico); mioglobina = necrose precoce (pouco específica). Na dúvida, pergunte-se: "o que o biomarcador mede fisiologicamente?" — isso resolve a maioria das questões.