Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg097369
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Um paciente com insuficiência cardíaca aguda apresenta hipotensão arterial e oligúria. Qual o principal mecanismo de ação da dopamina que justifica sua indicação nesse cenário?
  1. AA dopamina é um agonista dos receptores alfa-adrenérgicos, promovendo vasoconstrição periférica e aumento da pressão arterial.
  2. BA dopamina é um agonista dos receptores beta-1 adrenérgicos, aumentando a contratilidade miocárdica e o débito cardíaco.
  3. CA dopamina é um agonista dos receptores dopaminérgicos D1, promovendo vasodilatação renal e aumento do fluxo sanguíneo renal.
  4. DA dopamina inibe a liberação de noradrenalina nos terminais nervosos simpáticos, diminuindo a resistência vascular periférica.
  5. EA dopamina estimula a liberação de cortisol e aldosterona, favorecendo a retenção de sódio e água.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A dopamina é um agonista dos receptores dopaminérgicos D1, promovendo vasodilatação renal e aumento do fluxo sanguíneo renal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dopamina na insuficiência cardíaca aguda: mecanismo de ação e indicação

Gabarito: letra C. Na insuficiência cardíaca aguda com hipotensão e oligúria, a dopamina é indicada principalmente por seu efeito sobre os receptores dopaminérgicos D1, que promovem vasodilatação renal e aumento do fluxo sanguíneo renal — mecanismo que justifica seu uso para preservar a perfusão renal e reverter a oligúria. As demais alternativas descrevem ações em outros receptores ou efeitos que não correspondem ao principal mecanismo de ação da dopamina nesse cenário.

A dopamina é uma catecolamina endógena que atua em diferentes receptores de forma dose-dependente. Em doses baixas (1–3 µg/kg/min), predomina a ação sobre receptores dopaminérgicos D1, causando vasodilatação renal, mesentérica e coronariana, com aumento do fluxo sanguíneo renal e da taxa de filtração glomerular. Em doses intermediárias (3–10 µg/kg/min), há estimulação de receptores beta-1 adrenérgicos, com efeito inotrópico e cronotrópico positivo, aumentando a contratilidade miocárdica e o débito cardíaco. Em doses altas (>10 µg/kg/min), predomina a ação sobre receptores alfa-1 adrenérgicos, promovendo vasoconstrição periférica e elevação da pressão arterial.

No cenário descrito — insuficiência cardíaca aguda com hipotensão e oligúria —, o objetivo do uso da dopamina é duplo: melhorar a perfusão renal (via receptores D1) e, em doses maiores, oferecer suporte inotrópico (via beta-1). No entanto, a questão pergunta especificamente sobre o mecanismo que justifica sua indicação nesse cenário, e a alternativa C destaca o efeito renal via receptores D1, que é o mecanismo mais específico e distintivo da dopamina em relação a outros agentes inotrópicos e vasopressores.

É importante destacar que, na prática clínica atual, a dopamina não é mais o vasopressor de primeira escolha no choque cardiogênico — a noradrenalina é preferida, conforme evidências como o estudo SOAP II, que mostrou maior mortalidade com dopamina nesse subgrupo. No entanto, a dopamina ainda pode ser considerada em situações específicas, como na presença de bradicardia ou quando se deseja efeito inotrópico associado a possível benefício renal. A questão, portanto, cobra o conhecimento farmacológico clássico sobre os receptores da dopamina, não a recomendação contemporânea de uso.

A pegadinha central desta questão está na dose-dependente da dopamina: o candidato pode confundir o efeito predominante em cada faixa de dose. A alternativa A descreve corretamente a ação alfa-adrenérgica, mas essa é predominante apenas em doses altas, não sendo o mecanismo que justifica a indicação no cenário de oligúria. A alternativa B descreve a ação beta-1, que é relevante em doses intermediárias, mas não é o mecanismo mais específico para a indicação renal. A alternativa C, ao focar nos receptores D1 e na vasodilatação renal, captura o mecanismo mais característico da dopamina e o que justifica seu uso na oligúria.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A dopamina é, de fato, um agonista dos receptores alfa-adrenérgicos, mas essa ação é predominante apenas em doses altas (>10 µg/kg/min). No cenário de insuficiência cardíaca aguda com oligúria, o objetivo não é promover vasoconstrição periférica, mas sim melhorar a perfusão renal. A vasoconstrição periférica poderia até piorar a perfusão dos órgãos, incluindo os rins. Portanto, embora a afirmação sobre o mecanismo esteja correta em termos farmacológicos, ela não corresponde ao principal mecanismo que justifica a indicação da dopamina nesse cenário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A dopamina é um agonista dos receptores beta-1 adrenérgicos em doses intermediárias (3–10 µg/kg/min), aumentando a contratilidade miocárdica e o débito cardíaco. Esse efeito é relevante na insuficiência cardíaca aguda, mas não é o mecanismo mais específico que justifica a indicação no cenário de oligúria. A alternativa C, ao destacar o efeito renal via receptores D1, é mais precisa quanto à indicação para reverter a oligúria. Além disso, a dopamina não é o inotrópico de primeira escolha na prática atual — a dobutamina é mais utilizada para esse fim.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A dopamina, em doses baixas (1–3 µg/kg/min), ativa preferencialmente os receptores dopaminérgicos D1, localizados na vasculatura renal, mesentérica e coronariana. Essa ativação promove vasodilatação, aumentando o fluxo sanguíneo renal e a taxa de filtração glomerular. No cenário de insuficiência cardíaca aguda com oligúria, esse efeito é o que justifica a indicação da dopamina, pois visa preservar a função renal e reverter a oligúria. É o mecanismo mais característico e distintivo da dopamina em relação a outros agentes inotrópicos e vasopressores.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A dopamina não inibe a liberação de noradrenalina nos terminais nervosos simpáticos. Na verdade, a dopamina pode ser convertida em noradrenalina e, em doses mais altas, estimula diretamente os receptores adrenérgicos. A inibição da liberação de noradrenalina não é um mecanismo de ação da dopamina. Essa alternativa descreve um efeito que não corresponde à farmacologia da dopamina.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A dopamina não estimula a liberação de cortisol e aldosterona. Esse efeito não faz parte do mecanismo de ação da dopamina. A retenção de sódio e água na insuficiência cardíaca é mediada por outros mecanismos, como a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e do sistema nervoso simpático, mas não pela dopamina diretamente. Essa alternativa descreve um efeito hormonal que não é atribuído à dopamina.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qg097369