Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg097381
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Qual das seguintes afirmações descreve corretamente a correlação entre o pulso alternante e a insuficiência cardíaca, destacando seu significado clínico e diagnóstico?
AO pulso alternante é um sinal clínico caracterizado por variações na força das pulsações arteriais a cada batimento cardíaco, indicando insuficiência cardíaca grave com disfunção ventricular esquerda.
BO pulso alternante é um sinal clínico caracterizado por variações na frequência cardíaca, indicando insuficiência cardíaca leve com função ventricular preservada.
CO pulso alternante é um sinal clínico caracterizado por pulsação arterial regular e forte, indicando uma função ventricular direita normal.
DO pulso alternante é um sinal clínico detectado principalmente em pacientes com arritmias supraventriculares, sem relação direta com a insuficiência cardíaca.
EO pulso alternante é um sinal clínico caracterizado por variações na força das pulsações arteriais a cada dois batimentos cardíacos, indicando insuficiência cardíaca com disfunção ventricular direita.
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GabaritoA — O pulso alternante é um sinal clínico caracterizado por variações na força das pulsações arteriais a cada batimento cardíaco, indicando insuficiência cardíaca grave com disfunção ventricular esquerda.
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Pulso alternante e insuficiência cardíaca
Gabarito: letra A. O pulso alternante é um sinal clínico caracterizado por variações na força das pulsações arteriais a cada batimento cardíaco, indicando insuficiência cardíaca grave com disfunção ventricular esquerda. Essa é a definição clássica e o significado clínico mais importante desse achado semiológico, que reflete a gravidade da disfunção sistólica do ventrículo esquerdo.
O pulso alternante é um dos sinais semiológicos mais importantes no exame cardiovascular, pois sua presença indica disfunção ventricular esquerda grave. Para entender sua importância, é preciso compreender o que ele representa: em um ritmo cardíaco regular, a amplitude das pulsações arteriais alterna entre batimentos fortes e fracos, de forma sequencial e rítmica. Esse fenômeno ocorre porque o ventrículo esquerdo, quando severamente comprometido, não consegue manter um débito sistólico constante — a cada dois batimentos, há uma variação na força de contração, resultando em pulsos de intensidades diferentes.
A detecção do pulso alternante pode ser feita de duas formas principais: pela palpação do pulso radial, onde se percebe a alternância de intensidade, ou durante a medida da pressão arterial, quando ao desinflar o manguito são auscultadas bulhas fortes e fracas sequencialmente, com variação da pressão sistólica entre 5 e 20 mmHg. Esse achado é particularmente relevante porque é considerado um dos sinais mais precoces de disfunção ventricular, e sua presença indica gravidade — quanto mais intensos os achados, maior a disfunção.
A correlação com a insuficiência cardíaca é direta: o pulso alternante é patognomônico de disfunção ventricular acentuada, especialmente do ventrículo esquerdo. Isso ocorre porque a insuficiência cardíaca grave leva a uma redução da contratilidade miocárdica, e o coração, ao tentar compensar, alterna entre contrações mais fortes e mais fracas. É importante destacar que esse sinal não está relacionado a arritmias, nem a disfunção ventricular direita isolada, e muito menos indica função ventricular preservada.
A distinção fundamental que o candidato deve guardar é entre o pulso alternante e o pulso paradoxal. Enquanto o pulso alternante é caracterizado por variação da amplitude a cada batimento, o pulso paradoxal é definido pela diminuição ou desaparecimento do pulso durante a inspiração, com queda maior que 10 mmHg na pressão arterial sistólica. O pulso paradoxal é mais característico de tamponamento cardíaco, enquanto o pulso alternante é sinal de disfunção ventricular esquerda grave. Essa é a pegadinha clássica que a banca explora: trocar as características e os significados clínicos desses dois tipos de pulso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter as características do pulso alternante com as do pulso paradoxal. O pulso alternante varia a amplitude a cada batimento e indica disfunção ventricular esquerda grave; o pulso paradoxal diminui ou desaparece com a inspiração e é típico de tamponamento cardíaco. Fique atento a essa troca — é o erro mais comum nesta questão.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve corretamente o pulso alternante: variações na força das pulsações arteriais a cada batimento cardíaco, indicando insuficiência cardíaca grave com disfunção ventricular esquerda. A definição está precisa, e o significado clínico está correto — o pulso alternante é patognomônico de disfunção ventricular esquerda acentuada, sendo um dos sinais mais precoces de disfunção ventricular.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o pulso alternante é caracterizado por variações na frequência cardíaca, o que é um erro conceitual. O pulso alternante é caracterizado por variações na amplitude (força) das pulsações, não na frequência. Além disso, indica insuficiência cardíaca grave com disfunção ventricular esquerda, não leve com função preservada. A banca troca o conceito de amplitude por frequência e inverte a gravidade da condição.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Descreve o pulso alternante como uma pulsação arterial regular e forte, indicando função ventricular direita normal. Isso é exatamente o oposto do que o pulso alternante representa: ele é caracterizado por variação na amplitude das pulsações, não por regularidade e força. Além disso, indica disfunção ventricular esquerda grave, não função ventricular direita normal. A alternativa inverte completamente o significado clínico do sinal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o pulso alternante é detectado principalmente em pacientes com arritmias supraventriculares, sem relação direta com a insuficiência cardíaca. Isso é incorreto: o pulso alternante é um sinal de disfunção ventricular esquerda grave, com relação direta com a insuficiência cardíaca. Não está associado a arritmias supraventriculares, e sua presença indica gravidade da disfunção ventricular, não um distúrbio de ritmo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Descreve o pulso alternante como variações na força das pulsações arteriais a cada dois batimentos cardíacos, indicando insuficiência cardíaca com disfunção ventricular direita. O erro está em dois pontos: primeiro, a variação ocorre a cada batimento cardíaco, não a cada dois batimentos; segundo, o pulso alternante indica disfunção ventricular esquerda, não direita. A banca troca a frequência da variação e o ventrículo acometido.