Questão de Medicina — Pneumologia — Avança SP 2024
- Código
- qg097995
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Lorena - SP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- ASomente II e III.
- BSomente II e IV.
- CSomente I e III.
- DSomente I e IV.
- ESomente III e IV.
GabaritoA — Somente II e III.
Gabarito: letra A (afirmativas II e III corretas). A DPOC é definida pela limitação persistente e não totalmente reversível do fluxo aéreo, associada a resposta inflamatória crônica a partículas ou gases nocivos — e não pela presença de bronquite crônica, enfisema ou fibrose cística como entidades que a compõem. O tratamento envolve mudanças de estilo de vida, medicamentos, reabilitação pulmonar e, em casos selecionados, cirurgia; os mecanismos fisiopatológicos centrais são inflamação crônica, obstrução das vias aéreas e hiperinsuflação pulmonar.
A DPOC é uma doença comum, evitável e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo, geralmente progressiva, causada por exposição a partículas ou gases nocivos (tabagismo é o principal fator de risco) e influenciada por fatores do hospedeiro, como a deficiência de alfa-1-antitripsina. O diagnóstico é funcional, confirmado pela espirometria com relação VEF1/CVF inferior a 0,70 após broncodilatador. Historicamente, a DPOC era definida pela presença de enfisema ou bronquite crônica, mas a definição atual se baseia na limitação do fluxo aéreo, não na existência dessas entidades — enfisema e bronquite crônica podem ocorrer com ou sem limitação do fluxo aéreo, sobrepondo-se, mas não sendo sinônimos de DPOC.
A fisiopatologia envolve inflamação crônica das vias aéreas (ativação de macrófagos e neutrófilos), obstrução das vias aéreas (estímulo à produção de muco, alterações estruturais, disfunção mucociliar) e, como consequência da menor elasticidade e maior resistência das vias aéreas distais, a hiperinsuflação pulmonar. O quadro clínico clássico é tosse, expectoração e dispneia insidiosa e progressiva — não dor abdominal, que não faz parte das manifestações típicas da doença.
O tratamento da DPOC não é curativo, mas visa aliviar sintomas, melhorar a qualidade de vida e reduzir exacerbações. Envolve cessação do tabagismo (medida mais importante), vacinação, broncodilatadores de longa duração, corticosteroides inalatórios em casos selecionados, reabilitação pulmonar (fisioterapia respiratória), oxigenoterapia domiciliar em hipoxemia crônica e, em casos selecionados, cirurgia (como a cirurgia de redução de volume pulmonar ou transplante pulmonar).
A pegadinha central desta questão está na afirmativa I: incluir a fibrose cística como doença que compõe a DPOC. A fibrose cística é uma doença genética autossômica recessiva, causada por mutação no gene CFTR, que cursa com doença pulmonar obstrutiva, mas é uma entidade distinta, com fisiopatologia, diagnóstico e tratamento próprios — não é uma das doenças que compõem a DPOC. A afirmativa IV também erra ao incluir dor abdominal como manifestação clínica típica da DPOC, que se manifesta com sintomas respiratórios.
Guarde a fronteira entre o que define a DPOC (limitação do fluxo aéreo + inflamação crônica) e o que são entidades associadas ou diagnósticos diferenciais (enfisema, bronquite crônica, fibrose cística, asma): é exatamente nela que as afirmativas se dividem.
Afirmativa | Conteúdo | Correto? |
|---|---|---|
I | Inclui a fibrose cística como doença que compõe a DPOC (bronquite crônica, enfisema e fibrose cística) | ❌ Incorreto |
II | Tratamento combina mudanças de estilo de vida, medicamentos, fisioterapia respiratória e, em alguns casos, cirurgia | ✅ Correto |
III | Mecanismos fisiopatológicos: inflamação crônica das vias aéreas, obstrução das vias aéreas e hiperinsuflação pulmonar | ✅ Correto |
IV | Manifestações clínicas: falta de ar, tosse, expectoração e dor abdominal | ❌ Incorreto |
A afirmativa erra ao incluir a fibrose cística como doença que compõe a DPOC. A DPOC é composta classicamente por bronquite crônica e enfisema pulmonar, que são os dois grandes grupos de doenças obstrutivas crônicas. A fibrose cística é uma doença genética distinta, causada por mutação no gene CFTR, que cursa com doença pulmonar obstrutiva, mas não é uma das doenças que compõem a DPOC — é um diagnóstico diferencial. A definição atual de DPOC se baseia na limitação do fluxo aéreo, não na presença dessas entidades.
O tratamento da DPOC envolve, de fato, uma combinação de mudanças no estilo de vida (principalmente cessação do tabagismo), medicamentos (broncodilatadores, corticosteroides), fisioterapia respiratória (reabilitação pulmonar) e, em alguns casos, cirurgia (redução de volume pulmonar, transplante). Não existe cura, mas o manejo adequado melhora sintomas e qualidade de vida.
Os principais mecanismos fisiopatológicos da DPOC são a inflamação crônica das vias aéreas (ativação de macrófagos e neutrófilos), a obstrução das vias aéreas (estímulo à produção de muco, alterações estruturais, disfunção mucociliar) e a hiperinsuflação pulmonar (consequência da menor elasticidade e maior resistência das vias aéreas distais). Esses mecanismos são decorrentes, principalmente, da exposição ao tabagismo.
A afirmativa erra ao incluir dor abdominal como manifestação clínica da DPOC. As manifestações clínicas típicas são tosse, expectoração (escarro) e dispneia insidiosa e progressiva. Dor abdominal não faz parte do quadro clínico clássico da DPOC.
Conclusão: Corretas apenas as afirmativas II e III → Gabarito: letra A.
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