Um paciente com insuficiência renal crônica está em tratamento com diálise peritoneal. Qual é a causa mais comum de peritonite em pacientes em diálise peritoneal?
AInfecção por Staphylococcus aureus.
BInfecção por Streptococcus pneumoniae.
CInfecção por Escherichia coli.
DInfecção por fungos.
EInfecção por Candida albicans.
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GabaritoA — Infecção por Staphylococcus aureus.
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Peritonite em diálise peritoneal: etiologia mais comum
Gabarito: letra A. A causa mais comum de peritonite em pacientes em diálise peritoneal é a infecção por Staphylococcus aureus, sendo o Staphylococcus epidermidis (coagulase-negativo) o agente mais frequente em algumas séries, mas o S. aureus é classicamente apontado como o principal patógeno. A peritonite é uma complicação infecciosa grave da diálise peritoneal, e o conhecimento da etiologia é fundamental para a escolha empírica da antibioticoterapia.
A diálise peritoneal é uma modalidade de terapia renal substitutiva que utiliza o peritônio como membrana semipermeável para a troca de solutos e fluidos. A infecção do líquido peritoneal, ou peritonite, é a complicação mais temida, pois pode levar à falência da técnica, necessidade de troca para hemodiálise e aumento da morbimortalidade. A contaminação ocorre, na maioria das vezes, pela via intraluminal (através do cateter) ou periluminal (ao redor do cateter), sendo a principal porta de entrada a manipulação inadequada do sistema de conexões.
A etiologia da peritonite em diálise peritoneal é dominada por bactérias Gram-positivas, que colonizam a pele e o trato respiratório superior. O Staphylococcus aureus é um dos principais agentes, responsável por uma parcela significativa dos episódios, frequentemente associado a infecção do orifício de saída do cateter e a maior gravidade. Outros agentes comuns incluem os estafilococos coagulase-negativos (como S. epidermidis), estreptococos e, menos frequentemente, bacilos Gram-negativos (como E. coli e Klebsiella), fungos (como Candida) e micobactérias.
A distinção entre a peritonite da diálise peritoneal e a peritonite bacteriana espontânea (PBE) é crucial. A PBE ocorre em pacientes com cirrose e ascite, sendo causada principalmente por bactérias Gram-negativas intestinais, com destaque para a E. coli. Já a peritonite associada à diálise peritoneal tem como principal mecanismo a contaminação do cateter, o que explica a predominância de bactérias da pele, como o S. aureus. Essa diferença etiológica é a chave para a escolha do antibiótico empírico: enquanto na PBE se usa cefalosporina de terceira geração, na peritonite dialítica a cobertura inicial deve incluir agentes contra Gram-positivos, como cefazolina ou vancomicina.
A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que associa "peritonite" a "E. coli" pode estar pensando na PBE, mas a questão é específica sobre diálise peritoneal. A alternativa correta é a que aponta o Staphylococcus aureus, o agente mais comumente implicado nesse contexto. As demais alternativas trazem agentes que podem causar peritonite, mas não são a causa mais comum em pacientes em diálise peritoneal.
Peritonite em diálise peritoneal: Mecanismo (Contaminação do cateter, Via intraluminal ou periluminal); Etiologia predominante (Gram-positivos (pele), Staphylococcus aureus (mais comum), S. epidermidis (coagulase-negativo)); Tratamento empírico (Cefazolina ou vancomicina); Distrator: PBE (cirróticos) (Gram-negativos intestinais, E. coli (mais comum))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O Staphylococcus aureus é, de fato, a causa mais comum de peritonite em pacientes em diálise peritoneal. Isso se deve à colonização da pele e das narinas por essa bactéria, que pode contaminar o cateter peritoneal durante a manipulação ou a conexão. A infecção por S. aureus está associada a maior gravidade, maior taxa de falência da técnica e necessidade de remoção do cateter. O tratamento empírico inicial deve cobrir esse agente, geralmente com cefazolina ou vancomicina, dependendo da prevalência de cepas resistentes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O Streptococcus pneumoniae é um agente incomum na peritonite associada à diálise peritoneal. Embora possa causar peritonite em outros contextos, como na peritonite bacteriana espontânea (PBE) em cirróticos, não é o principal patógeno na diálise peritoneal. A banca inclui essa alternativa para testar o conhecimento sobre os agentes típicos de cada tipo de peritonite.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A Escherichia coli é um bacilo Gram-negativo que predomina na peritonite bacteriana espontânea (PBE), associada à cirrose e ascite, e não na peritonite da diálise peritoneal. Na diálise peritoneal, os Gram-positivos são os mais frequentes, e a E. coli aparece em menor proporção. Essa alternativa é um distrator clássico, explorando a confusão entre os dois tipos de peritonite.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As infecções fúngicas, embora possam ocorrer, são uma causa menos comum de peritonite em diálise peritoneal. Quando presentes, geralmente estão associadas a uso prolongado de antibióticos de amplo espectro, imunossupressão ou diabetes. A peritonite fúngica é grave e frequentemente requer a remoção do cateter, mas não é a causa mais comum.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A Candida albicans é o principal fungo causador de peritonite em diálise peritoneal, mas as infecções fúngicas, como um todo, são menos comuns que as bacterianas. Portanto, a Candida não é a causa mais comum de peritonite nesse contexto. A alternativa tenta confundir o candidato com um agente que, embora relevante, não é o mais frequente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a peritonite da diálise peritoneal e a peritonite bacteriana espontânea (PBE). Na PBE, a E. coli é o agente mais comum; na diálise peritoneal, o Staphylococcus aureus é o principal. O candidato que não distingue os dois contextos pode cair na alternativa C. Lembre-se: na diálise, a contaminação vem da pele, então os Gram-positivos dominam.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, associe a etiologia ao mecanismo: na diálise peritoneal, a infecção é por contaminação do cateter (pele → Gram-positivos, como S. aureus); na PBE, a infecção é por translocação bacteriana intestinal (Gram-negativos, como E. coli). Essa distinção é a chave para acertar questões sobre peritonite.