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Questão de Direito Penal — Legislação Penal Especial — IBFC 2024

Direito PenalLegislação Penal Especial
Código
qg221303
Banca
IBFC
Órgão
TRF - 5ª REGIÃO
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Técnico Judiciário - Área Administrativa - Especialidade: Agente da Polícia Judicial
A correção na conduta dos funcionários públicos é essencial. Em especial quando exercem poder, no sentido estrito. Têm, portanto, capacidade de exercer violência de maneira legítima, o que exige especial cautela para não se extrapolarem os estritos limites próprios do Estado democrático de Direito. Sobre a Lei de Abuso de Autoridade - Lei n° 13.869, de 5 de setembro de 2019, assinale a alternativa correta.
  1. AO reconhecimento da legítima defesa e do estrito cumprimento do dever legal, pelo juiz criminal, impede a punição disciplinar do servidor da Polícia Judicial que usar de violência contra a pessoa no exercício da função
  2. BDeixar de comunicar o local de prisão à família do preso ou a outro por ele indicado é ilícito administrativo, mas não penal
  3. CObrigar preso algemado a exibir-se para vídeo pode gerar responsabilidade civil para o Estado, mas não crime por parte do servidor público
  4. DConvidar a depor psicólogo, ainda que sobre atos da terapia, mesmo que autorizado pelo paciente, é crime de abuso de autoridade
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GabaritoA — O reconhecimento da legítima defesa e do estrito cumprimento do dever legal, pelo juiz criminal, impede a punição disciplinar do servidor da Polícia Judicial que usar de violência contra a pessoa no exercício da função

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lei de Abuso de Autoridade (Lei 13.869/2019)

Gabarito: letra A. De acordo com o art. 8º da Lei 13.869/2019, a sentença penal que reconhece a legítima defesa ou o estrito cumprimento do dever legal faz coisa julgada no âmbito administrativo-disciplinar, impedindo a punição disciplinar do servidor. A alternativa A reflete exatamente essa regra. As demais alternativas contrariam dispositivos expressos da lei.

A questão exige conhecimento literal da Lei de Abuso de Autoridade, especialmente dos crimes tipificados e dos efeitos da condenação.

Alternativa

Descrição da Conduta

Previsão Legal na Lei 13.869/2019

Consequência Jurídica

Correta?

A

Reconhecimento de legítima defesa/estrito cumprimento do dever legal pelo juiz criminal impede punição disciplinar

Art. 8º (faz coisa julgada no âmbito administrativo-disciplinar)

Impede a punição disciplinar do servidor

✅ Sim

B

Deixar de comunicar local de prisão à família ou a outro indicado

Art. 12, parágrafo único, II

Crime de abuso de autoridade (detenção de 6 meses a 2 anos e multa)

❌ Não

C

Obrigar preso algemado a exibir-se para vídeo

Art. 13, I

Crime de abuso de autoridade

❌ Não

D

Convidar a depor psicólogo sobre atos da terapia, mesmo com autorização do paciente

Art. 15, parágrafo único

Crime de abuso de autoridade (quebra de sigilo profissional)

❌ Não

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O art. 8º da Lei 13.869/2019 determina que, uma vez reconhecido na esfera penal que o ato foi praticado em legítima defesa ou em estrito cumprimento do dever legal, essa decisão vincula as instâncias cível e administrativo-disciplinar, tornando-se coisa julgada e impedindo a punição disciplinar. A redação é expressa:

Art. 8Lei-13869

Art. 8º — "Faz coisa julgada em âmbito cível, assim como no administrativo-disciplinar, a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito."

Portanto, a assertiva está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que deixar de comunicar o local de prisão à família ou a pessoa indicada é apenas ilícito administrativo, e não penal. Nos termos do art. 12, parágrafo único, inciso II, da Lei 13.869/2019, essa conduta constitui crime de abuso de autoridade, punido com detenção de 6 meses a 2 anos e multa. Logo, há previsão criminal, não se limitando à esfera administrativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Alega que obrigar preso algemado a exibir-se para vídeo gera responsabilidade civil, mas não crime. Entretanto, o art. 13, inciso I, da mesma lei tipifica como crime "constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública". A conduta é crime, independentemente de eventuais consequências civis.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sustenta que "convidar a depor" um psicólogo sobre atos de terapia, mesmo com autorização do paciente, é crime de abuso de autoridade. O crime previsto no art. 15 da Lei 13.869/2019 exige que o agente "constranger a depor, sob ameaça de prisão", pessoa obrigada a guardar sigilo profissional. O mero convite, sem coação ou ameaça, não configura o crime. Além disso, se o paciente autorizou a quebra do sigilo, a conduta pode ser lícita. Portanto, a afirmativa é incorreta.

Gabarito: letra A.

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