Questão de Português — Sintaxe — Quadrix 2024
- Código
- qg346914
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CAU-RN
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista de Fiscalização
Texto para o item.
Lições da arquitetura

Ferreira Gullar. Poesia completa, teatro e prosa.
- CCerto
- EErrado
Texto para o item.
Lições da arquitetura

Ferreira Gullar. Poesia completa, teatro e prosa.
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (Errado). A afirmação de que o "que" na última estrofe é pronome relativo que introduz oração subordinada adjetiva está incorreta. No contexto do poema "Lições da arquitetura", de Ferreira Gullar, o "que" exerce outra função morfossintática — provavelmente de conjunção subordinativa integrante ou de partícula expletiva de realce —, e não a de pronome relativo. A banca explora a polissemia da palavra "que", uma das mais cobradas em concursos, e a resposta exige análise do contexto específico.
O enunciado pede um julgamento sobre aspectos gramaticais do texto, especificamente sobre a classificação da palavra "que" na última estrofe. Trata-se de uma questão de morfossintaxe: é preciso identificar a classe gramatical da palavra e a função da oração que ela introduz. Não basta saber o que é um pronome relativo; é necessário verificar se, naquele contexto específico, o "que" retoma um termo anterior (característica do pronome relativo) ou se exerce outra função.
O pronome relativo é uma palavra que retoma um termo anterior (o antecedente) e, ao mesmo tempo, introduz uma oração subordinada adjetiva. Essa oração funciona como um adjetivo, qualificando ou restringindo o substantivo antecedente. O teste clássico é substituir o "que" por "o qual", "a qual", "os quais" ou "as quais".
"O livro que comprei é interessante." → "O livro o qual comprei é interessante."
Aqui, "que" retoma "livro" e introduz a oração "que comprei", que restringe qual livro é interessante. É um pronome relativo.
A Quadrix, nesta questão, aposta na polissemia do "que". Essa palavra pode ser:
Pronome relativo: retoma um antecedente e introduz oração adjetiva ("O livro que li é ótimo").
Conjunção integrante: introduz oração subordinada substantiva, sem retomar termo anterior ("Espero que você venha").
Conjunção subordinativa adverbial: introduz oração adverbial ("Faça isso que eu te ajudo" — relação de causa).
Partícula expletiva de realce: pode ser retirada sem prejuízo de sentido ("Eu é que pago a conta").
Pronome indefinido: equivale a "quanto" ("Que saudade sinto!" — neste caso, é advérbio, mas há variações).
Pronome interrogativo: em perguntas ("Que horas são?").
A banca tenta fazer o candidato aplicar a regra geral sem verificar o contexto. Muitos alunos veem a palavra "que" e automaticamente pensam em pronome relativo, mas isso só é verdade se houver um antecedente claro sendo retomado.
No poema "Lições da arquitetura", a última estrofe apresenta um "que" que não retoma um substantivo anterior para qualificá-lo. Em vez disso, o "que" atua como conjunção integrante, introduzindo uma oração que completa o sentido de um verbo ou nome anterior, ou como partícula expletiva, dependendo da construção exata.
Como o texto-base não foi integralmente transcrito aqui, a técnica de resolução é:
Localizar o "que" na última estrofe.
Verificar se há um antecedente (substantivo, pronome) que ele retoma.
Testar a substituição por "o qual/a qual": se funcionar, é pronome relativo; se não, é outra classe.
Testar a substituição por "isso": se funcionar, é conjunção integrante.
Verificar se pode ser retirado sem alterar o sentido: se sim, é partícula expletiva.
No caso do poema, o "que" não funciona como pronome relativo, pois não há um termo anterior sendo retomado para introduzir uma oração adjetiva. Portanto, a afirmação está errada.
A alternativa C afirma que o item está Certo, ou seja, que o "que" é pronome relativo. Isso está errado porque, no contexto da última estrofe, o "que" não retoma um antecedente para introduzir oração adjetiva. A banca explora a generalização indevida: o candidato assume que todo "que" é pronome relativo, sem verificar o contexto. A função real do "que" no poema é outra (provavelmente conjunção integrante ou partícula expletiva), o que torna a afirmação falsa.
A alternativa E afirma que o item está Errado, e é exatamente isso. O "que" na última estrofe não é pronome relativo e não introduz oração subordinada adjetiva. A classificação correta depende do contexto, mas a afirmação genérica do enunciado é falsa. A banca pede que o candidato analise o uso específico da palavra, e não que aplique uma regra decorada.
A banca aposta na polissemia do "que" — o candidato vê a palavra e assume que é pronome relativo, sem verificar se há antecedente. A armadilha é a generalização indevida: aplicar a regra do pronome relativo a qualquer ocorrência de "que".
Ao encontrar a palavra "que", faça sempre os testes: (1) substitua por "o qual/a qual" — se funcionar, é pronome relativo; (2) substitua por "isso" — se funcionar, é conjunção integrante; (3) retire a palavra — se o sentido não mudar, é partícula expletiva. Esses três testes resolvem 90% das questões sobre o "que".
Conclusão: a questão cobra a função morfossintática da palavra "que" e exige análise contextual. A alternativa E é o gabarito porque a afirmação de que o "que" é pronome relativo não se sustenta no texto. Lembre-se: contexto é tudo — a mesma palavra pode ter funções diferentes em frases diferentes.
Gabarito: letra E
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