Questão de Português — Sintaxe — Quadrix 2024
- Código
- qg346920
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CAU-RN
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista de Fiscalização
Texto para o item.
Os bancos contam histórias

- CCerto
- EErrado
Texto para o item.
Os bancos contam histórias

GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (Errado). O sujeito de “pensaram” não é sintaticamente indeterminado; trata-se de sujeito oculto (desinencial), pois pode ser recuperado com precisão pelo contexto. A afirmação do item erra ao confundir as duas classificações: o que é recuperável pelo contexto é justamente a marca do sujeito oculto, não do indeterminado.
A questão pede um julgamento sobre a classificação sintática do sujeito do verbo “pensaram”. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática — o candidato precisa dominar a diferença entre sujeito indeterminado e sujeito oculto/desinencial. O item afirma que o sujeito, embora recuperável semanticamente, seria sintaticamente indeterminado. Essa é a tese a ser testada.
O texto “Os bancos contam histórias”, de Diógenes Majela, narra uma cena em que personagens (os bancos) são apresentados de forma personificada. Na linha 16, o verbo “pensaram” aparece em uma oração cujo sujeito não está explícito, mas é perfeitamente identificável pelo contexto: refere-se aos bancos, já mencionados anteriormente. A passagem que autoriza essa recuperação é o próprio título e o desenvolvimento do texto, em que os bancos são os agentes das ações narradas.
“Os bancos contam histórias” (título) — e, no corpo do texto, os bancos são os personagens que agem, inclusive “pensaram”.
Como o sujeito é determinável pelo contexto, a classificação correta é sujeito oculto (desinencial), e não indeterminado. O item, ao dizer que “apesar de poder ser recuperado semanticamente pelo contexto, é sintaticamente indeterminado”, contradiz a própria definição de sujeito indeterminado.
A distinção central:
Critério | Sujeito Oculto/Desinencial | Sujeito Indeterminado |
|---|---|---|
Identificação | Recuperável pelo contexto ou pela desinência verbal | Não se pode ou não se quer identificar |
Exemplo | “Pensaram” (os bancos — sabemos quem) | “Dizem que ele morreu” (quem? não se sabe) |
Marca formal | Verbo em qualquer pessoa, com sujeito elíptico | Verbo na 3ª pessoa do plural sem referente OU verbo + “se” (VI/VTI/VL) |
No caso de “pensaram”, o contexto fornece o referente (os bancos). Logo, não há indeterminação. A banca explora exatamente a confusão entre os dois conceitos: o candidato que sabe que “pensaram” está na 3ª pessoa do plural pode ser tentado a classificá-lo como indeterminado, mas a recuperabilidade pelo contexto é a prova de que se trata de sujeito oculto.
A banca arma com a troca de conceito — usa a 3ª pessoa do plural (marca típica de indeterminação) como isca, mas o contexto revela o agente, o que caracteriza sujeito oculto. O item é falso porque contradiz a definição de indeterminado.
O item afirma que o sujeito de “pensaram” é sintaticamente indeterminado. Isso está errado. O sujeito é oculto (desinencial), pois o contexto permite identificá-lo com precisão: são os bancos, personagens do texto. A própria ressalva do item (“apesar de poder ser recuperado semanticamente pelo contexto”) já entrega o erro: se o sujeito pode ser recuperado, ele é determinado (oculto), não indeterminado. O sujeito indeterminado ocorre justamente quando não há como identificar o agente, como em “Falaram mal de você” (quem falou? não se sabe).
Conclusão: a classificação correta é sujeito oculto, e não indeterminado. O item está errado.
Ao julgar itens sobre sujeito, pergunte: “o contexto me diz quem praticou a ação?”. Se sim → sujeito oculto. Se não → indeterminado. A 3ª pessoa do plural só é indeterminada quando o referente é desconhecido ou irrelevante.
Gabarito: letra E (Errado).
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