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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg347035
Banca
Quadrix
Órgão
CAU-RN
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Assistente Administrativo

Texto para o item.


Divinos devaneios 


Imagem da questão


Gabriel Pedroso Teixeira 




Em relação aos aspectos gerais do texto, julgue o item abaixo.Na linha 12, o pronome oblíquo “me” é, ao mesmo tempo, objeto direto de “tá” e sujeito de “escutando”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Função sintática do pronome oblíquo "me" em oração reduzida de gerúndio

Gabarito: E (Errado). A assertiva está incorreta porque atribui ao pronome "me" duas funções sintáticas simultâneas — objeto direto de "tá" e sujeito de "escutando" — o que não ocorre no texto. Na verdade, o pronome "me" exerce apenas a função de objeto direto do verbo "tá" (transitivo direto), enquanto o sujeito de "escutando" é elíptico (desinencial), referindo-se à primeira pessoa do singular, e não ao pronome. A passagem que sustenta essa análise está na linha 12 do texto, em que se lê:

"...tá me escutando..."

Nesse trecho, "me" é o complemento verbal de "tá" (forma reduzida de "está"), e "escutando" é o gerúndio que integra a locução verbal "tá escutando". O sujeito dessa locução é o pronome oculto "eu", que não aparece na superfície, mas é recuperável pela desinência verbal. Portanto, a afirmação de que "me" seria também sujeito de "escutando" é um erro de análise sintática, pois um pronome oblíquo átono nunca exerce função de sujeito.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma afirmação a respeito da função sintática do pronome "me" na linha 12. Trata-se de uma questão de gramática aplicada ao texto, mais especificamente de análise sintática de um trecho específico. O candidato deve identificar a função do pronome no contexto da oração, e não apenas reconhecer a classe gramatical. A banca explora um erro comum: confundir a função de objeto direto com a de sujeito, especialmente em construções com gerúndio.

O texto e a estrutura sintática

O texto "Divinos devaneios", de Gabriel Pedroso Teixeira, apresenta uma linguagem coloquial, com marcas de oralidade, como a forma reduzida "tá" (de "está"). Na linha 12, a construção "tá me escutando" é uma locução verbal formada pelo verbo auxiliar "tá" (estar) e o verbo principal no gerúndio "escutando". Nessa locução, o pronome oblíquo "me" funciona como objeto direto do verbo "escutar", que é transitivo direto (escutar alguém). O sujeito da locução é o pronome pessoal reto "eu", que está elíptico (oculto), pois a desinência verbal de primeira pessoa do singular já o indica.

A técnica para resolver

Para resolver questões de função sintática de pronomes oblíquos, é fundamental lembrar:

  • Pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) nunca exercem função de sujeito. Eles podem ser objeto direto, objeto indireto ou parte de verbos pronominais.

  • O sujeito de uma oração é sempre um termo que pratica ou sofre a ação verbal, e, quando é um pronome, deve ser um pronome pessoal do caso reto (eu, tu, ele, nós, vós, eles) ou um pronome substantivo.

  • Em orações reduzidas de gerúndio, o sujeito pode estar elíptico, mas nunca será um pronome oblíquo átono.

No trecho "tá me escutando", a análise correta é:

Termo

Função

(Eu)

Sujeito elíptico

tá escutando

Locução verbal (núcleo do predicado)

me

Objeto direto

Portanto, a assertiva erra ao afirmar que "me" é sujeito de "escutando". O sujeito é o pronome oculto "eu", e "me" é apenas objeto direto.

Análise da assertiva

A assertiva diz: "Na linha 12, o pronome oblíquo 'me' é, ao mesmo tempo, objeto direto de 'tá' e sujeito de 'escutando'." Essa afirmação é falsa por dois motivos:

  1. "me" não é objeto direto de "tá": o verbo "tá" (estar) é um verbo de ligação ou auxiliar, não um verbo transitivo direto. O objeto direto é do verbo "escutando", que é o núcleo do predicado. Na locução verbal, o objeto direto completa o sentido do verbo principal, não do auxiliar.

  2. "me" não é sujeito de "escutando": como dito, pronome oblíquo átono não pode ser sujeito. O sujeito é elíptico (eu).

Assim, a assertiva contradiz a estrutura sintática do trecho, configurando um erro de troca de função sintática.

Conclusão

A banca explora a confusão entre as funções de objeto direto e sujeito, especialmente em construções com gerúndio. Para acertar, o candidato deve lembrar que pronome oblíquo átono nunca é sujeito e que, em locuções verbais, o objeto direto se liga ao verbo principal, não ao auxiliar. Portanto, a assertiva está errada.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a função de um pronome oblíquo, pergunte: "Quem pratica a ação?" (sujeito) e "Sobre quem recai a ação?" (objeto). O pronome oblíquo sempre responde à segunda pergunta, nunca à primeira.

Gabarito: E (Errado).

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