Questão de Português — Coesão e coerência — Quadrix 2024
- Código
- qg350118
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRESS-AM
- Ano
- 2024
- Nível
- Médio
- Cargo
- Agente Fiscal

- CCerto
- EErrado

GabaritoC — Certo
Gabarito: ERRADO (item E). A afirmação de que o pronome “este”, no início do segundo parágrafo, deveria ser substituído por “esse” para representar adequadamente a anáfora não procede: o pronome “este” já exerce, corretamente, a função anafórica de retomar um termo mencionado anteriormente no texto. A troca por “esse” não é obrigatória nem mais adequada — ambos os demonstrativos podem retomar elementos já ditos, e a escolha entre eles depende de fatores como proximidade ou ênfase, não de uma regra rígida de coesão.
O item pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação a respeito de um mecanismo de coesão textual. A banca não pergunta “qual pronome usar?”, mas sim se a substituição de “este” por “esse” seria necessária para garantir a anáfora. Isso muda tudo: não basta saber que “esse” também pode ser anafórico; é preciso verificar se o “este” original já cumpre bem essa função. Se cumpre, a troca é dispensável — e a afirmação cai.
O texto-base (de Maria Carmelita Yazbek) traz, no início do segundo parágrafo, o pronome “este” retomando uma ideia ou termo do parágrafo anterior. Veja o trecho (adaptado para ilustrar):
“...o serviço social brasileiro na contemporaneidade. Este processo...”
Aqui, “este” retoma “processo” (ou termo equivalente) já mencionado — exatamente o que define uma anáfora: a retomada de um elemento que veio antes. A gramática normativa não impõe que, em anáfora, se use “esse” em vez de “este”. A regra tradicional diz que “este” aponta para o que vem depois (catáfora) e “esse” para o que veio antes (anáfora), mas, na prática, “este” também é usado anaforicamente, principalmente para retomar o termo mais próximo ou para dar ênfase. Portanto, a substituição não é “adequada” no sentido de ser necessária — o “este” já está adequado.
A pegadinha da banca está em sugerir que “esse” seria o único pronome correto para anáfora. Isso é um mito: tanto “este” quanto “esse” podem retomar elementos anteriores. A diferença clássica é:
Pronome | Uso típico | Exemplo |
|---|---|---|
Este | Retoma o termo mais próximo ou antecipa (catáfora) | “João e Maria chegaram. Este é médico.” (Maria, a mais próxima) |
Esse | Retoma o termo mais distante ou já mencionado (anáfora) | “João e Maria chegaram. Esse é médico.” (João, o mais distante) |
No texto, se “este” retoma um termo imediatamente anterior, está perfeitamente adequado. A troca por “esse” alteraria a nuance de proximidade, mas não tornaria a coesão “mais adequada”. A afirmação do item é, portanto, falsa.
A assertiva afirma que “este” deveria ser substituído por “esse” para representar adequadamente a anáfora. Isso está errado por dois motivos:
“Este” já é anafórico: como visto, o pronome “este” pode retomar um termo anterior, especialmente o mais próximo. Não há erro de coesão.
A troca não é obrigatória: a gramática não impõe “esse” para anáfora; a escolha é estilística. A banca tenta fazer o candidato acreditar que há uma regra rígida, mas não há.
Portanto, o item é ERRADO.
A banca explora o mito de que “esse” é o único pronome anafórico. Na verdade, “este” também retoma elementos anteriores — a troca seria apenas uma questão de estilo, não de adequação.
Em questões de coesão, desconfie de afirmações que impõem uma substituição como “necessária” ou “adequada”. Pergunte-se: o pronome original já cumpre a função? Se sim, a troca é dispensável.
Conclusão: como a banca pediu para julgar a afirmação, e ela é falsa, o gabarito é ERRADO. O “este” não precisa ser trocado por “esse” — ambos são anafóricos válidos.
Gabarito: ERRADO (item E)
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