Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2024
- Código
- qg356837
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRO-AM
- Ano
- 2024
- Nível
- Médio
Esta gente



Ana Hatherly. In: Um calculador de improbabilidades.
- CCerto
- EErrado
Esta gente



Ana Hatherly. In: Um calculador de improbabilidades.
GabaritoC — Certo
Gabarito: C (Certo). A assertiva está correta porque o poema de Ana Hatherly, ao trabalhar com a ideia de "não saber que é gente", sugere uma perda de identidade e de consciência de si que, no contexto, implica também não reconhecer em si mesmo o direito de ser livre. Essa leitura se ancora na construção poética que associa o desconhecimento da própria humanidade a uma condição de não reconhecimento de direitos fundamentais, como a liberdade.
A banca pede um julgamento Certo/Errado sobre uma interpretação do poema. O enunciado afirma que "no fim do poema, a ideia de não saber que é gente implica, entre outros elementos, não reconhecer em si mesmo o direito de ser livre". Isso não é uma informação explícita e literal, mas uma inferência — uma conclusão que o leitor pode tirar a partir das pistas deixadas pelo texto. O comando "implica" já sinaliza que se trata de uma relação de pressuposição e subentendido, não de uma afirmação direta.
O poema "Esta gente", de Ana Hatherly, explora a condição humana de forma crítica e reflexiva. A expressão "não saber que é gente" sugere uma alienação — a pessoa não se reconhece como ser humano, não tem consciência de sua própria identidade e, consequentemente, de seus direitos. No contexto do poema, essa falta de reconhecimento de si como "gente" está ligada a uma condição de submissão e falta de autonomia. Se alguém não se reconhece como gente, não se reconhece como sujeito de direitos, incluindo o direito à liberdade. A assertiva capta exatamente essa implicação: a perda da consciência de si acarreta a perda do reconhecimento do próprio direito de ser livre.
Para resolver questões de interpretação, é preciso distinguir compreensão (informação explícita) de interpretação (inferência). Aqui, a banca pede uma inferência. A pergunta que você deve fazer é: "o texto autoriza essa conclusão?" A resposta é sim, porque a ideia de "não saber que é gente" no poema está associada a uma condição de não reconhecimento de si, o que logicamente implica não reconhecer seus direitos. A alternativa não extrapola, não acrescenta opinião de fora — ela apenas explicita uma consequência que está pressuposta na construção poética.
A banca poderia ter tentado fazer você marcar "Errado" ao pensar que "não saber que é gente" é apenas uma metáfora sem relação com direitos. Mas a questão é de inferência: o texto sugere que a falta de consciência de si leva à falta de reconhecimento de direitos, e a assertiva apenas explicita essa implicação.
A assertiva está correta porque a ideia de "não saber que é gente" no poema implica, sim, não reconhecer em si mesmo o direito de ser livre. O texto constrói essa relação de forma implícita: a alienação (não saber que é gente) leva à perda da consciência de si como sujeito de direitos. A liberdade é um direito fundamental, e quem não se reconhece como gente não se reconhece como titular desse direito. A assertiva é uma paráfrase interpretativa válida, ancorada no sentido global do poema.
Em questões de interpretação, pergunte-se sempre: "o texto me obriga a concluir isso?" Se a conclusão é uma consequência lógica das ideias do texto, a assertiva está correta. Se exige acrescentar algo de fora, está errada.
Conclusão: a assertiva está correta porque a perda da consciência de si ("não saber que é gente") implica, no contexto do poema, a perda do reconhecimento do próprio direito à liberdade. A banca pediu uma inferência, e a assertiva a apresenta de forma fiel ao texto.
Gabarito: C (Certo).
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