Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Avança SP 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg413589
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Paciente de 54 anos, tabagista, é admitida no pronto-socorro com queixa de dor torácica em aperto iniciada há 1 hora, durante caminhada leve. Relata história de hipertensão arterial e dislipidemia em tratamento irregular. É realizado eletrocardiograma que evidencia depressão do segmento ST em derivações precordiais e dosagem de troponina convencional na admissão com resultado de 0,8 ng/mL (limite superior: 0,04 ng/mL). Nova dosagem de troponina 3 horas após apresenta valor de 1,5 ng/mL. Determine a classificação diagnóstica e a interpretação da variação dos biomarcadores neste caso:
  1. AInfarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento de ST; curva de troponina negativa com variação de 87,5% entre as dosagens.
  2. BAngina instável; curva de troponina positiva indicando lesão miocárdica progressiva.
  3. CInfarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento de ST; marcadores de necrose elevados confirmando infarto transmural.
  4. DSíndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST; curva de troponina positiva com variação superior a 20% entre vale e pico.
  5. EAngina estável classe II da Canadian Cardiovascular Society; troponina elevada por esforço físico habitual.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST; curva de troponina positiva com variação superior a 20% entre vale e pico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST: diagnóstico e interpretação da troponina

Gabarito: letra D. A paciente apresenta dor torácica típica, infradesnivelamento do segmento ST em precordiais e elevação da troponina convencional acima do limite superior (0,8 ng/mL, valor de referência 0,04 ng/mL), com nova dosagem 3 horas depois mostrando aumento para 1,5 ng/mL — variação de 87,5%, muito superior ao critério de 20%. Esse conjunto define síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST (SCA SSST) com curva de troponina positiva, indicando lesão miocárdica em evolução. A alternativa D é a única que integra corretamente a classificação clínica, o achado eletrocardiográfico e a interpretação da variação dos biomarcadores.

A síndrome coronariana aguda (SCA) é um espectro que engloba desde a angina instável até o infarto agudo do miocárdio (IAM), que pode ocorrer com ou sem supradesnivelamento do segmento ST. A distinção entre essas entidades é fundamental porque define a estratégia terapêutica, especialmente a necessidade de reperfusão imediata. O eletrocardiograma é o primeiro exame a separar os pacientes: a presença de supradesnivelamento do segmento ST indica oclusão coronariana aguda (IAM com supra), enquanto o infradesnivelamento do ST, como no caso da paciente, sugere isquemia subendocárdica, típica do IAM sem supra ou da angina instável.

O papel dos biomarcadores, em especial a troponina, é determinar se houve necrose miocárdica. A angina instável, por definição, não causa morte de cardiomiócitos e, portanto, não eleva a troponina. Já o IAM sem supra é caracterizado pela elevação dos biomarcadores de necrose. A interpretação da troponina convencional exige a análise da variação (delta) entre dosagens seriadas: uma elevação superior a 20% entre o valor inicial e o pico é considerada significativa e indica lesão miocárdica aguda. No caso, a variação foi de 87,5% (de 0,8 para 1,5 ng/mL), confirmando a curva positiva.

É importante destacar que a elevação da troponina não é exclusiva da SCA. Condições como insuficiência renal, insuficiência cardíaca, sepse, miocardite, tromboembolismo pulmonar e até esforço físico extenuante podem elevar os níveis. No entanto, a presença de dor torácica típica, fatores de risco (tabagismo, HAS, dislipidemia) e alterações eletrocardiográficas isquêmicas tornam a SCA a hipótese mais provável. Grandes variações de delta aumentam a probabilidade de obstrução coronariana epicárdica como causa.

A pegadinha central desta questão está na confusão entre os conceitos de angina instável e IAM sem supra, e na interpretação da variação da troponina. A banca explora o erro de considerar a elevação da troponina como ausente na angina instável (o que é verdade, mas a paciente tem elevação) ou de classificar o caso como IAM com supra (o que é falso, pois o ECG mostra infradesnivelamento). A alternativa D é a única que amarra corretamente todos os elementos: classificação (SCA SSST), curva de troponina (positiva) e variação (>20%).

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está em afirmar que a curva de troponina é "negativa" quando, na verdade, há elevação progressiva (0,8 → 1,5 ng/mL), caracterizando curva positiva. A variação de 87,5% é corretamente calculada, mas a interpretação é invertida: uma curva negativa não apresentaria elevação significativa. Além disso, a classificação como IAM sem supra é correta, mas a descrição da curva invalida a alternativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A classificação como angina instável é incorreta porque a angina instável, por definição, não causa necrose miocárdica e, portanto, não eleva a troponina. A paciente apresenta troponina elevada e com variação significativa, o que define IAM sem supra, não angina instável. A alternativa confunde os conceitos de angina instável e IAM sem supra, que se diferenciam justamente pela presença de necrose (elevação de biomarcadores).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A classificação como IAM com supradesnivelamento de ST é incorreta, pois o ECG da paciente mostra infradesnivelamento do segmento ST, não supradesnivelamento. O IAM com supra é caracterizado por elevação do ST em derivações contíguas, indicando oclusão coronariana aguda. A alternativa troca o achado eletrocardiográfico, confundindo os dois tipos de IAM.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao classificar o caso como SCA sem supradesnivelamento de ST, pois o ECG mostra infradesnivelamento do ST em precordiais. A curva de troponina é positiva, com elevação de 0,8 para 1,5 ng/mL (variação de 87,5%), muito acima do critério de 20% para significância. A interpretação da variação entre vale e pico está correta, confirmando lesão miocárdica aguda.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A classificação como angina estável classe II da Canadian Cardiovascular Society é incorreta, pois a angina estável é uma condição crônica, desencadeada por esforço previsível, e não se apresenta como dor torácica aguda com alterações eletrocardiográficas e elevação de troponina. Além disso, a angina estável não eleva troponina. A alternativa confunde o quadro agudo com uma condição crônica e atribui a elevação da troponina a "esforço físico habitual", o que não se aplica ao caso.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/qg413589