Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Avança SP 2025
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg413591
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Paciente de 58 anos, hipertenso há 15 anos em uso irregular de enalapril, comparece ao pronto-socorro referindo cefaleia intensa de início há 2 horas. À admissão, apresenta PA de 210/130 mmHg em ambos os membros superiores, confirmada após três aferições. Ao exame físico, encontra-se consciente, orientado, sem déficits neurológicos focais, ausculta cardiopulmonar sem alterações e sem sinais de edema periférico. Eletrocardiograma mostra ritmo sinusal sem alterações isquêmicas e radiografia de tórax com área cardíaca normal. Estabeleça o diagnóstico e o tratamento inicial adequado para esse caso.
AEmergência hipertensiva; iniciar nitroprussiato de sódio intravenoso em unidade de terapia intensiva, visando redução de 25% da pressão arterial média em uma hora.
BUrgência hipertensiva; iniciar captopril via oral em baixas doses, com tempo de pico de ação de 60 a 90 minutos.
CEmergência hipertensiva; administrar nifedipino de liberação rápida sublingual para redução imediata da pressão arterial.
DUrgência hipertensiva; iniciar furosemida intravenosa como agente de primeira escolha para controle pressórico.
EEmergência hipertensiva; iniciar clonidina via oral com pico de ação em 30 a 60 minutos.
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GabaritoB — Urgência hipertensiva; iniciar captopril via oral em baixas doses, com tempo de pico de ação de 60 a 90 minutos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crise hipertensiva: urgência × emergência
Gabarito: letra B. O paciente apresenta PA de 210/130 mmHg, mas sem lesão de órgão-alvo (consciente, orientado, sem déficits focais, ECG e radiografia normais), o que caracteriza urgência hipertensiva — não emergência. O tratamento inicial indicado é captopril via oral, com pico de ação em 60 a 90 minutos, conforme as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial.
A crise hipertensiva é definida como elevação aguda e sintomática da pressão arterial (PA), geralmente acima de 180/120 mmHg. Ela se divide em dois grandes grupos, e a fronteira entre eles é a presença ou ausência de lesão aguda e progressiva em órgão-alvo (LOA) — coração, cérebro, rins, retina e grandes vasos. Essa distinção é o coração da questão: ela decide tanto o diagnóstico quanto a conduta.
Na urgência hipertensiva (UH), há elevação importante da PA, mas sem LOA aguda. O paciente pode ter sintomas inespecíficos, como cefaleia, mas o exame físico e os exames complementares não mostram comprometimento de órgão-alvo. O tratamento é feito com medicamentos por via oral, em ambiente calmo, com redução gradual da PA em 24 a 48 horas. Já na emergência hipertensiva (EH), há LOA aguda e progressiva, com risco iminente de morte — exige internação em UTI e uso de anti-hipertensivos intravenosos, com redução controlada da PA (em geral, 20-25% na primeira hora).
No caso apresentado, o paciente tem PA de 210/130 mmHg, mas está consciente, orientado, sem déficits neurológicos focais, sem sinais de edema pulmonar (ausculta limpa, raio-X normal) e sem alterações isquêmicas no ECG. Portanto, não há LOA — é uma urgência hipertensiva. A cefaleia é um sintoma comum, mas isoladamente não configura emergência, desde que não haja sinais de encefalopatia hipertensiva (confusão, rebaixamento, convulsões) ou outras LOA.
O tratamento da UH consiste em observação em ambiente calmo e uso de anti-hipertensivos orais de ação rápida e curta duração. As opções clássicas são captopril (25-50 mg, pico em 60-90 min) e clonidina (0,1-0,2 mg, pico em 30-60 min). O captopril é a escolha mais comum, especialmente em pacientes com histórico de uso de IECA (como o enalapril do caso). A nifedipina de liberação rápida (sublingual ou oral) é proscrita — causa reduções rápidas e acentuadas da PA, com risco de isquemia tecidual (AVC, IAM, cegueira).
A pegadinha central desta questão é a confusão entre urgência e emergência hipertensiva. O candidato vê PA de 210/130 mmHg e automaticamente pensa em emergência, mas o que define a emergência é a LOA, não o número da PA. Outra armadilha é a nifedipina sublingual, que já foi usada no passado, mas hoje é contraindicada — a banca a coloca como distrator para quem não atualizou o conhecimento.
Guarde o critério decisivo: LOA presente = emergência (IV, UTI); LOA ausente = urgência (oral, observação). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Critério
Urgência Hipertensiva
Emergência Hipertensiva
Lesão de órgão-alvo (LOA)
Ausente
Presente (aguda e progressiva)
Conduta
Anti-hipertensivo oral (ex.: captopril)
Anti-hipertensivo intravenoso (ex.: nitroprussiato) em UTI
Meta de redução da PA
Gradual, em 24–48h
Rápida, 20–25% na 1ª hora
Local de tratamento
Observação/ambiente calmo
Unidade de terapia intensiva (UTI)
Crise hipertensiva: Urgência (sem LOA) (Captopril oral, Clonidina oral); Emergência (com LOA) (Nitroprussiato IV, UTI); Proscrito (Nifedipino sublingual)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Classifica como emergência hipertensiva, mas o paciente não tem LOA — é urgência. Além disso, o nitroprussiato de sódio é um anti-hipertensivo intravenoso indicado para emergências, não para urgências. A meta de redução de 25% da PAM em 1 hora é típica de emergência, não se aplica aqui.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Diagnóstico correto: urgência hipertensiva (PA elevada sem LOA). Tratamento correto: captopril via oral, com pico de ação em 60 a 90 minutos, conforme as diretrizes. O captopril é um IECA de ação rápida e curta duração, ideal para UH. O paciente já usa enalapril (IECA), o que reforça a escolha.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Classifica como emergência (errado, é urgência) e indica nifedipino de liberação rápida sublingual, que é proscrito nas crises hipertensivas. Causa redução rápida e acentuada da PA, com risco de isquemia tecidual (AVC, IAM). É uma armadilha clássica — o nifedipino sublingual foi usado no passado, mas hoje é contraindicado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Classifica como urgência (correto), mas indica furosemida intravenosa como primeira escolha. A furosemida é um diurético de alça, indicado apenas em situações específicas de emergência (ex.: edema agudo de pulmão com sobrecarga de volume). Na UH sem LOA, não há indicação de diurético — o tratamento é com anti-hipertensivos orais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Classifica como emergência (errado, é urgência) e indica clonidina via oral. A clonidina é uma opção válida para UH, mas o erro está na classificação: como não há LOA, não é emergência. Além disso, o pico de ação da clonidina é de 30 a 60 minutos, não de 60 a 90 (esse é o do captopril). A alternativa mistura os dois fármacos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar urgência por emergência e vice-versa. O número da PA (210/130) assusta, mas o que define a emergência é a lesão de órgão-alvo. Outra pegadinha é a nifedipina sublingual: parece uma opção rápida e eficaz, mas é proscrita — causa redução abrupta da PA e isquemia. Fique atento: se o paciente está assintomático ou com sintomas inespecíficos, é urgência; se tem AVC, IAM, edema agudo de pulmão, encefalopatia, é emergência.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar na prova, pergunte: há lesão aguda de órgão-alvo? Se sim → emergência (IV, UTI). Se não → urgência (oral, observação). Memorize os fármacos orais da urgência: captopril (pico 60-90 min) e clonidina (pico 30-60 min). E lembre: nifedipina de liberação rápida é proscrita — nunca use em crise hipertensiva.