Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Avança SP 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg413595
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Uma mulher de 42 anos, em surto agudo de esquizofrenia, relata transformação profunda de sua vivência temporal. Descreve que o tempo parece encolhido, não passa normalmente, e que experimenta fragmentação completa de sua percepção do fluxo temporal junto com vivências de estranhamento radical do tempo passado e futuro. Refere ainda perda de controle sobre sua percepção temporal, como se alguém externo controlasse o passar do tempo. Analise o mecanismo fisiopatológico subjacente a essa alteração da vivência temporal.
  1. AAlteração da vivência do tempo característica de depressão grave, na qual a lentificação enorme das atividades acompanha compressão temporal subjetiva.
  2. BDesarticulação e quebra do aspecto natural pré-reflexivo que caracteriza a vivência normal do tempo, marcada por fragmentação da percepção do fluir temporal e vivências anormais relacionadas a delírios.
  3. CTranstorno do tempo vinculado ao transtorno obsessivo-compulsivo, no qual há bloqueio ritualístico das atividades gerando falsa percepção de fluxo temporal anormal.
  4. DAceleração extrema da velocidade temporal subjetiva com impressão de que o tempo passa rapidamente demais, típica de estados maníacos franco.
  5. EAlteração de cenestesia e percepção de movimento corporal que interfere secundariamente na vivência do fluxo temporal de forma independente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Desarticulação e quebra do aspecto natural pré-reflexivo que caracteriza a vivência normal do tempo, marcada por fragmentação da percepção do fluir temporal e vivências anormais relacionadas a delírios.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vivência temporal na esquizofrenia: desarticulação do fluxo pré-reflexivo

Gabarito: letra B. A alteração descrita — fragmentação da percepção do fluir temporal, estranhamento radical do passado e futuro e sensação de controle externo sobre o tempo — é a desarticulação e quebra do aspecto natural pré-reflexivo da vivência temporal, típica da esquizofrenia, em que o tempo deixa de ser vivido como fluxo contínuo e passa a ser objeto de delírios. As demais alternativas atribuem o fenômeno a outros transtornos (depressão, TOC, mania) ou a alterações sensoriais, o que não corresponde ao quadro.

A vivência do tempo é uma das funções psíquicas mais elementares e, na normalidade, ocorre de forma pré-reflexiva — ou seja, o tempo é vivido como um fluxo contínuo e natural, sem que o sujeito precise pensar sobre ele. É o "pano de fundo" de toda experiência: passado, presente e futuro se articulam espontaneamente, dando coesão à identidade e à percepção de si. Na esquizofrenia, essa estrutura se rompe. O paciente perde a sensação de continuidade temporal: o tempo "encolhe", "não passa", fragmenta-se, e o passado e o futuro tornam-se estranhos, desconectados do presente. Essa é uma alteração formal da vivência do tempo, não um simples sintoma de lentificação ou aceleração.

O mecanismo fisiopatológico subjacente envolve a desarticulação da síntese temporal — a capacidade de integrar as experiências em uma linha do tempo coerente. Em vez de fluir naturalmente, o tempo torna-se algo externo, controlado por forças alheias, o que se conecta aos delírios de influência e de controle típicos da esquizofrenia. O paciente pode sentir que "alguém" acelera ou retarda o tempo, que seus pensamentos são retirados ou inseridos por um agente exterior. Essa vivência é qualitativamente diferente da lentificação da depressão (onde o tempo "arrasta" mas permanece contínuo) ou da aceleração da mania (onde o tempo "voa" mas também permanece contínuo). Na esquizofrenia, o que se perde é a própria estrutura do fluxo temporal.

É importante distinguir a vivência temporal na esquizofrenia das alterações em outros transtornos. Na depressão, há lentificação do tempo subjetivo: o paciente sente que o tempo passa devagar, mas a percepção do fluxo permanece íntegra. Na mania, há aceleração: o tempo parece passar rápido demais, mas novamente o fluxo é contínuo. No transtorno obsessivo-compulsivo, o tempo pode ser percebido como "perdido" em rituais, mas não há fragmentação ou controle externo. Já na esquizofrenia, a alteração é estrutural: o tempo deixa de ser um fluxo e vira uma sucessão de instantes desconexos, frequentemente acompanhada de delírios. A alternativa B captura exatamente essa essência — a quebra do aspecto pré-reflexivo e a fragmentação com vivências delirantes.

A pegadinha da banca está em atribuir a alteração a outros transtornos que também cursam com distorção temporal, mas de natureza diferente. O candidato que memoriza apenas "depressão = tempo lento" e "mania = tempo rápido" pode ser atraído pelas alternativas A e D, mas o enunciado descreve fragmentação e controle externo, que são específicos da esquizofrenia. Guarde o critério: na esquizofrenia, o tempo se desarticula (perde a continuidade); na depressão e na mania, o tempo mantém o fluxo, apenas com velocidade alterada. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Vivência temporal na esquizofrenia
  • 1Alteração formal (estrutural)
    • Fragmentação do fluxo
    • Estranhamento do passado/futuro
    • Controle externo (delírio)
  • 2Mecanismo
    • Quebra do aspecto pré-reflexivo
    • Desarticulação da síntese temporal
  • 3Diagnóstico diferencial
    • Depressão: tempo lento, fluxo íntegro
    • Mania: tempo rápido, fluxo íntegro
    • TOC: tempo "perdido", sem delírio
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Atribui a alteração à depressão grave, com lentificação e compressão temporal. Na depressão, o tempo é vivido como lento e arrastado, mas o fluxo permanece contínuo — não há fragmentação nem sensação de controle externo. O enunciado descreve desarticulação do fluxo, não lentificação. A compressão temporal subjetiva da depressão é qualitativamente diferente da fragmentação esquizofrênica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve com precisão o mecanismo: desarticulação e quebra do aspecto natural pré-reflexivo da vivência temporal, com fragmentação da percepção do fluir e vivências anormais relacionadas a delírios. É exatamente o que o enunciado relata: tempo "encolhido", "não passa", fragmentação completa e controle externo. A alternativa espelha os termos-chave do quadro clínico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Vincula a alteração ao transtorno obsessivo-compulsivo, com bloqueio ritualístico. No TOC, o tempo pode ser percebido como "perdido" em rituais, mas não há fragmentação do fluxo nem delírios de controle externo — o paciente reconhece a irracionalidade dos rituais. A vivência descrita é psicótica, não obsessiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Descreve aceleração extrema do tempo, típica de mania. Na mania, o tempo parece passar rápido demais, mas o fluxo permanece contínuo e não há fragmentação nem controle externo. O enunciado fala em tempo "encolhido" e "não passa", com desarticulação — o oposto da aceleração maníaca.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Atribui a alteração a uma perturbação de cenestesia e percepção de movimento corporal. A cenestesia refere-se à percepção do próprio corpo, e sua alteração pode influenciar a vivência temporal, mas secundariamente e de forma independente — não explica a fragmentação e o controle externo descritos, que são fenômenos psicóticos primários. A alternativa inverte a relação: a alteração temporal aqui é primária, não consequência de alteração corporal.

Gabarito: letra B — a desarticulação do fluxo temporal pré-reflexivo com fragmentação e delírios é o mecanismo central da vivência temporal na esquizofrenia.

Link permanente: /questoes/qg413595