Questão de Medicina — Pneumologia — Avança SP 2025
Medicina›Pneumologia
Código
qg413615
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Criança de 7 anos com sibilância e dispneia aos esforços há 24 h, sem febre, saturação 96% em ar ambiente, bom estado geral e sem sinais de exaustão. Estabelecer a medida farmacológica inicial na sala de atendimento:
AIniciar brometo de ipratrópio isolado como primeira medida.
BAdministrar β2 de curta duração 4–10 puffs a cada 20 min e reavaliar resposta.
CPrescrever corticoide oral isolado em dose plena e dispensar broncodilatador.
DOfertar oxigênio suplementar de rotina com saturação ≥ 93%.
ESolicitar radiografia de tórax antes de qualquer intervenção farmacológica.
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GabaritoB — Administrar β2 de curta duração 4–10 puffs a cada 20 min e reavaliar resposta.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crise de asma em criança: manejo inicial na sala de atendimento
Gabarito: letra B. Em criança de 7 anos com sibilância e dispneia aos esforços, sem sinais de gravidade (saturação 96%, bom estado geral, sem exaustão), a medida farmacológica inicial é a administração de β2-agonista de curta duração (SABA) inalatório em doses repetidas (4–10 puffs a cada 20 min), com reavaliação da resposta — conduta alinhada às diretrizes de manejo de asma aguda (GINA e diretrizes brasileiras). O broncodilatador é a primeira linha; as demais alternativas ou são coadjuvantes, ou estão indicadas em contextos específicos, ou são francamente incorretas.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiper-responsividade brônquica e obstrução ao fluxo aéreo, geralmente reversível. Na crise aguda, há broncoespasmo, edema de mucosa e hipersecreção — e o objetivo imediato do tratamento é aliviar o broncoespasmo rapidamente. É por isso que o β2-agonista de curta duração (salbutamol, fenoterol) é a pedra angular do manejo agudo: ele age diretamente no músculo liso brônquico, promovendo broncodilatação em minutos. A via inalatória é preferida por ter início de ação mais rápido e menos efeitos sistêmicos que a via oral ou parenteral.
Na prática, para uma crise leve a moderada em criança, a conduta inicial é: SABA inalatório 4–10 jatos a cada 20 minutos na primeira hora, com reavaliação clínica após cada ciclo. Se a resposta for boa, mantém-se o SABA em intervalos maiores; se for insatisfatória, intensifica-se o tratamento e considera-se a associação de outras drogas. O material de apoio confirma essa abordagem ao descrever o manejo da crise em crianças: "iniciar a administração repetida de β2 inalatório de ação curta (2-6 jatos a cada 20 minutos na 1ª hora)" — e, em crianças maiores, a dose pode ser maior (4–10 jatos).
A reavaliação é parte essencial do manejo: a resposta ao broncodilatador define os próximos passos. Se a criança melhora, pode ser liberada com orientações e corticoide oral se necessário; se não melhora, repete-se o SABA e considera-se corticoide sistêmico, oxigênio e até internação. O enunciado descreve uma criança estável (saturação 96%, bom estado geral), o que reforça que a conduta inicial é o broncodilatador inalatório, sem necessidade de oxigênio suplementar de rotina (indicado apenas se SpO2 < 92–94%) nem de radiografia de tórax de rotina.
A pegadinha desta questão está em confundir a medida inicial com medidas coadjuvantes ou de segunda linha. O corticoide oral, por exemplo, é importante na crise moderada a grave, mas não é a primeira medida — ele age na inflamação, com efeito em horas, e não alivia o broncoespasmo imediato. O brometo de ipratrópio é um broncodilatador anticolinérgico, mas não é usado isoladamente como primeira linha; ele é associado ao SABA em crises moderadas a graves. O oxigênio é reservado para hipoxemia (SpO2 < 92–94%), e a radiografia de tórax não é recomendada de rotina na crise de asma — apenas se houver suspeita de complicações (pneumotórax, pneumonia, atelectasia) ou falha de resposta ao tratamento.
Guarde a hierarquia do manejo da crise asmática: 1º broncodilatador inalatório (SABA) → 2º reavaliação → 3º corticoide sistêmico se não resolver → 4º oxigênio se hipoxemia → 5º exames complementares se indicados. É exatamente essa ordem que as alternativas tentam inverter.
1SABA inalatório (4–10 puffs/20 min)
2Reavaliação da resposta
3Corticoide sistêmico se não resolver
4Oxigênio se SpO2 < 92–94%
5Exames complementares se indicados
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O brometo de ipratrópio é um broncodilatador anticolinérgico, mas não é usado isoladamente como primeira medida na crise de asma. Ele é um adjuvante que pode ser associado ao SABA em crises moderadas a graves, potencializando a broncodilatação, mas não substitui o β2-agonista de curta duração como droga de primeira linha. O erro está em colocar o ipratrópio como medida inicial isolada, quando o correto é o SABA.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta: administrar β2-agonista de curta duração (SABA) inalatório em doses repetidas (4–10 puffs a cada 20 min) e reavaliar a resposta. O SABA (salbutamol, fenoterol) é o broncodilatador de escolha na crise aguda, com início de ação rápido (minutos) e poucos efeitos sistêmicos quando usado por via inalatória. A reavaliação após cada ciclo é fundamental para decidir os próximos passos — se a resposta for boa, espaça-se o SABA; se for insatisfatória, intensifica-se o tratamento. O material de apoio confirma: "iniciar a administração repetida de β2 inalatório de ação curta (2-6 jatos a cada 20 minutos na 1ª hora)" — e, em crianças maiores, a dose pode ser maior (4–10 jatos).
Alternativa C — ❌ Incorreta
O corticoide oral é importante na crise moderada a grave, mas não é a primeira medida e não substitui o broncodilatador. Ele age na inflamação, com efeito em horas, e não alivia o broncoespasmo imediato. A conduta correta é iniciar com SABA inalatório e, se a resposta for insatisfatória ou a crise for mais grave, associar corticoide oral (prednisona 1–2 mg/kg/dia em crianças, até 40 mg/dia, por 3–5 dias). Dispensar o broncodilatador é um erro grave, pois o paciente fica sem alívio sintomático imediato.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Oxigênio suplementar não é indicado de rotina na crise de asma. Ele é reservado para pacientes com hipoxemia, ou seja, saturação de oxigênio < 92–94%. No caso do enunciado, a criança está com saturação de 96% em ar ambiente, o que não indica necessidade de oxigênio. A conduta correta é manter a criança em ar ambiente e iniciar o broncodilatador inalatório. O oxigênio seria indicado se houvesse queda da saturação ou sinais de desconforto respiratório importante.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A radiografia de tórax não é recomendada de rotina na crise de asma. Ela é indicada apenas em situações específicas: suspeita de complicações (pneumotórax, pneumonia, atelectasia), falha de resposta ao tratamento inicial, ou quando o diagnóstico é incerto. No caso do enunciado, a criança tem quadro típico de crise de asma (sibilância, dispneia, sem febre), e a conduta inicial deve ser farmacológica (broncodilatador), não diagnóstica. Solicitar radiografia antes de qualquer intervenção atrasa o tratamento e não é a conduta recomendada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir a medida inicial com medidas coadjuvantes ou de segunda linha. O corticoide oral (C) é importante, mas não é a primeira medida; o ipratrópio (A) é adjuvante, não isolado; o oxigênio (D) é para hipoxemia, não para saturação 96%; e a radiografia (E) não é de rotina. A chave é lembrar que o broncodilatador inalatório de curta duração é sempre o primeiro passo na crise de asma.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de manejo de asma aguda, memorize a sequência: SABA inalatório → reavaliação → corticoide sistêmico se não resolver → oxigênio se SpO2 < 92–94% → exames complementares se indicados. Essa hierarquia resolve a maioria das questões sobre o tema.