Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg413616
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Um pediatra atende uma criança de 2 anos com diagnóstico de diarreia aguda aquosa, classificada como Plano A. Além da terapia de reidratação oral e manutenção da dieta, o médico avalia o uso de terapias coadjuvantes. Determine a conduta correta em relação ao uso de antieméticos e probióticos:
AOs antieméticos, como a Ondansetrona, não são recomendados pela OMS, mas a ESPGHAN considera seu uso para reduzir a frequência de vômitos.
BA OMS e o Ministério da Saúde (MS) do Brasil recomendam formalmente o uso de probióticos, como o Lactobacillus GG, para reduzir as perdas diarreicas.
CA Loperamida é contraindicada, mas a Racecadotrila pode ser usada em menores de 3 meses para diminuir a motilidade intestinal.
DO uso de antibióticos está indicado em todos os casos de diarreia aquosa para diminuir a duração do quadro, assim como os probióticos.
EA ESPGHAN e a diretriz IberoLatinoamericana não recomendam probióticos, pois não há demonstração de que eles diminuam as perdas diarreicas.
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GabaritoA — Os antieméticos, como a Ondansetrona, não são recomendados pela OMS, mas a ESPGHAN considera seu uso para reduzir a frequência de vômitos.
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Diarreia aguda na infância: antieméticos, probióticos e terapias coadjuvantes
Gabarito: letra A. A Ondansetrona não é recomendada de rotina pela OMS no manejo da diarreia aguda, mas a ESPGHAN (Sociedade Europeia de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica) considera seu uso para reduzir a frequência de vômitos, especialmente quando há risco de falha na reidratação oral. As demais alternativas distorcem as recomendações atuais sobre probióticos, loperamida, racecadotrila e antibióticos.
A diarreia aguda aquosa é definida pela diminuição da consistência das fezes, com evacuações amolecidas ou líquidas e/ou aumento da frequência para 3 ou mais evacuações em 24 horas, com duração inferior a 14 dias. No caso apresentado, a criança foi classificada como Plano A, ou seja, sem sinais de desidratação, o que permite o tratamento domiciliar com terapia de reidratação oral (SRO), manutenção da dieta e orientações sobre sinais de alarme. O manejo correto envolve evitar intervenções desnecessárias, como o uso indiscriminado de antibióticos, e avaliar criticamente o papel de terapias coadjuvantes.
O tratamento da diarreia aguda se fundamenta na prevenção e correção da desidratação. A SRO é a terapia de primeira linha, e a alimentação deve ser mantida, incluindo o leite materno. Os vômitos costumam cessar após 2 a 3 horas do início da reidratação. O uso de antieméticos, em geral, não está indicado, mas a ondansetrona é a preferida quando há indicação, como em casos de vômitos persistentes que dificultam a reidratação oral. A ESPGHAN reconhece seu benefício na redução da frequência de vômitos, embora a OMS não a recomende de rotina.
Quanto aos probióticos, há evidências de que cepas como o Lactobacillus GG e Saccharomyces boulardii podem reduzir a duração e a intensidade da diarreia, mas a recomendação não é formal e universal. A OMS e o Ministério da Saúde do Brasil não recomendam formalmente seu uso em todos os casos; a ESPGHAN e a diretriz IberoLatinoamericana reconhecem benefício potencial, mas com nível de evidência moderado e indicação seletiva. A loperamida é contraindicada em crianças, especialmente nas menores de 2 anos, por risco de íleo paralítico e depressão do sistema nervoso central. A racecadotrila é um agente antissecretor, não um antimotilidade, e seu uso não é recomendado em menores de 3 meses. Os antibióticos são indicados apenas em casos específicos, como disenteria (diarreia com sangue) com comprometimento do estado geral, cólera com desidratação grave, ou em situações de risco, e nunca de rotina na diarreia aquosa.
A pegadinha central desta questão está na distinção entre o que é recomendação formal e o que é consideração de uso, e na troca de mecanismos de ação dos fármacos. A banca explora a confusão entre antissecretor (racecadotrila) e antimotilidade (loperamida), e entre recomendação formal (OMS/MS) e reconhecimento de benefício (ESPGHAN). Guarde essas fronteiras: elas separam as alternativas corretas das incorretas.
Terapia
OMS
ESPGHAN
Mecanismo de ação
Indicação/Contraindicação
Antieméticos (Ondansetrona)
Não recomenda de rotina
Considera uso para reduzir vômitos
Antagonista 5-HT3 (antiemético)
Casos de vômitos persistentes que dificultam a reidratação oral
Contraindicada em < 2 anos (risco de íleo paralítico e depressão do SNC)
Racecadotrila
Não recomendada em < 3 meses
Uso seletivo
Antissecretor (não antimotilidade)
Não recomendada em < 3 meses
Antibióticos
Apenas em casos específicos
Apenas em casos específicos
Bactericida/bacteriostático
Disenteria, cólera grave, imunossuprimidos; nunca de rotina
Terapias coadjuvantes na diarreia aguda: Antieméticos (OMS: não recomenda de rotina, ESPGHAN: considera ondansetrona); Probióticos (OMS/MS: sem recomendação formal, ESPGHAN: benefício potencial); Loperamida (Contraindicada em crianças); Racecadotrila (Antissecretor (não antimotilidade), Evitar em menores de 3 meses); Antibióticos (Só em disenteria/casos específicos)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que a OMS não recomenda antieméticos de rotina, mas a ESPGHAN considera o uso de ondansetrona para reduzir a frequência de vômitos. O material de apoio confirma que "o uso de medicamento antiemético para o controle dos vômitos, em geral, não está indicado" e que, "quando houver indicação para medicamento antiemético, deve-se dar preferência à ondansetrona". A ESPGHAN reconhece seu benefício em casos selecionados, especialmente quando os vômitos comprometem a reidratação oral.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que a OMS e o Ministério da Saúde recomendam formalmente o uso de probióticos. Embora haja evidências de benefício de cepas como Lactobacillus GG na redução das perdas diarreicas, a recomendação não é formal e universal. A OMS e o MS não incluem probióticos como parte obrigatória do manejo da diarreia aguda; eles são considerados uma terapia coadjuvante opcional, com recomendação condicional em algumas diretrizes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa contém dois erros. Primeiro, a loperamida é contraindicada em crianças, mas a racecadotrila não é um antimotilidade; é um agente antissecretor, que age reduzindo a secreção intestinal de água e eletrólitos. Segundo, a racecadotrila não é recomendada em menores de 3 meses, e a loperamida é contraindicada em menores de 2 anos. A alternativa troca o mecanismo de ação e a faixa etária de contraindicação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que antibióticos estão indicados em todos os casos de diarreia aquosa. Antibióticos são reservados para casos específicos, como disenteria com comprometimento do estado geral, cólera com desidratação grave, ou situações de risco (imunossuprimidos, menores de 3 meses com alta probabilidade de etiologia bacteriana). Na diarreia aquosa sem sinais de gravidade, o uso de antibióticos não é recomendado, pois a maioria dos casos é viral. A alternativa generaliza indevidamente a indicação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que a ESPGHAN e a diretriz IberoLatinoamericana não recomendam probióticos. Na verdade, essas diretrizes reconhecem benefício potencial de probióticos, como Lactobacillus GG e Saccharomyces boulardii, na redução da duração e intensidade da diarreia, embora com recomendação condicional e nível de evidência moderado. A afirmação de que "não há demonstração de que diminuam as perdas diarreicas" é falsa, pois há estudos demonstrando redução, ainda que modesta.
A regra de ouro para a prova: na diarreia aguda, o pilar é a reidratação oral e a manutenção da dieta. Antieméticos (ondansetrona) são exceção, não regra; probióticos são coadjuvantes opcionais, não recomendação formal; loperamida é contraindicada em crianças; racecadotrila é antissecretor, não antimotilidade; e antibióticos são reservados para disenteria e casos específicos.