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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg413622
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
RN a termo, 48 h de vida, em aleitamento materno exclusivo, bom estado geral, sem colúria ou acolia. Exame físico com icterícia até tronco. Bilirrubina total 11,8 mg/dL, direta 0,4 mg/dL. Indique o mecanismo fisiopatológico predominante para o quadro descrito:
  1. AAumentar hemólise por defeito intrínseco eritrocitário hereditário.
  2. BReduzir conjugação hepática por deficiência enzimática severa de UGT1A1.
  3. CAumentar circulação entero-hepática por desconjugação intestinal e reabsorção de bilirrubina.
  4. DObstruir fluxo biliar por colestase neonatal extra-hepática.
  5. EInduzir icterícia por hipotireoidismo congênito como causa principal.
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GabaritoC — Aumentar circulação entero-hepática por desconjugação intestinal e reabsorção de bilirrubina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Icterícia neonatal: mecanismo fisiopatológico predominante

Gabarito: letra C. O quadro descrito — RN a termo, 48 h de vida, em aleitamento materno exclusivo, bom estado geral, sem colúria ou acolia, icterícia até tronco, bilirrubina total 11,8 mg/dL com direta 0,4 mg/dL — é a icterícia fisiológica do recém-nascido, cujo mecanismo predominante é o aumento da circulação entero-hepática por desconjugação intestinal e reabsorção de bilirrubina, associado à imaturidade da conjugação hepática. A bilirrubina direta baixa (0,4 mg/dL) afasta colestase, e o bom estado geral com início após 24 h de vida afasta hemólise grave ou doença hemolítica.

A icterícia neonatal é a expressão clínica da hiperbilirrubinemia, condição frequente no período neonatal e principal causa de reinternação de RN a termo saudável. Cerca de 98% dos recém-nascidos apresentam níveis de bilirrubina > 1 mg/dL na primeira semana de vida, como consequência da adaptação ao metabolismo da bilirrubina. A fisiopatologia da icterícia fisiológica é multifatorial, mas o mecanismo predominante é a imaturidade hepática — especificamente a atividade deficiente da glicuroniltransferase (UGT1A1), que reduz a conjugação da bilirrubina indireta — associada ao aumento da circulação entero-hepática: no intestino do RN, a beta-glicuronidase desconjuga a bilirrubina direta excretada na bile, e essa bilirrubina indireta é reabsorvida pela circulação entero-hepática, voltando ao fígado e sobrecarregando um sistema já imaturo. Esse ciclo é intensificado pela baixa ingestão calórica e pela menor motilidade intestinal, comuns nos primeiros dias de vida, especialmente em aleitamento materno exclusivo.

A distinção crucial para a questão é a fração de bilirrubina predominante. A bilirrubina total de 11,8 mg/dL com direta de apenas 0,4 mg/dL indica hiperbilirrubinemia indireta (não conjugada). Isso direciona o raciocínio para causas de aumento da bilirrubina não conjugada: aumento da produção (hemólise), diminuição da captação ou da conjugação hepática, ou aumento da circulação entero-hepática. A ausência de colúria e acolia, somada ao bom estado geral e à idade de 48 h, é compatível com icterícia fisiológica. A presença de icterícia nas primeiras 24 horas de vida ou valores de bilirrubina total > 12 mg/dL, independentemente da idade pós-natal, são sinais de alerta que merecem investigação imediata — neste caso, o valor de 11,8 mg/dL está abaixo desse limiar, reforçando o caráter fisiológico.

A banca explora a confusão entre os mecanismos das icterícias pré-hepáticas, hepáticas e pós-hepáticas. Na icterícia fisiológica, há um componente de conjugação deficiente (hepática) e um componente de circulação entero-hepática aumentada (pós-hepática funcional). A alternativa C captura o mecanismo predominante na fisiopatologia clássica: a desconjugação intestinal pela beta-glicuronidase e a reabsorção da bilirrubina indireta, que amplifica a hiperbilirrubinemia indireta. As demais alternativas descrevem mecanismos de outras etiologias: hemólise por defeito intrínseco (esferocitose, deficiência de G6PD), deficiência severa de UGT1A1 (Crigler-Najjar), colestase extra-hepática (atresia biliar) e hipotireoidismo congênito — todos com apresentações clínicas e laboratoriais distintas.

Guarde a fronteira entre as frações de bilirrubina e os mecanismos associados: bilirrubina indireta elevada → hemólise, captação/conjugação deficiente ou circulação entero-hepática aumentada; bilirrubina direta elevada → doença hepática ou obstrução biliar. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Icterícia neonatal
  • 1Hiperbilirrubinemia indireta
    • Hemólise (pré-hepática)
    • Conjugação deficiente (hepática)
    • Circulação entero-hepática aumentada
      • pós-hepática funcional
  • 2Hiperbilirrubinemia direta
    • Doença hepática
    • Obstrução biliar (colestase)
  • 3Icterícia fisiológica
    • Mecanismo predominante
      • Circulação entero-hepática aumentada
        • Beta-glicuronidase desconjuga no intestino
        • Reabsorção da bilirrubina indireta
    • Fatores associados
      • Imaturidade da UGT1A1
      • Baixa ingestão calórica
      • Menor motilidade intestinal
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Descreve hemólise por defeito intrínseco eritrocitário hereditário (ex.: esferocitose hereditária, deficiência de G6PD). Neste caso, não há evidência de hemólise: o RN está em bom estado geral, sem anemia, sem hepatoesplenomegalia, e a icterícia iniciou após 24 h de vida (a icterícia hemolítica costuma aparecer nas primeiras 24 horas). Além disso, a hemólise por defeito intrínseco é uma causa pré-hepática de hiperbilirrubinemia indireta, mas não é o mecanismo predominante na icterícia fisiológica do RN a termo saudável.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Menciona redução da conjugação hepática por deficiência enzimática severa de UGT1A1. Essa é a base da Síndrome de Crigler-Najjar, condição rara e grave, com níveis de bilirrubina não conjugada que podem ultrapassar 20 mg/dL e risco elevado de kernicterus. No caso descrito, a bilirrubina de 11,8 mg/dL com bom estado geral e evolução benigna não é compatível com deficiência severa. A imaturidade da UGT1A1 faz parte da icterícia fisiológica, mas o mecanismo predominante apontado pela literatura é a circulação entero-hepática aumentada, não uma deficiência enzimática severa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O mecanismo fisiopatológico predominante na icterícia fisiológica do RN é o aumento da circulação entero-hepática: a beta-glicuronidase intestinal desconjuga a bilirrubina direta excretada na bile, e a bilirrubina indireta resultante é reabsorvida pela mucosa intestinal, retornando ao fígado pela circulação porta. Esse ciclo, somado à imaturidade da conjugação hepática e à baixa ingestão calórica, eleva a bilirrubina indireta. O quadro clínico — RN a termo, 48 h, aleitamento materno exclusivo, icterícia até tronco, BT 11,8 mg/dL com BD 0,4 mg/dL — é o exemplo clássico dessa fisiopatologia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Descreve obstrução do fluxo biliar por colestase neonatal extra-hepática, típica da atresia biliar. Essa condição cursa com hiperbilirrubinemia direta (conjugada), colúria, acolia fecal e hepatomegalia — todos ausentes no caso. A bilirrubina direta de 0,4 mg/dL (bem abaixo de 1,0 mg/dL ou 20% da BT) afasta colestase. A atresia biliar é uma emergência cirúrgica que exige diagnóstico precoce, mas não se aplica a este quadro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Cita o hipotireoidismo congênito como causa principal. Embora o hipotireoidismo possa causar icterícia prolongada por redução da conjugação hepática, ele não é a causa principal da icterícia fisiológica do RN. O hipotireoidismo congênito cursa com outros sinais (letargia, hipotonia, constipação, choro rouco, fontanelas amplas) e é diagnosticado pelo teste do pezinho. No caso descrito, não há elementos para suspeitar dessa condição, e o mecanismo predominante permanece a circulação entero-hepática aumentada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os mecanismos das icterícias: a alternativa B descreve a deficiência severa de UGT1A1 (Crigler-Najjar) como se fosse o mecanismo da icterícia fisiológica, e a alternativa D descreve a colestase extra-hepática (atresia biliar) como se fosse compatível com bilirrubina direta baixa. O candidato que não separa as frações de bilirrubina cai na armadilha. Lembre-se: indireta elevada → hemólise, conjugação deficiente ou circulação entero-hepática; direta elevada → colestase ou doença hepática. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de icterícia neonatal, monte o raciocínio em três passos: (1) verifique a fração predominante (indireta vs. direta); (2) correlacione com a idade de início (antes de 24 h sugere hemólise; após 24 h, fisiológica ou outras causas); (3) avalie sinais de alerta (BT > 12 mg/dL, colúria, acolia, hepatoesplenomegalia, mau estado geral). Essa sequência resolve a maioria das questões do tema.

Gabarito: letra C

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