Hemorragia pós-parto: suturas compressivas uterinas
Gabarito: letra E (Sutura de B-Lynch). A figura descreve uma sutura compressiva que pressiona mecanicamente o útero para controlar a hemorragia pós-parto grave por atonia uterina, preservando o útero e a fertilidade — exatamente o princípio da técnica de B-Lynch, descrita em 1997 por Christopher B-Lynch. As demais alternativas (Cho, Hayman, ligaduras arteriais) são também opções no manejo cirúrgico da HPP, mas não correspondem à descrição apresentada. A hemorragia pós-parto (HPP) é a principal causa de mortalidade materna no mundo, definida como perda sanguínea superior a 500 mL no parto vaginal ou 1000 mL na cesárea, podendo ocorrer nas primeiras 24 horas ou até seis semanas após o parto. A etiologia é classicamente resumida pela regra dos 4Ts: Tônus (atonia uterina — responsável por cerca de 70-80% dos casos), Tecido (retenção de restos placentários), Trauma (lacerações do canal de parto) e Trombina (distúrbios de coagulação). O manejo inicial envolve medidas de suporte (acesso venoso, reposição volêmica, ocitocina) e, quando a atonia não responde ao tratamento farmacológico, parte-se para as medidas cirúrgicas conservadoras. Entre as técnicas cirúrgicas conservadoras para atonia uterina, destacam-se as suturas compressivas, que promovem a aposição das paredes uterinas, reduzindo o fluxo sanguíneo miometrial e estimulando a contração. A sutura de B-Lynch é a mais clássica: consiste em uma sutura que envolve o fundo uterino, descendo pelas faces anterior e posterior, "abraçando" o útero e comprimindo-o. A sutura de Cho (ou múltiplas suturas quadradas) aplica pontos compressivos em áreas específicas do útero. A sutura de Hayman é uma variação simplificada, com suturas verticais que comprimem o corpo uterino sem envolver o fundo. Já as ligaduras arteriais (uterinas ou hipogástricas) são procedimentos que interrompem o fluxo sanguíneo arterial, não sendo classificadas como suturas compressivas. A descrição do enunciado — "sutura compressiva para pressionar mecanicamente o útero, ajudando-o a contrair e cessar o sangramento sem a necessidade de cirurgia pélvica maior" — é a definição canônica da sutura de B-Lynch, que é a técnica mais difundida e a que melhor se encaixa na descrição de "abraçar" o útero. A pegadinha desta questão está em distinguir as suturas compressivas entre si e das ligaduras arteriais. O candidato que confunde B-Lynch com Cho ou Hayman erra por não conhecer a descrição clássica de cada técnica. A sutura de B-Lynch é a mais antiga e a mais conhecida, sendo frequentemente a primeira opção cirúrgica conservadora descrita nos manuais. As ligaduras arteriais, por sua vez, são procedimentos mais invasivos, que exigem maior habilidade cirúrgica e não são descritas como "suturas compressivas". Guarde a distinção fundamental: suturas compressivas (B-Lynch, Cho, Hayman) agem por compressão mecânica direta do miométrio, enquanto ligaduras arteriais (uterinas, hipogástricas) agem por interrupção do fluxo sanguíneo. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A sutura de Cho é uma técnica de suturas compressivas múltiplas, em formato de quadrados ou retângulos, aplicadas em pontos específicos do útero onde há sangramento. Não é descrita como uma sutura que "abraça" o útero de forma global, como a de B-Lynch. A descrição do enunciado, de uma sutura que pressiona mecanicamente o útero como um todo, não corresponde à técnica de Cho, que é mais localizada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A sutura de Hayman é uma variação simplificada da sutura de B-Lynch, com suturas verticais que comprimem o corpo uterino, mas sem envolver o fundo uterino de forma tão abrangente. Embora seja uma sutura compressiva, a descrição clássica da técnica de B-Lynch é a que melhor se encaixa no enunciado, que fala em "pressionar mecanicamente o útero" de forma global. A Hayman é uma modificação posterior, menos descrita nos manuais como a técnica de primeira escolha.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ligadura de artérias uterinas é um procedimento cirúrgico que interrompe o fluxo sanguíneo arterial para o útero, ligando as artérias uterinas bilateralmente. Não é uma sutura compressiva, mas sim uma ligadura vascular. O enunciado descreve explicitamente uma "sutura compressiva", o que exclui qualquer tipo de ligadura arterial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ligadura de artérias hipogástricas (ou ilíacas internas) é um procedimento mais complexo, que interrompe o fluxo sanguíneo pélvico, reduzindo a pressão de perfusão uterina. É uma técnica de maior morbidade, reservada para casos refratários, e não é descrita como uma sutura compressiva. O enunciado fala em "sutura compressiva", o que exclui esta alternativa.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A sutura de B-Lynch é a técnica cirúrgica conservadora mais clássica para o tratamento da hemorragia pós-parto por atonia uterina. Consiste em uma sutura que envolve o fundo uterino, descendo pelas faces anterior e posterior, criando uma compressão mecânica global do útero, o que ajuda a cessar o sangramento e preserva o útero e a fertilidade. A descrição do enunciado — "sutura compressiva para pressionar mecanicamente o útero" — é a definição exata dessa técnica. Gabarito: letra E