Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Avança SP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg413633
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Mulher de 27 anos, primigesta nulípara procurou a maternidade com gravidez de 39 semanas e bolsa rota há 3 horas. Sinais vitais sem alterações. Ao exame físico apresentava altura uterina de 35 cm, feto único, batimentos cardíacos fetais de 148/min, colo dilatado para 2,0 cm, 50% esvaecido, apresentação cefálica no plano 0 de De Lee, escoamento espontâneo de líquido amniótico claro com grumos grossos pela vagina. Optou-se por indução de parto que teve sucesso, com parto normal, recém-nascido do sexo feminino, peso 3120 g, Apgar 8 e 10 respectivamente no primeiro e no quinto minutos, dequitação espontânea. Teve alta após 3 dias, sem queixas. No sétimo dia de pós-parto apresentou sangramento vaginal importante e retornou ao hospital. Estava com mucosas descoradas, PA de 90X60 mmHg, pulso 100 bpm, útero 3,0 cm abaixo da cicatriz umbilical, colo dilatado para 3,0 cm, sangramento vaginal ativo em moderada quantidade. Qual o mais provável diagnóstico e qual a melhor conduta?
AHipotonia uterina, administrar ocitocina venosa associado à misoprostol via retal.
BLaceração do canal de parto, realizar revisão sob analgesia e sutura.
CRestos placentários, proceder com curetagem.
DEndomiometrite puerperal, iniciar antibioticoterapia de amplo espectro.
GabaritoC — Restos placentários, proceder com curetagem.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hemorragia pós-parto tardia: restos placentários
Gabarito: letra C. O quadro é de hemorragia pós-parto tardia (entre 24 horas e 12 semanas) por restos placentários, e a conduta de escolha é a curetagem uterina. O diagnóstico se sustenta no sangramento vaginal importante no 7º dia de pós-parto, com útero aumentado (3 cm abaixo da cicatriz umbilical), colo dilatado (3 cm) e sinais de choque hipovolêmico (PA 90x60 mmHg, pulso 100 bpm, mucosas descoradas) — o conjunto aponta para retenção de tecido placentário, e não para as demais hipóteses.
A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais causas de morbimortalidade materna no mundo. Ela se divide em precoce (ou primária), que ocorre nas primeiras 24 horas após o parto, e tardia (ou secundária), que ocorre entre 24 horas e 12 semanas. As causas são tradicionalmente resumidas pelos "4 Ts": Tônus (hipotonia/atonia uterina), Trauma (lacerações, rotura uterina, inversão), Tecido (restos placentários, membranas) e Trombina (coagulopatias). No pós-parto tardio, a causa mais frequente é a retenção de restos placentários, que impede a contração adequada do útero e leva ao sangramento.
No caso apresentado, a paciente teve parto normal com dequitação espontânea e recebeu alta sem queixas. No 7º dia, apresentou sangramento vaginal importante. O exame físico revela útero 3 cm abaixo da cicatriz umbilical (volume aumentado para o período), colo dilatado a 3 cm e sangramento ativo. Esses achados são clássicos de restos placentários: o útero não involui adequadamente porque o tecido retido mantém a cavidade uterina ocupada e impede a contração efetiva. A dilatação cervical também é um sinal importante — o colo permanece pérvio, permitindo a passagem do sangue e, eventualmente, do tecido.
A conduta diante de restos placentários é a curetagem uterina (aspirativa ou com cureta de Heaney), preferencialmente guiada por ultrassonografia, para remover o tecido retido. Antes do procedimento, é fundamental a estabilização hemodinâmica da paciente, com acesso venoso calibroso, reposição volêmica e, se necessário, transfusão sanguínea. A ocitocina venosa pode ser utilizada como adjuvante para auxiliar na contratilidade uterina, mas não é o tratamento definitivo — a remoção do tecido é essencial. O misoprostol via retal também é um uterotônico, mas não resolve a causa mecânica.
A distinção entre as causas de HPP tardia é o ponto central da questão. A hipotonia uterina (alternativa A) é causa de HPP precoce, geralmente nas primeiras horas após o parto, e o útero se apresenta amolecido e com fundo acima do esperado. A laceração do canal de parto (alternativa B) também é causa de HPP precoce, com sangramento contínuo mesmo com útero contraído, e o diagnóstico é feito pela revisão do canal de parto. A endomiometrite puerperal (alternativa D) cursa com febre, dor abdominal, loquiação fétida e útero amolecido e doloroso — a paciente não apresenta febre nem dor. A alternativa E erra ao associar restos placentários com ocitocina venosa como conduta principal, quando o correto é a curetagem.
A pegadinha da banca está em confundir o momento do sangramento: a hipotonia e a laceração são causas de HPP precoce, enquanto os restos placentários são a principal causa de HPP tardia. O colo dilatado e o útero aumentado no 7º dia são a chave para o diagnóstico de restos placentários.
Hemorragia pós-parto (HPP)
1Precoce (até 24h)
Tônus (atonia/hipotonia)
Trauma (laceração, rotura)
Trombina (coagulopatia)
2Tardia (24h a 12 semanas)
Tecido (restos placentários)
Útero aumentado
Colo dilatado
Conduta: curetagem
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A hipotonia uterina (atonia) é a principal causa de HPP precoce (nas primeiras 24 horas), não tardia. No caso, o sangramento ocorreu no 7º dia, e o útero, embora aumentado, não está descrito como amolecido ou com fundo acima do esperado — o que se observa é um útero com volume aumentado e colo dilatado, compatível com conteúdo retido. Além disso, a conduta proposta (ocitocina + misoprostol) trata a atonia, mas não remove o tecido retido, que é a causa do sangramento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A laceração do canal de parto é causa de HPP precoce, com sangramento contínuo e útero bem contraído. No pós-parto tardio, a laceração já estaria cicatrizada ou, se fosse a causa, o sangramento teria início imediato. O exame físico não sugere laceração: o útero está aumentado e o colo dilatado, o que aponta para conteúdo intrauterino. A revisão sob analgesia e sutura seria a conduta para laceração, não para restos placentários.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diagnóstico de restos placentários é o mais provável: sangramento no 7º dia de pós-parto, útero aumentado (3 cm abaixo da cicatriz umbilical), colo dilatado (3 cm) e sinais de choque hipovolêmico. A retenção de tecido placentário impede a involução uterina e mantém o sangramento. A conduta de escolha é a curetagem uterina para remoção do tecido retido, após estabilização hemodinâmica. A ocitocina pode ser adjuvante, mas não substitui a curetagem.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A endomiometrite puerperal é uma infecção do endométrio e do miométrio, que cursa com febre (geralmente > 38°C), dor abdominal, loquiação fétida e útero amolecido e doloroso. A paciente não apresenta febre, dor ou loquiação fétida — os sinais são de sangramento e choque hipovolêmico, não de infecção. A antibioticoterapia de amplo espectro seria a conduta para endomiometrite, não para restos placentários.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa acerta o diagnóstico (restos placentários), mas erra a conduta. A administração de ocitocina venosa é um uterotônico que pode auxiliar na contratilidade, mas não remove o tecido retido — a curetagem é o tratamento definitivo. A conduta correta é a curetagem uterina, com ocitocina apenas como adjuvante, se necessário.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre HPP precoce e tardia. A hipotonia (A) e a laceração (B) são causas de HPP precoce (primeiras 24h), enquanto os restos placentários são a principal causa de HPP tardia (24h a 12 semanas). O colo dilatado e o útero aumentado no 7º dia são a chave para o diagnóstico de restos placentários — não caia na tentação de pensar em atonia ou laceração, que são causas do período imediato.
PEGA ESSA DICA!
Para HPP, memorize os "4 Ts": Tônus (atonia), Trauma (laceração), Tecido (restos placentários) e Trombina (coagulopatia). Associe cada um ao momento do sangramento: precoce (tônus, trauma, trombina) e tardio (tecido). Na HPP tardia, a curetagem é a conduta de escolha para restos placentários.