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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Avança SP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg413634
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Paciente de 21 anos descobre gravidez após procurar PS de ginecologia referindo aumento do volume abdominal e atraso menstrual de aproximadamente 4 meses. Ciclos sempre irregulares, sem método contraceptivo, vida sexual ativa. Nega acompanhamento ginecológico nos últimos 3 anos, desde que teve um abortamento, ocorrido com 9 semanas de gestação e sem necessidade de curetagem. Ao exame apresenta abdome gravídico, compatível com 22 semanas de gravidez, BCF 144bpm. Foram solicitados exames de rotina e encaminhado a paciente para consulta de prénatal. Na consulta ela traz os exames realizados, sorologias negativas, tipagem sanguínea O Rh negativo, Coombs indireto positivo, anti-D com titulação 1:8, demais exames laboratoriais sem alterações significativas. Realiza USG morfológico que confirma gestação de aproximadamente 22 semanas, morfológico normal, cujo doppler fetal mostra aumento da velocidade do pico sistólico da artéria cerebral média (1,7 MoM), sem outras alterações. A principal hipótese diagnóstica e a conduta neste caso seria:
  1. ADeficiência da 2ª onda de migração trofoblástica, risco aumentado para hipertensão gestacional, repetir doppler em 2 semanas, controle rigoroso de PA.
  2. BIsoimunização Rh com anemia fetal, realizar cordocentese para avaliação de Hb/Ht fetal, necessidade de transfusão sanguínea fetal intrauterina conforme resultado.
  3. CRestrição de crescimento intrauterino, iniciar AAS 100mg/dia, controle rigoroso de pressão arterial.
  4. DIsoimunização Rh sem sinais de anemia fetal, repetir doppler em 2 semanas.
  5. ERisco aumentado para isoimunização Rh, aplicar imunoglobulina anti-D.
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GabaritoB — Isoimunização Rh com anemia fetal, realizar cordocentese para avaliação de Hb/Ht fetal, necessidade de transfusão sanguínea fetal intrauterina conforme resultado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Isoimunização Rh e anemia fetal: doppler da artéria cerebral média

Gabarito: letra B. A paciente é Rh negativa com Coombs indireto positivo e anti-D titulação 1:8, e o doppler mostra aumento da velocidade de pico sistólico da artéria cerebral média (1,7 MoM) — este é o marcador não invasivo de anemia fetal. A conduta é a cordocentese para avaliação de hemoglobina/hematócrito fetal e, conforme o resultado, a transfusão intrauterina. A alternativa B é a única que associa corretamente a hipótese diagnóstica (isoimunização Rh com anemia fetal) à conduta (cordocentese e possível transfusão).

A isoimunização Rh ocorre quando uma gestante Rh negativa é sensibilizada por hemácias Rh positivas (geralmente em gestação anterior ou transfusão), produzindo anticorpos anti-D. Na gestação atual, esses anticorpos IgG atravessam a placenta e podem causar hemólise fetal, levando à anemia fetal. O Coombs indireto positivo confirma a presença de anticorpos irregulares no soro materno, e a titulação de 1:8 indica um nível baixo, mas o doppler da artéria cerebral média é o exame mais sensível para detectar anemia fetal, pois a anemia leva a um aumento do fluxo sanguíneo cerebral fetal (aumento da velocidade de pico sistólico). Valores acima de 1,5 MoM são considerados preditivos de anemia fetal moderada a grave.

A conduta diante de um doppler de ACM > 1,5 MoM é a cordocentese (punção do cordão umbilical) para dosagem direta de hemoglobina e hematócrito fetal. Se a anemia for confirmada, está indicada a transfusão sanguínea intrauterina. A titulação de anti-D de 1:8, embora baixa, não exclui anemia fetal, e o doppler é o método de rastreio não invasivo que deve guiar a decisão de invasão. A alternativa D sugere repetir o doppler em 2 semanas, mas com um valor de 1,7 MoM (acima do limiar de 1,5), a conduta não é apenas repetir o exame, mas sim investigar a anemia fetal de forma invasiva.

A alternativa A menciona deficiência da 2ª onda de migração trofoblástica, que está relacionada à pré-eclâmpsia e à restrição de crescimento fetal, não à isoimunização Rh. A alternativa C sugere restrição de crescimento intrauterino e uso de AAS, que não se aplica ao caso, pois o doppler de ACM aumentado é um marcador de anemia, não de RCIU. A alternativa E sugere aplicar imunoglobulina anti-D, mas isso é uma medida profilática para gestantes Rh negativas não sensibilizadas, e esta paciente já está sensibilizada (Coombs indireto positivo), portanto a imunoglobulina não é indicada.

A pegadinha desta questão está em associar o aumento da velocidade de pico sistólico da artéria cerebral média a outras condições obstétricas, como a restrição de crescimento fetal (que cursa com alterações no doppler das artérias uterinas ou umbilicais) ou a pré-eclâmpsia. O candidato deve lembrar que o doppler de ACM é o exame de escolha para rastreio de anemia fetal na isoimunização Rh, e que valores acima de 1,5 MoM indicam necessidade de cordocentese.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A deficiência da 2ª onda de migração trofoblástica está associada à pré-eclâmpsia e à restrição de crescimento fetal, não à isoimunização Rh. O doppler de ACM aumentado é um marcador de anemia fetal, não de risco para hipertensão gestacional. A conduta de repetir o doppler em 2 semanas e controlar a PA não é a mais adequada para o caso, pois o valor de 1,7 MoM já indica necessidade de investigação invasiva.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paciente tem isoimunização Rh (Coombs indireto positivo, anti-D 1:8) e o doppler de ACM com 1,7 MoM indica anemia fetal. A conduta é a cordocentese para avaliação de Hb/Ht fetal e, se confirmada anemia, a transfusão intrauterina. Esta é a conduta padrão para anemia fetal grave por isoimunização Rh.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A restrição de crescimento intrauterino (RCIU) é diagnosticada por alterações no doppler das artérias uterinas ou umbilicais, não na artéria cerebral média. O aumento da velocidade de pico sistólico da ACM é um marcador de anemia fetal, não de RCIU. O AAS 100mg/dia é indicado para prevenção de pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco, não para anemia fetal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Embora a titulação de anti-D de 1:8 seja baixa, o doppler de ACM com 1,7 MoM (acima de 1,5 MoM) já indica anemia fetal. A conduta não é apenas repetir o doppler em 2 semanas, mas sim realizar a cordocentese para avaliação da hemoglobina fetal. A alternativa subestima a gravidade do achado doppler.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A imunoglobulina anti-D é indicada para gestantes Rh negativas não sensibilizadas (Coombs indireto negativo) como profilaxia. Esta paciente já está sensibilizada (Coombs indireto positivo), portanto a imunoglobulina não é indicada. A conduta correta é a investigação de anemia fetal com cordocentese.

Gabarito: letra B

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