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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Avança SP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg413640
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Nuligesta, 32 anos com dor pélvica cíclica limitante, associada à dispareunia de profundidade, tentando engravidar há 2 anos sem sucesso. Investigação de infertilidade do parceiro sem alterações. Relata presença de sangue nas fezes no período menstrual nos últimos 6 meses. Procurou o ginecologista que solicitou USG transvaginal com preparo intestinal para pesquisa de endometriose que mostrou sinais de endometriose profunda em compartimento posterior da pelve. Fez colonoscopia evidenciando lesão sugestiva de endometriose intestinal a 12 cm da borda anal, comprometendo ao redor de 20% da luz da alça, com extensão de 2,0 cm no maior diâmetro. Biópsia da lesão confirmou presença de células endometriais na amostra avaliada. Dosagens hormonais dentro da normalidade, sugerindo manutenção da ovulação. A melhor conduta no caso seria:
  1. ARemoção dos focos de endometriose e salpingectomia bilateral. Dessa forma conseguese melhorar resultado de fertilização “in vitro”, que deve ocorrer logo após a cirurgia.
  2. BFertilização “in vitro” (FIV) como medida isolada, pois trata-se de endometriose profunda de compartimento posterior. Nesse caso as tubas já se encontram obstruídas e a possibilidade de gestação espontânea não existe, não havendo benefício com tratamento cirúrgico.
  3. CCirurgia para tratamento da endometriose com ressecção de todos os focos da doença, além de retossigmoidectomia discoide com grampeamento circular. Bloqueio curto da menstruação com análogo do GnRH e, na sequência, tentar engravidar.
  4. DCirurgia para tratamento da endometriose com ressecção de todos os focos da doença, retossigmoidectomia segmentar com anastomose primária. Liberar a gestação logo após a cirurgia.
  5. ECirurgia para tratamento da endometriose com ressecção de todos os focos, retossigmoidectomia segmentar com ileostomia protetora e reconstrução intestinal em 6 meses. FIV após reconstrução intestinal.
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GabaritoC — Cirurgia para tratamento da endometriose com ressecção de todos os focos da doença, além de retossigmoidectomia discoide com grampeamento circular. Bloqueio curto da menstruação com análogo do GnRH e, na sequência, tentar engravidar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Endometriose profunda com comprometimento intestinal e desejo de gestação

Gabarito: letra C. A melhor conduta é a cirurgia para ressecção de todos os focos de endometriose, incluindo a retossigmoidectomia discoide com grampeamento circular, seguida de bloqueio curto da menstruação com análogo do GnRH e, na sequência, tentativa de gestação. Essa abordagem combina o tratamento cirúrgico completo da doença (incluindo o componente intestinal) com a preservação da fertilidade, priorizando a gestação espontânea após a cirurgia, em vez de indicar diretamente a fertilização in vitro.

A endometriose é uma doença ginecológica definida pela presença de tecido endometrial (glândulas e/ou estroma) fora da cavidade uterina, resultando em reação inflamatória crônica. As localizações mais comuns incluem ovários, fundo de saco posterior, ligamentos uterossacros, tubas e cólon sigmoide. A apresentação clínica varia desde formas assintomáticas até quadros graves com dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia profunda e infertilidade. No caso apresentado, a paciente tem endometriose profunda em compartimento posterior, com comprometimento intestinal (lesão a 12 cm da borda anal, comprometendo 20% da luz, com 2 cm de extensão), dor pélvica cíclica limitante, dispareunia de profundidade e infertilidade de 2 anos, com fator masculino normal.

O tratamento da endometriose depende do desejo de gestação, dos sintomas e do estágio da doença. Em pacientes que desejam engravidar, o tratamento medicamentoso isolado não está indicado, pois suprime a ovulação. A cirurgia conservadora (ressecção dos focos) é a abordagem de escolha, pois melhora a dor e pode aumentar as taxas de gestação espontânea. Quando há comprometimento intestinal, a ressecção do segmento acometido é necessária. A escolha entre ressecção discoide e segmentar depende do tamanho, número e localização das lesões. Para lesões únicas, pequenas (< 3 cm) e que comprometem menos de 30% da luz intestinal, a ressecção discoide com grampeamento circular é preferível, por ser menos invasiva e preservar maior comprimento intestinal. No caso, a lesão tem 2 cm, compromete 20% da luz e está a 12 cm da borda anal, sendo elegível para ressecção discoide.

Após a cirurgia, o uso de análogo do GnRH por um período curto (3 a 6 meses) pode ser considerado para suprimir a doença residual microscópica e melhorar o ambiente pélvico, antes de tentar a gestação. No entanto, é importante ressaltar que a evidência para o uso de supressão hormonal pós-cirúrgica é controversa, e a decisão deve ser individualizada. A tentativa de gestação espontânea após a cirurgia é uma opção válida, especialmente em pacientes jovens com fator masculino normal e sem outras causas de infertilidade. A fertilização in vitro (FIV) fica reservada para casos em que a gestação espontânea não ocorre após um período razoável de tentativa, ou quando há outros fatores de infertilidade associados.

A alternativa C é a que melhor se alinha com as diretrizes atuais: cirurgia completa com ressecção discoide (adequada para a lesão descrita), seguida de bloqueio hormonal curto e tentativa de gestação espontânea. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta, como indicar salpingectomia bilateral (que comprometeria a fertilidade), FIV como medida isolada (ignorando o benefício da cirurgia para dor e fertilidade), ou ressecção segmentar com ileostomia protetora (procedimento mais agressivo e desnecessário para uma lesão pequena e única).

Alternativa A — ❌ Incorreta

A salpingectomia bilateral é um procedimento que remove as tubas uterinas, comprometendo definitivamente a fertilidade natural da paciente. Em uma mulher jovem com desejo de gestação, a preservação das tubas é fundamental. A remoção das tubas só estaria indicada em casos de doença tubária grave (hidrossalpinge, por exemplo) ou como parte de uma cirurgia definitiva (histerectomia com salpingooforectomia), o que não se aplica a esta paciente. Além disso, a alternativa sugere que a FIV deve ocorrer logo após a cirurgia, o que não é a conduta de primeira linha em uma paciente com fator masculino normal e possibilidade de gestação espontânea após a ressecção dos focos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A FIV como medida isolada não é a melhor conduta, pois a paciente tem endometriose profunda com comprometimento intestinal e dor pélvica limitante. A cirurgia é indicada para tratar a dor e melhorar o ambiente pélvico, além de potencialmente aumentar as taxas de gestação espontânea. A afirmação de que "as tubas já se encontram obstruídas" é uma suposição sem fundamento no caso, pois não há dados de histerossalpingografia ou laparoscopia que comprovem obstrução tubária. A possibilidade de gestação espontânea após a cirurgia existe, especialmente em pacientes jovens com fator masculino normal. Portanto, a FIV não deve ser a primeira opção, mas sim uma alternativa após a cirurgia e a tentativa de gestação espontânea.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa descreve a conduta mais adequada: cirurgia para ressecção de todos os focos de endometriose, incluindo a retossigmoidectomia discoide com grampeamento circular. A ressecção discoide é a técnica de escolha para lesões intestinais únicas, pequenas (< 3 cm) e que comprometem menos de 30% da luz, como é o caso (2 cm, 20% da luz). Após a cirurgia, o bloqueio curto da menstruação com análogo do GnRH pode ser utilizado para suprimir a doença residual e melhorar o ambiente pélvico, antes de tentar a gestação. Essa abordagem é conservadora e preserva a fertilidade, priorizando a gestação espontânea, o que é apropriado para uma paciente com fator masculino normal e desejo de engravidar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A retossigmoidectomia segmentar com anastomose primária é um procedimento mais extenso que a ressecção discoide, indicado para lesões maiores (> 3 cm), múltiplas ou que comprometem mais de 30% da luz intestinal. No caso, a lesão tem apenas 2 cm e compromete 20% da luz, sendo elegível para ressecção discoide, que é menos invasiva e preserva maior comprimento intestinal. Além disso, a alternativa não menciona o bloqueio hormonal pós-cirúrgico, que pode ser benéfico antes da tentativa de gestação. A conduta de "liberar a gestação logo após a cirurgia" pode ser prematura, pois o ideal é aguardar a recuperação completa e considerar o uso de supressão hormonal por um período curto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A retossigmoidectomia segmentar com ileostomia protetora é um procedimento ainda mais agressivo, indicado para lesões extensas, múltiplas ou com complicações (perfuração, abscesso). A ileostomia protetora é utilizada para desviar o trânsito intestinal e proteger a anastomose em casos de alto risco de deiscência, o que não se aplica a uma lesão pequena e única como a descrita. Além disso, a alternativa propõe a reconstrução intestinal em 6 meses e a FIV após a reconstrução, o que é uma conduta excessivamente invasiva e demorada para o caso. A ressecção discoide com grampeamento circular seria suficiente, e a FIV não é a primeira opção em uma paciente com possibilidade de gestação espontânea.

Gabarito: letra C

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