Gastrostomia: indicações e finalidades
Gabarito: letra D. A gastrostomia é um procedimento cirúrgico que cria uma via de acesso direto ao estômago, sendo sua principal indicação a criação de via de alimentação em pacientes com obstrução alta (como tumores de esôfago ou faringe) ou disfagia neurológica (como na esclerose lateral amiotrófica, ELA). As demais alternativas descrevem finalidades de outros procedimentos ou situações em que a gastrostomia não é indicada.
A gastrostomia é um procedimento que estabelece uma comunicação entre a pele e o estômago, permitindo a introdução de sonda para alimentação, hidratação e administração de medicamentos. Ela é indicada quando a via oral está comprometida ou é insuficiente para manter o estado nutricional, mas o trato gastrointestinal está funcionante. As principais indicações incluem:
Disfagia neurológica: pacientes com doenças neuromusculares (ELA, acidente vascular cerebral, paralisia cerebral) que apresentam dificuldade de deglutição e risco de aspiração.
Obstrução alta do trato digestivo: tumores de esôfago, faringe ou cárdia que impedem a passagem do alimento.
Neoplasias de cabeça e pescoço: que comprometem a deglutição.
Queimaduras extensas ou traumas que impossibilitam a alimentação oral.
Pacientes críticos com necessidade de suporte nutricional prolongado.
A gastrostomia pode ser realizada por três técnicas principais: endoscópica percutânea (GEP), radiológica percutânea e cirúrgica (aberta ou laparoscópica). A escolha da técnica depende da condição clínica do paciente, da anatomia e da experiência da equipe. A GEP é a modalidade mais utilizada, pois apresenta menor morbidade em relação à cirurgia aberta.
É importante distinguir a gastrostomia de outros procedimentos que também criam vias de acesso ao trato digestivo, como a jejunostomia (acesso ao jejuno, indicada em obstruções gástricas ou quando há risco de refluxo) e a colostomia (acesso ao cólon, para desvio fecal). A gastrostomia é específica para o estômago e, portanto, não é indicada para descompressão de intestino delgado (função da sonda nasogástrica ou da jejunostomia) nem para drenagem biliar (função da colangiopancreatografia retrógrada endoscópica ou da drenagem percutânea).
A banca explora a confusão entre as finalidades de diferentes procedimentos. O candidato que não domina as indicações específicas de cada um pode marcar alternativas que descrevem funções de outros dispositivos, como a sonda nasogástrica (descompressão gástrica) ou a drenagem biliar. A chave é lembrar que a gastrostomia é, essencialmente, uma via de alimentação.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A drenagem biliar em obstruções de via hepática é realizada por procedimentos como a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) com papilotomia e colocação de stent, ou por drenagem biliar percutânea (colangiografia trans-hepática percutânea). A gastrostomia não tem relação com a via biliar; ela acessa o estômago, não o fígado ou as vias biliares.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A descompressão de intestino delgado em obstruções distais é feita com sonda nasogástrica ou sonda de longa permanência (como a sonda de Miller-Abbott), que aspira o conteúdo gástrico e intestinal. A gastrostomia não é utilizada para descompressão intestinal; ela é uma via de alimentação, não de drenagem.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A reposição volêmica em pacientes desidratados ou com hemorragia digestiva alta é feita por acesso venoso periférico ou central, com soluções cristaloides (como Ringer lactato ou soro fisiológico) e, se necessário, hemoderivados. A gastrostomia não é uma via de reposição volêmica; ela é uma via de alimentação enteral.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A gastrostomia é indicada para criação de via de alimentação em pacientes com obstrução alta (tumores de esôfago, faringe, cárdia) ou disfagia neurológica (ELA, AVC, paralisia cerebral). O procedimento permite a administração de dieta enteral, hidratação e medicamentos diretamente no estômago, contornando a via oral comprometida. Essa é a indicação clássica e mais frequente da gastrostomia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Tumores gástricos na região da transição esôfago-gástrica e cárdia são, na verdade, uma indicação para gastrostomia, pois causam obstrução alta e impedem a alimentação oral. No entanto, a alternativa está formulada de forma incompleta e imprecisa: ela não descreve a finalidade da gastrostomia, apenas cita uma condição que pode levar à sua indicação. Além disso, a redação sugere que a gastrostomia seria indicada para tratar o tumor em si, o que não é verdade — a gastrostomia é um procedimento paliativo para garantir nutrição, não um tratamento oncológico. Portanto, a alternativa está incorreta por não expressar corretamente a indicação.
Gabarito: letra D