Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg413654
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Mulher de 36 anos, dois partos normais, refere dor leve e abaulamento na linha média supraumbilical. Ultrassonografia confirma hérnia epigástrica de 1,5 cm.Qual alternativa é verdadeira?
AO tratamento cirúrgico é indicado devido ao risco de encarceramento, especialmente se sintomática.
BDeve-se sempre abordar por via laparoscópica.
CAs hérnias epigástricas são secundárias a incisões cirúrgicas.
DA conduta expectante é preferida.
EA tela é contraindicada em hérnias epigástricas.
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GabaritoA — O tratamento cirúrgico é indicado devido ao risco de encarceramento, especialmente se sintomática.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hérnia epigástrica: indicação cirúrgica e manejo
Gabarito: letra A. O tratamento cirúrgico é indicado nas hérnias epigástricas sintomáticas, pois o risco de encarceramento é maior quanto menor o anel herniário — e, no caso, o defeito de 1,5 cm é pequeno, o que aumenta esse risco. A conduta expectante não é preferida quando há sintomas, e a correção pode ser feita por via aberta com sutura simples ou tela, não sendo a laparoscopia obrigatória nem a tela contraindicada.
A hérnia epigástrica é um defeito da linha alba, acima da cicatriz umbilical, que ocorre por fragilidade da aponeurose — não por incisão cirúrgica prévia (essa é a hérnia incisional). O conteúdo herniário costuma ser gordura pré-peritoneal, e o principal sintoma é dor localizada, que alivia em posição supina. O ponto-chave do manejo é: hérnia epigástrica sintomática = indicação cirúrgica, pois o anel pequeno favorece encarceramento e estrangulamento, que podem ser a primeira manifestação da doença.
Na prática, o encaminhamento para avaliação cirúrgica é regra nos pacientes sintomáticos. A correção, na maioria dos casos, é feita em nível ambulatorial, com anestesia local, e a sutura simples do anel costuma ser suficiente — embora o uso de próteses (telas) venha se tornando mais frequente. A recorrência pode chegar a 20% e está associada ao não reconhecimento de múltiplas hérnias ou à obesidade.
A distinção que importa aqui é entre hérnia epigástrica e hérnia incisional: a primeira é espontânea (linha alba), a segunda é secundária a uma cirurgia prévia. A banca explora exatamente essa confusão na alternativa C. Além disso, é preciso diferenciar a hérnia epigástrica da diástase do músculo reto abdominal — nesta, o abaulamento é alongado, acompanha as bordas mediais dos retos e não há solução de continuidade da aponeurose, portanto não há conteúdo herniário nem risco de encarceramento.
Guarde o critério decisivo: hérnia epigástrica sintomática → cirurgia indicada; assintomática e de pequeno volume → pode-se observar, mas o risco de encarceramento justifica a correção, especialmente se houver dor. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Hérnia epigástrica: Defeito da linha alba (espontânea); Conteúdo: gordura pré-peritoneal; Sintomática (Indicação cirúrgica, Risco de encarceramento (anel pequeno)); Assintomática (Pode observar, Risco justifica correção); Tratamento (Ambulatorial, anestesia local, Sutura simples ou tela); Diagnóstico diferencial (Hérnia incisional (pós-cirúrgica), Diástase do reto (sem conteúdo herniário))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque a hérnia epigástrica sintomática tem indicação cirúrgica, e o risco de encarceramento é maior quanto menor o anel herniário — o que se aplica ao caso de 1,5 cm. O material de apoio confirma: "Quanto menor for o anel herniário, maior será o risco de encarceramento ou estrangulamento, o que pode ser a primeira manifestação das hérnias epigástricas." E ainda: "Pacientes com hérnias epigástricas sintomáticas devem ser encaminhados para avaliação cirúrgica." Portanto, a conduta correta é cirúrgica, e não expectante.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A laparoscopia não é a via obrigatória. O material de apoio afirma que "na maioria dos casos, o tratamento cirúrgico pode ser realizado em nível ambulatorial e com anestesia local", com sutura simples do anel. A via laparoscópica é uma opção, especialmente em hérnias bilaterais ou recidivadas, mas não é regra para hérnias epigástricas pequenas. O erro está no termo "sempre".
Alternativa C — ❌ Incorreta
As hérnias epigástricas são espontâneas, ocorrem na linha alba acima do umbigo, e não são secundárias a incisões cirúrgicas. A hérnia que decorre de cirurgia prévia é a hérnia incisional, definida como "protrusão do peritônio parietal através de um hiato na musculatura da parede abdominal secundário a uma intervenção cirúrgica prévia". A banca troca o mecanismo etiológico: epigástrica (espontânea) × incisional (pós-operatória).
Alternativa D — ❌ Incorreta
A conduta expectante não é a preferida em hérnia epigástrica sintomática. O material de apoio é claro: "Pacientes com hérnias epigástricas sintomáticas devem ser encaminhados para avaliação cirúrgica." A observação pode ser considerada em casos assintomáticos ou em pacientes com alto risco cirúrgico, mas não quando há dor — como no caso da paciente. A alternativa inverte a recomendação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A tela não é contraindicada em hérnias epigástricas. O material de apoio afirma que "o uso de próteses tem-se tornado mais frequente nos últimos anos" e que a sutura simples é suficiente na maioria dos casos — mas isso não significa contraindicação da tela. A tela é uma opção válida, especialmente para reduzir recorrências. A alternativa é falsa por afirmar uma contraindicação que não existe.