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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg413657
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Paciente feminina de 63 anos de idade, faz uso de rivaroxabana. Procura o pronto socorro do hospital por queda após tropeçar em desnível da calçada com trauma em região frontal direita. Via aérea pérvia, sem cervicalgia, mantém expansibilidade torácica normal com frequência respiratória de 19 ipm, saturação de 97% em ar ambiente, pressão arterial de 134/70 mmHg, frequência cardíaca de 85 bpm, escala de Glasgow 15, pupilas isofotorreagentes, presença de escoriações e edema em região frontal direita.Assinale a alternativa com a melhor conduta a seguir:
  1. ARadiografia de crânio.
  2. BAnalgesia e alta, orientar retorno se apresentar sintoma neurológico.
  3. CTomografia computadorizada de crânio.
  4. DSolicitar coagulograma. Se alterado, prosseguir investigação.
  5. EInternar e observar por 72 horas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Tomografia computadorizada de crânio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Traumatismo cranioencefálico leve em paciente anticoagulada

Gabarito: letra C. Paciente de 63 anos em uso de rivaroxabana (anticoagulante oral direto) sofreu trauma craniano com mecanismo de baixa energia, apresenta Glasgow 15, pupilas isofotorreagentes e exame neurológico normal, mas a idade ≥ 60 anos associada ao uso de anticoagulante é critério de risco para lesão intracraniana, o que impõe a realização de tomografia computadorizada de crânio conforme as diretrizes de trauma (regras do Canadian CT Head Rule e do NEXUS II). A conduta correta não é radiografia (sem papel no TCE), nem alta sem imagem, nem apenas coagulograma, nem internação sem imagem.

O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade no pronto-socorro, e a tomada de decisão sobre quem precisa de imagem é guiada por critérios clínicos bem estabelecidos. O ponto central desta questão é identificar quais fatores elevam o risco de lesão intracraniana aguda (como hematoma subdural, contusão ou hemorragia subaracnoide) mesmo em um paciente com exame neurológico inicialmente normal. A presença de anticoagulação é um dos fatores de risco mais importantes, pois o sangramento intracraniano pode se expandir de forma lenta e silenciosa, com deterioração neurológica tardia — exatamente o cenário que o médico deve antecipar.

As principais diretrizes de imagem no TCE leve (Glasgow 14–15) — como o Canadian CT Head Rule e o New Orleans Criteria — listam critérios que indicam a necessidade de TC de crânio. Entre eles, destacam-se: idade ≥ 60 anos, uso de anticoagulante ou antiagregante plaquetário, mecanismo de trauma perigoso, perda de consciência, amnésia, vômitos repetidos, cefaleia intensa, sinais de fratura de base de crânio e déficit neurológico focal. A paciente do enunciado preenche dois critérios simultâneos: tem 63 anos (≥ 60) e faz uso de rivaroxabana (anticoagulante). Isso a coloca em alto risco de lesão intracraniana, mesmo com Glasgow 15 e exame neurológico normal.

A rivaroxabana é um inibidor direto do fator Xa, e seu uso não contraindica a TC — pelo contrário, é um forte indicativo dela. O coagulograma (alternativa D) não é o exame de escolha na fase aguda do TCE: os testes convencionais (TP, TTPA) não refletem adequadamente o efeito anticoagulante dos DOACs, e a decisão de realizar imagem não depende do resultado da coagulação. A radiografia de crânio (alternativa A) é um exame obsoleto no contexto de trauma, pois não avalia o parênquima cerebral nem detecta hemorragias — foi substituída pela TC. A alta com orientação (alternativa B) seria aceitável apenas em pacientes de baixo risco, sem critérios de imagem, o que não é o caso. A internação para observação de 72 horas (alternativa E) sem realizar imagem também é inadequada: a TC deve ser feita antes da decisão de internar, pois a presença de lesão pode mudar completamente o plano (cirurgia, neurocirurgia, reversão de anticoagulação).

Na prática, o fluxo é: paciente com TCE leve + critério de risco (idade ≥ 60, anticoagulante, mecanismo perigoso, etc.) → TC de crânio imediata. Se a TC for normal, pode-se considerar observação ou alta com orientações, dependendo do contexto. Se houver lesão, o paciente é manejado conforme o tipo e a gravidade, com avaliação neurocirúrgica e possível reversão da anticoagulação. A banca explora exatamente a falsa sensação de segurança que o Glasgow 15 e o exame neurológico normal podem gerar — mas, em paciente anticoagulada e idosa, a imagem é obrigatória.

Guarde o critério decisivo: idade ≥ 60 anos OU uso de anticoagulante/antiagregante são, isoladamente, indicações de TC de crânio no TCE leve. A combinação dos dois fatores nesta paciente torna a conduta inequívoca.

  1. 1Avaliar critérios de risco
  2. 2Idade ≥ 60 anos?
  3. 3Anticoagulante/antiagregante?
  4. 4TC de crânio imediata
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A radiografia de crânio não tem papel na avaliação do TCE. Ela não detecta hemorragias intracranianas, contusões ou edema cerebral — apenas fraturas, e mesmo assim com baixa sensibilidade. A tomografia computadorizada é o exame padrão-ouro para avaliar lesões intracranianas agudas. Em paciente anticoagulada, a radiografia seria um exame inútil e atrasaria a conduta correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Analgesia e alta com orientação de retorno seria conduta aceitável apenas em TCE leve de baixo risco, sem critérios de imagem. A paciente tem 63 anos e usa rivaroxabana — dois critérios de risco que indicam TC. Liberar essa paciente sem imagem é arriscado, pois uma hemorragia intracraniana pode evoluir de forma silenciosa e levar a deterioração neurológica grave em casa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A tomografia computadorizada de crânio é a conduta correta. A paciente preenche critérios de risco para lesão intracraniana: idade ≥ 60 anos e uso de anticoagulante oral (rivaroxabana). Mesmo com Glasgow 15 e exame neurológico normal, a TC é obrigatória para afastar hemorragia. As diretrizes de trauma (Canadian CT Head Rule, New Orleans Criteria) incluem ambos os fatores como indicação de imagem no TCE leve.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Solicitar coagulograma e, se alterado, prosseguir investigação é uma conduta equivocada por dois motivos. Primeiro, o coagulograma convencional (TP, TTPA) não avalia adequadamente o efeito dos anticoagulantes orais diretos (DOACs), como a rivaroxabana — seriam necessários testes específicos (anti-Xa). Segundo, a decisão de realizar TC não depende do resultado da coagulação: a imagem deve ser feita independentemente, pois o risco de sangramento já está presente pelo uso do anticoagulante.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Internar e observar por 72 horas sem realizar imagem é inadequado. A observação clínica é uma opção após uma TC normal, não antes dela. Internar a paciente sem saber se há lesão intracraniana impede a tomada de decisões importantes (como reversão da anticoagulação ou avaliação neurocirúrgica) e pode atrasar o tratamento de uma hemorragia em expansão. A TC deve preceder a decisão de internação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falsa segurança do exame neurológico normal. O candidato vê Glasgow 15, pupilas isofotorreagentes e sinais vitais estáveis e pensa em "alta com orientação" ou "observação". Mas a paciente tem 63 anos e usa rivaroxabana — dois critérios de risco que, isoladamente, já indicam TC de crânio. A combinação torna a conduta inequívoca. Não caia na armadilha de valorizar apenas o exame neurológico: no TCE leve, os fatores de risco do paciente é que decidem a necessidade de imagem.

PEGA ESSA DICA!

Memorize os critérios de imagem no TCE leve (Glasgow 14–15): idade ≥ 60 anos, uso de anticoagulante/antiagregante, mecanismo perigoso, perda de consciência, amnésia, vômitos repetidos, cefaleia intensa, sinais de fratura de base de crânio, déficit neurológico focal. Se qualquer um estiver presente, a TC é indicada. Na prova, quando o enunciado trouxer "idoso" ou "anticoagulante" + trauma craniano, a resposta quase sempre será TC de crânio.

Gabarito: letra C

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