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Questão de Medicina — Urologia — Avança SP 2025

MedicinaUrologia
Código
qg413660
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
A neoplasia de próstata é o câncer mais frequente no homem, quando não consideramos tumores de pele. No Brasil, devido estado atual de cobertura de detecção e assistência, cerca de um quarto dos pacientes vão morrer da doença. O rastreamento tem como objetivo identificar a doença em estágio localizado, o que está associado a taxas de cura superiores a 90%, contribuindo para modificar significativamente o atual panorama da condição. Para o rastreamento de câncer de próstata, assinale a alternativa correta:
  1. AEm indivíduos em grupo de alto risco, é recomendado iniciar aos 50 anos e ser realizado anualmente.
  2. BIndivíduos saudáveis e com mais de 10 anos de expectativa de vida podem repetir exames de rastreamento em 2-4 anos.
  3. CAo encontrar valor baixo de PSA em indivíduos com mais de 50 anos, há necessidade de associar o toque retal para exclusão de câncer de próstata.
  4. DFamiliares de portadores de polipose adenomatosa familiar são pacientes em alto risco para câncer de próstata.
  5. EDiferente do câncer de bexiga, o câncer de próstata não tem relação com tabagismo.
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GabaritoB — Indivíduos saudáveis e com mais de 10 anos de expectativa de vida podem repetir exames de rastreamento em 2-4 anos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento do câncer de próstata

Gabarito: letra B. Indivíduos saudáveis com mais de 10 anos de expectativa de vida podem repetir exames de rastreamento em intervalos de 2 a 4 anos, conforme as diretrizes de rastreamento do câncer de próstata. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de recomendação, como idade de início, associação com polipose adenomatosa familiar e relação com tabagismo.

O rastreamento do câncer de próstata (CaP) é um tema central na atenção primária e na urologia, pois a doença é a neoplasia maligna mais comum em homens (excluindo tumores de pele não melanoma) e a segunda causa de morte por câncer nessa população. O objetivo do rastreamento é detectar a doença em estágio localizado, quando as taxas de cura superam 90%, modificando o panorama de mortalidade. No entanto, o rastreamento não é isento de controvérsias: o diagnóstico de neoplasias indolentes pode levar a sobretratamento, com morbidade associada, especialmente em pacientes com comorbidades ou idade avançada. Por isso, as diretrizes recomendam a tomada de decisão compartilhada entre médico e paciente, considerando fatores de risco, expectativa de vida e preferências individuais.

Os principais fatores de risco para CaP são idade avançada, etnia negra, história familiar de primeiro grau com diagnóstico antes dos 65 anos e mutações genéticas (como BRCA). Homens com parentes de primeiro grau afetados têm risco 5 a 10 vezes maior. A idade mediana ao diagnóstico é de 65 anos, e homens com menos de 40 anos raramente desenvolvem a doença. O rastreamento é recomendado para homens entre 55 e 69 anos, com decisão compartilhada, e para grupos de maior risco (afro-americanos e/ou história familiar) a partir dos 40-45 anos. Em homens com mais de 70 anos, o rastreamento não é recomendado, pois os riscos de sobrediagnóstico e sobretratamento superam os benefícios.

A frequência do rastreamento varia conforme o risco: para homens com PSA normal e baixo risco, o intervalo pode ser de 2 a 4 anos; para aqueles com PSA limítrofe ou maior risco, o intervalo é menor (anual ou a cada 2 anos). O PSA é o principal marcador, mas não é específico, podendo estar elevado na hiperplasia prostática benigna (HPB) e na prostatite. O toque retal (TR) é complementar e aumenta o valor preditivo positivo quando associado ao PSA elevado. A biópsia é indicada para confirmar o diagnóstico, geralmente quando o PSA é > 3 ng/mL (confirmado em segunda dosagem) ou quando o TR é alterado.

A alternativa B está correta porque reflete a recomendação de que homens saudáveis, com expectativa de vida superior a 10 anos, podem repetir o rastreamento em intervalos de 2 a 4 anos, especialmente quando o PSA inicial é baixo. Essa conduta equilibra a detecção precoce com a redução de sobrediagnóstico e procedimentos desnecessários. As demais alternativas apresentam erros: a idade de início para alto risco é 40-45 anos, não 50; o PSA baixo não dispensa o TR, mas o TR é recomendado como complemento, não como necessidade para exclusão; a polipose adenomatosa familiar não é fator de risco para CaP; e o tabagismo, embora menos associado que no câncer de bexiga, não exclui relação com CaP.

Guarde a fronteira entre as recomendações de rastreamento para risco padrão e alto risco, e entre os fatores de risco estabelecidos e os que não têm associação comprovada: é exatamente nesses critérios que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que em indivíduos de alto risco o rastreamento deve iniciar aos 50 anos e ser anual. O erro está na idade: para homens com alto risco (afro-americanos ou com história familiar de primeiro grau), o rastreamento deve começar aos 40-45 anos, não aos 50. A recomendação de início aos 50 anos aplica-se a homens de risco padrão. Além disso, a frequência anual não é regra para todos os casos de alto risco; o intervalo pode ser individualizado, mas a idade de início é o erro principal.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta porque reflete a recomendação de que homens saudáveis, com expectativa de vida superior a 10 anos, podem repetir o rastreamento em intervalos de 2 a 4 anos. Essa conduta é baseada no fato de que o CaP geralmente tem crescimento lento, e intervalos maiores reduzem o sobrediagnóstico e os custos, mantendo a detecção precoce em estágio curável. A expectativa de vida > 10 anos é o critério central para indicar rastreamento e tratamento curativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que, ao encontrar PSA baixo em indivíduos com mais de 50 anos, há necessidade de associar o toque retal para exclusão de câncer. O erro está na palavra "necessidade": o toque retal é recomendado como complemento ao PSA, mas não é obrigatório para "exclusão" quando o PSA é baixo. Na prática, o TR é realizado como parte do exame físico e aumenta o valor preditivo positivo quando o PSA está elevado, mas não é um teste de rastreamento isolado com benefício comprovado. A exclusão de CaP não é feita por um único exame, e a conduta depende do risco global.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que familiares de portadores de polipose adenomatosa familiar (PAF) são alto risco para câncer de próstata. A PAF é uma síndrome genética associada a câncer colorretal e outras neoplasias, mas não é fator de risco estabelecido para CaP. Os fatores de risco para CaP são idade, etnia negra, história familiar de CaP (primeiro grau) e mutações BRCA. A PAF não faz parte desse grupo, configurando erro conceitual.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que, diferente do câncer de bexiga, o câncer de próstata não tem relação com tabagismo. Embora a associação do tabagismo com CaP seja menos forte e menos estabelecida que com o câncer de bexiga, não é correto afirmar que não há relação. Estudos sugerem que o tabagismo pode aumentar o risco de formas mais agressivas de CaP e de mortalidade. A afirmação é categórica demais e desconsidera a evidência de associação, ainda que modesta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os fatores de risco estabelecidos para CaP (idade, etnia negra, história familiar de primeiro grau, BRCA) e outras condições que não têm associação comprovada, como a polipose adenomatosa familiar. Além disso, troca a idade de início do rastreamento para alto risco (40-45 anos) pela de risco padrão (50 anos). Fique atento a esses detalhes — eles são os distratores clássicos.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de rastreamento, memorize os marcos: risco padrão → início aos 50 anos; alto risco (afro-americano, história familiar) → início aos 40-45 anos; intervalo de repetição → 2-4 anos para PSA baixo; expectativa de vida > 10 anos para indicar rastreamento e tratamento curativo. Compare com o rastreamento de outros cânceres (mama, colo) para fixar as diferenças.

Gabarito: letra B

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