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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Avança SP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg413667
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Uma paciente gestante, com 32 semanas, é admitida na sala de emergência com diagnóstico de pré-eclâmpsia grave, apresentando cefaleia, escotomas visuais e níveis pressóricos elevados. A equipe médica decide iniciar a infusão de sulfato de magnésio 10% para neuroproteção e prevenção de eclâmpsia.Determine o parâmetro de monitoramento e a via de administração adequados durante a terapia:
  1. AA infusão endovenosa (EV) deve ser rápida, a uma taxa de 150 mg por segundo, para atingir o nível sérico terapêutico.
  2. BO monitoramento deve incluir Sinais Vitais (SSVV), Eletrocardiograma (ECG), reflexos tendinosos profundos e função renal.
  3. CA administração intramuscular (IM) é preferível, devendo ser utilizada mesmo se um acesso EV estiver disponível.
  4. DA principal reação adversa esperada é a hipercalcemia, que deve ser monitorada e tratada preventivamente.
  5. EA solução a 10% não pode ser administrada em pediatria, sendo de uso exclusivo em adultos.
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GabaritoB — O monitoramento deve incluir Sinais Vitais (SSVV), Eletrocardiograma (ECG), reflexos tendinosos profundos e função renal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia grave: monitoramento e via de administração

Gabarito: letra B. Durante a infusão de sulfato de magnésio para prevenção de eclâmpsia, o monitoramento deve incluir sinais vitais, eletrocardiograma, reflexos tendinosos profundos e função renal, pois esses parâmetros detectam precocemente a toxicidade do magnésio, que se manifesta inicialmente por hiporreflexia, depressão respiratória e alterações cardíacas. A via de administração preferencial é a endovenosa (EV), conforme os esquemas consagrados de Zuspan e Pritchard, que utilizam a via EV para a dose de ataque e manutenção.

O sulfato de magnésio (MgSO₄) é a droga de escolha para a prevenção e o tratamento da eclâmpsia, sendo superior à fenitoína e aos benzodiazepínicos na profilaxia de crises convulsivas. Seu mecanismo de ação envolve o bloqueio da transmissão neuromuscular e a redução da excitabilidade cortical, o que justifica sua eficácia na iminência de eclâmpsia, quadro caracterizado por cefaleia intensa, escotomas, hiper-reflexia e epigastralgia. A dose de ataque é de 4 g EV, administrada lentamente (em 15 a 20 minutos), seguida de manutenção de 1 g/h EV em bomba de infusão contínua, conforme o esquema de Zuspan. O esquema de Pritchard, alternativa válida, combina a dose de ataque EV com manutenção IM, mas a via EV é sempre preferível quando há acesso venoso disponível.

O monitoramento durante a infusão é essencial porque o magnésio tem janela terapêutica estreita: o efeito terapêutico ocorre com níveis séricos entre 4,8 e 8,4 mg/dL, mas a perda do reflexo patelar surge com 12 mg/dL, a paralisia respiratória com 16 mg/dL e a parada cardíaca com 30 mg/dL. Por isso, a avaliação clínica seriada dos reflexos tendinosos profundos, da frequência respiratória e do débito urinário é a principal ferramenta para detectar impregnação. O ECG é útil para monitorar alterações de condução, e a função renal deve ser avaliada porque o magnésio é excretado por via renal — na insuficiência renal, há risco de acúmulo e toxicidade, exigindo doses menores e monitoramento mais frequente. Os sinais de alerta para impregnação incluem frequência respiratória abaixo de 16 irpm, reflexo patelar abolido e diurese inferior a 100 mL em 4 horas ou 25 mL/h; nesses casos, suspende-se o MgSO₄ e administra-se gluconato de cálcio 10% EV.

A principal pegadinha desta questão é a confusão entre os efeitos adversos do magnésio e de outras drogas: a alternativa D menciona hipercalcemia, mas o antídoto do magnésio é o cálcio, e a toxicidade do magnésio causa hipocalcemia relativa, não hipercalcemia. Além disso, a alternativa A propõe infusão rápida de 150 mg por segundo, o que contraria a recomendação de infusão lenta da dose de ataque para evitar picos séricos e toxicidade. A alternativa C sugere via IM preferencial, mas a via EV é a preferida quando há acesso disponível, sendo a IM reservada para situações sem acesso venoso. A alternativa E é incorreta porque o MgSO₄ 10% pode ser usado em pediatria, embora a questão trate de gestante adulta.

Guarde o tripé que decide esta questão: via EV preferencial, infusão lenta e monitoramento clínico-laboratorial (reflexos, FR, diurese, ECG e função renal) — é exatamente nesses três eixos que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A infusão EV deve ser lenta, não rápida. A dose de ataque de 4 g deve ser administrada em 15 a 20 minutos, e a manutenção em bomba de infusão contínua. A taxa de 150 mg por segundo é incompatível com a prática segura e poderia causar pico sérico tóxico. O erro está na velocidade de infusão, que deve ser controlada para evitar toxicidade.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O monitoramento durante a terapia com sulfato de magnésio deve incluir sinais vitais (especialmente frequência respiratória), eletrocardiograma (para detectar alterações de condução), reflexos tendinosos profundos (que desaparecem com níveis séricos de 12 mg/dL) e função renal (pois o magnésio é excretado por via renal e a insuficiência renal aumenta o risco de toxicidade). Esses parâmetros permitem detectar precocemente a impregnação e intervir com o antídoto (gluconato de cálcio).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A via intramuscular (IM) não é preferível quando há acesso EV disponível. O esquema de Zuspan, que é o mais utilizado, é exclusivamente EV, com dose de ataque de 4 g EV e manutenção de 1 g/h EV. O esquema de Pritchard combina EV e IM, mas a via EV é sempre a primeira escolha quando há acesso venoso, pois permite controle mais preciso da infusão e titulação da dose.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A principal reação adversa esperada do sulfato de magnésio não é hipercalcemia, mas sim hipermagnesemia, que causa hiporreflexia, depressão respiratória, bradicardia e parada cardíaca em níveis elevados. O antídoto é o gluconato de cálcio 10% EV, que antagoniza os efeitos do magnésio. A alternativa troca o eletrólito envolvido na toxicidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A solução de sulfato de magnésio 10% pode ser administrada em pediatria, não sendo de uso exclusivo em adultos. Embora a questão trate de gestante, a afirmação é falsa em si. O MgSO₄ é utilizado em pediatria para o tratamento de crises convulsivas, asma aguda grave e outras condições, sempre com monitoramento adequado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os efeitos do magnésio e do cálcio: a alternativa D fala em hipercalcemia, mas o problema do MgSO₄ é a hipermagnesemia, e o antídoto é justamente o cálcio. Além disso, a alternativa A inverte a velocidade de infusão (rápida em vez de lenta), e a C troca a via preferencial (IM em vez de EV). Com treino, você reconhece essas inversões de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar o monitoramento do MgSO₄, lembre-se do mnemônico "RFD": Reflexos (patelar), Frequência respiratória e Diurese. Esses são os três parâmetros clínicos que detectam impregnação. O ECG e a função renal complementam a avaliação. Na prova, desconfie de alternativas que mencionem hipercalcemia ou infusão rápida — são distratores clássicos.

Gabarito: letra B

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