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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Avança SP 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg413670
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Uma mulher de 45 anos com história clínica de insuficiência cardíaca é internada com dispneia paroxística noturna há três noites consecutivas, edema bilateral de tornozelos ao final do dia com melhora após repouso noturno, hepatomegalia dolorosa à palpação profunda e refluxo hepatojugular positivo. Radiografia de tórax evidencia cardiomegalia (índice cardiotorácico > 0,5) e linhas B de Kerley. Selecione o critério diagnóstico de insuficiência cardíaca adequadamente representado neste caso clínico:
  1. ADois critérios maiores (dispneia paroxística noturna e cardiomegalia radiográfica) já confirmam o diagnóstico segundo os critérios de Framingham.
  2. BPresença isolada de edema periférico e taquicardia leve totaliza dois critérios menores, suficientes para confirmação diagnóstica.
  3. CCardiomegalia radiográfica isolada com linhas B de Kerley e hepatomegalia representa diagnóstico definitivo sem critérios adicionais.
  4. DHepatomegalia é critério maior, somando-se à dispneia paroxística noturna, cardiomegalia e refluxo hepatojugular para diagnóstico definitivo.
  5. EAchados clínicos e radiográficos obrigam o uso dos critérios de Boston, em substituição aos de Framingham, para confirmação diagnóstica.
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GabaritoA — Dois critérios maiores (dispneia paroxística noturna e cardiomegalia radiográfica) já confirmam o diagnóstico segundo os critérios de Framingham.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Critérios de Framingham para diagnóstico de insuficiência cardíaca

Gabarito: letra A. A paciente apresenta dois critérios maiores de Framingham — dispneia paroxística noturna e cardiomegalia radiográfica (índice cardiotorácico > 0,5) — e, segundo os critérios de Framingham, a presença de 2 critérios maiores é suficiente para confirmar o diagnóstico de insuficiência cardíaca. A alternativa B erra ao afirmar que dois critérios menores bastam; a C erra ao dispensar critérios adicionais; a D erra ao classificar hepatomegalia como critério maior; e a E erra ao afirmar que os critérios de Boston substituem os de Framingham.

Os critérios de Framingham são um escore clínico clássico, originado do estudo epidemiológico de Framingham, utilizado para padronizar o diagnóstico de insuficiência cardíaca. Eles dividem os achados em critérios maiores e critérios menores, e o diagnóstico é firmado quando há 2 critérios maiores, OU 1 critério maior associado a 2 critérios menores. Essa regra é amplamente ensinada na clínica médica e é o que a questão cobra diretamente.

Vamos identificar os achados da paciente e classificá-los:

  • Dispneia paroxística noturna → critério maior.

  • Cardiomegalia radiográfica (índice cardiotorácico > 0,5) → critério maior.

  • Edema bilateral de tornozelos → critério menor.

  • Hepatomegalia dolorosa → critério menor.

  • Refluxo hepatojugular positivo → critério maior.

  • Linhas B de Kerley → não é um critério de Framingham (aparece nos critérios de Boston, com pontuação própria).

Portanto, a paciente tem 3 critérios maiores (dispneia paroxística noturna, cardiomegalia e refluxo hepatojugular) e 2 critérios menores (edema e hepatomegalia). Mesmo sem contar os menores, os 2 maiores já confirmam o diagnóstico pela regra de Framingham. É exatamente isso que a alternativa A afirma.

A pegadinha central da questão está em confundir os critérios de Framingham com os de Boston. Enquanto Framingham usa a lógica binária de "maiores e menores" (2 maiores OU 1 maior + 2 menores), Boston usa um sistema de pontuação (história, exame físico e radiografia), em que 8 a 12 pontos indicam diagnóstico definitivo, 5 a 7 provável e menos de 5 improvável. As alternativas B, C e D distorcem a classificação dos achados dentro do sistema de Framingham, e a E tenta trocar o sistema, o que não é correto — Framingham continua sendo um critério válido e aplicável.

Guarde a fronteira entre critérios maiores e menores de Framingham: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A banca explora a confusão entre o que é maior e o que é menor, e entre os dois sistemas de escore.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque a paciente apresenta dois critérios maiores de Framingham: a dispneia paroxística noturna e a cardiomegalia radiográfica (índice cardiotorácico > 0,5). A regra de Framingham estabelece que 2 critérios maiores são suficientes para confirmar o diagnóstico de insuficiência cardíaca, independentemente da presença de critérios menores. A alternativa espelha exatamente essa regra.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que dois critérios menores (edema periférico e taquicardia leve) são suficientes para confirmação diagnóstica. Pela regra de Framingham, dois critérios menores isolados não confirmam o diagnóstico — é necessário ter 2 critérios maiores, ou 1 critério maior + 2 critérios menores. Além disso, a alternativa menciona "taquicardia leve", mas o critério menor de Framingham é taquicardia com FC ≥ 120 bpm (não "leve"). O erro é duplo: a combinação insuficiente e a caracterização incorreta da taquicardia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que cardiomegalia radiográfica isolada com linhas B de Kerley e hepatomegalia representa diagnóstico definitivo "sem critérios adicionais". Cardiomegalia é critério maior, mas isolada não basta — precisa de outro critério maior ou de 2 menores. As linhas B de Kerley não fazem parte dos critérios de Framingham (são um achado radiológico de congestão, pontuado nos critérios de Boston). Hepatomegalia é critério menor. Portanto, a combinação descrita não fecha o diagnóstico pela regra de Framingham.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao classificar a hepatomegalia como critério maior. Nos critérios de Framingham, a hepatomegalia é um critério menor. A alternativa também afirma que a soma de hepatomegalia + dispneia paroxística noturna + cardiomegalia + refluxo hepatojugular é necessária para o diagnóstico definitivo, o que é desnecessário — 2 critérios maiores já bastam. A paciente já tem 3 maiores (dispneia paroxística noturna, cardiomegalia e refluxo hepatojugular), então o diagnóstico já estaria confirmado mesmo sem a hepatomegalia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que os achados clínicos e radiográficos obrigam o uso dos critérios de Boston em substituição aos de Framingham. Os critérios de Boston são uma alternativa válida, mas não substituem os de Framingham — ambos são escores clínicos utilizados na prática, e a escolha não é obrigatória. O caso descrito se encaixa perfeitamente nos critérios de Framingham, que são suficientes para o diagnóstico. Não há qualquer obrigatoriedade de usar Boston.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os critérios de Framingham (maiores × menores) e os critérios de Boston (pontuação). No Framingham, 2 maiores OU 1 maior + 2 menores fecham o diagnóstico; no Boston, a pontuação define definitivo (8–12), provável (5–7) ou improvável (<5). Além disso, a banca troca a classificação de alguns achados: hepatomegalia é menor, não maior; e linhas B de Kerley não são critério de Framingham. Com treino, você identifica essas trocas de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental dos critérios de Framingham:

Critérios maiores

Critérios menores

Dispneia paroxística noturna

Edema de tornozelos bilateral

Distensão venosa jugular

Tosse noturna

Estertores pulmonares

Dispneia ao esforço usual

Cardiomegalia radiológica

Hepatomegalia

Edema pulmonar agudo

Derrame pleural

Terceira bulha

Diminuição da capacidade vital em 1/3

Aumento da PVC > 16 cmH2O

Taquicardia (FC ≥ 120 bpm)

Tempo circulatório ≥ 25 s

Refluxo hepatojugular

Perda de peso ≥ 4,5 kg em 5 dias

Edema pulmonar/congestão visceral à necropsia

Gabarito: letra A — a paciente tem 2 critérios maiores (dispneia paroxística noturna e cardiomegalia), suficientes para o diagnóstico pelos critérios de Framingham.

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