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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Avança SP 2025

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg413678
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Em um paciente com insuficiência cardíaca descompensada e hipoperfusão periférica refratária à terapia inicial com diuréticos, indique a droga vasoativa de escolha que possui efeito inotrópico positivo puro, sem ação vasoconstritora significativa:
  1. ADobutamina.
  2. BNoradrenalina.
  3. CDopamina.
  4. DAdrenalina.
  5. EVasopressina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Dobutamina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Drogas vasoativas na insuficiência cardíaca descompensada

Gabarito: letra A (Dobutamina). Na insuficiência cardíaca descompensada com hipoperfusão periférica refratária à terapia diurética inicial, a dobutamina é o inotrópico de escolha por apresentar efeito inotrópico positivo puro, com ação predominantemente β1-adrenérgica e consequente vasodilatação, sem vasoconstrição significativa. As demais opções (noradrenalina, dopamina, adrenalina e vasopressina) possuem ação vasoconstritora relevante, o que as contraindica como primeira escolha nesse cenário.

A insuficiência cardíaca descompensada (ICAD) é uma síndrome caracterizada por congestão pulmonar e/ou sistêmica, frequentemente acompanhada de baixo débito cardíaco e hipoperfusão tecidual. Quando a terapia inicial com diuréticos não é suficiente para restaurar a perfusão periférica, torna-se necessário o uso de agentes inotrópicos para aumentar a contratilidade miocárdica e melhorar o débito cardíaco. A escolha do agente ideal depende do perfil hemodinâmico do paciente: naqueles com hipoperfusão sem hipotensão grave, os inotrópicos com ação vasodilatadora (inodilatadores) são preferidos, pois aumentam o débito cardíaco sem sobrecarregar o miocárdio com aumento da pós-carga.

A dobutamina é um agonista β1-adrenérgico sintético, com efeito β2 adicional, que produz aumento da contratilidade e da frequência cardíaca, além de vasodilatação periférica. Seu efeito inotrópico positivo é "puro" no sentido de que não há ativação significativa de receptores α1, responsáveis pela vasoconstrição. Isso a torna particularmente útil em pacientes com IC descompensada e baixo débito, nos quais a redução da pós-carga é benéfica para o desempenho ventricular. A diretriz brasileira de insuficiência cardíaca destaca que a dobutamina "segue sendo o agente inotrópico mais usado", produzindo "melhora hemodinâmica com aumento do débito cardíaco dose-dependente e não causa hipotensão arterial".

Em contrapartida, as demais drogas vasoativas listadas possuem perfis farmacológicos distintos:

  • Noradrenalina: vasopressor de primeira linha no choque, com potente ação α1-adrenérgica (vasoconstrição) e efeito β1 moderado. É indicada quando há hipotensão significativa, mas não é um inotrópico puro.

  • Dopamina: catecolamina com efeitos dose-dependentes: em doses baixas (<5 µg/kg/min) atua em receptores dopaminérgicos; em doses intermediárias (5-10 µg/kg/min) predomina efeito β1; em doses altas (>10 µg/kg/min) predomina efeito α1 (vasoconstrição). Não é um inotrópico puro.

  • Adrenalina: agonista α e β adrenérgico, com potente efeito inotrópico e cronotrópico, mas também vasoconstritor significativo. Reservada para situações de choque refratário, não sendo primeira escolha na IC descompensada.

  • Vasopressina: vasopressor exclusivo, atua em receptores V1, sem efeito inotrópico direto. Indicada no choque vasoplégico refratário à noradrenalina.

A pegadinha da questão reside na distinção entre inotrópicos puros (dobutamina, milrinona, levosimendana) e drogas com ação vasoconstritora associada (noradrenalina, adrenalina, dopamina em altas doses, vasopressina). O candidato deve reconhecer que, no cenário de IC descompensada com hipoperfusão, o objetivo é aumentar o débito cardíaco sem elevar excessivamente a pós-carga, o que favorece a dobutamina.

Droga

Efeito inotrópico

Efeito vasoconstritor

Uso na IC descompensada

Dobutamina

Positivo puro (β1, com β2 adicional)

Ausente (vasodilatação)

Primeira escolha na hipoperfusão sem hipotensão grave

Noradrenalina

Moderado (β1)

Potente (α1)

Reservada para hipotensão significativa

Dopamina

Dose-dependente (β1 em doses intermediárias)

Presente em altas doses (α1)

Uso limitado (risco de arritmias)

Adrenalina

Potente (α e β)

Significativo (α1)

Choque refratário

Vasopressina

Ausente

Exclusivo (V1)

Choque vasoplégico refratário

1Inotrópicos puros (inodilatadores)
Dobutamina (β1, vasodilatação)
Milrinona
Levosimendana
2Vasopressores (sem inotropismo)
Noradrenalina (α1)
Vasopressina (V1)
3Efeitos mistos
Adrenalina (α e β)
Dopamina (dose-dependente)
Drogas vasoativas na IC descompensada
LEVELsoulevel.com.br
Drogas vasoativas na IC descompensada: Inotrópicos puros (inodilatadores) (Dobutamina (β1, vasodilatação), Milrinona, Levosimendana); Vasopressores (sem inotropismo) (Noradrenalina (α1), Vasopressina (V1)); Efeitos mistos (Adrenalina (α e β), Dopamina (dose-dependente))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A dobutamina é um agonista β1-adrenérgico com efeito β2 adicional, produzindo inotropismo positivo e vasodilatação periférica, sem vasoconstrição significativa. É o inotrópico de primeira escolha na IC descompensada com baixo débito e hipoperfusão, conforme diretrizes de cardiologia. Seu perfil farmacológico permite titular o efeito inotrópico sem o componente vasoconstritor, sendo ideal para o cenário descrito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A noradrenalina é um vasopressor com potente ação α1-adrenérgica (vasoconstrição) e efeito β1 moderado. Embora possa ser associada à dobutamina em choque cardiogênico com hipotensão, não é um inotrópico puro e não é a droga de escolha quando se busca apenas inotropismo positivo sem vasoconstrição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A dopamina possui efeitos dose-dependentes: em doses baixas atua em receptores dopaminérgicos, em doses intermediárias predomina efeito β1 e em doses altas predomina efeito α1 (vasoconstrição). Não é um inotrópico puro, e seu uso na IC descompensada é limitado pelo risco de arritmias e pelo perfil hemodinâmico menos previsível.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A adrenalina é um agonista α e β adrenérgico, com potente efeito inotrópico e cronotrópico, mas também vasoconstritor significativo. É reservada para situações de choque refratário ou anafilaxia, não sendo primeira escolha na IC descompensada, pois pode aumentar a pós-carga e o consumo miocárdico de oxigênio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A vasopressina é um vasopressor exclusivo, atuando em receptores V1, sem efeito inotrópico direto. É indicada no choque vasoplégico refratário à noradrenalina, não sendo uma droga inotrópica e, portanto, inadequada para o cenário de IC descompensada com hipoperfusão.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre drogas vasoativas, monte uma tabela mental com os principais agentes e seus efeitos sobre receptores (α1, β1, β2) e sobre a resistência vascular sistêmica (RVS). Lembre-se: inotrópicos puros (dobutamina, milrinona, levosimendana) aumentam o débito cardíaco e reduzem a RVS; vasopressores (noradrenalina, vasopressina) aumentam a RVS sem efeito inotrópico significativo; adrenalina e dopamina têm efeitos mistos dose-dependentes.

Gabarito: letra A

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