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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg413681
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Paciente de 45 anos, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro após episódio sincopal. Familiares referem que o paciente apresentou movimentos tônico-clônicos generalizados. Ao exame físico encontra-se consciente, orientado, normotenso. O eletrocardiograma evidencia ritmo cardíaco com frequência de aproximadamente 180 bpm, ausência de ondas P identificáveis, complexos QRS estreitos e regulares, com presença de pseudo-S em DII, DIII e aVF, e pseudo-R em V1. Identifique o diagnóstico eletrocardiográfico mais provável.
  1. ATaquicardia paroxística supraventricular por reentrada nodal.
  2. BTaquicardia ventricular monomórfica sustentada.
  3. CFlutter atrial com condução 2:1.
  4. DTaquicardia atrial unifocal.
  5. EFibrilação atrial com resposta ventricular rápida.
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GabaritoA — Taquicardia paroxística supraventricular por reentrada nodal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Taquicardias de QRS estreito: diagnóstico eletrocardiográfico

Gabarito: letra A. O ECG descrito — taquicardia regular a ~180 bpm, QRS estreito, ausência de ondas P identificáveis e presença de pseudo-S em DII/DIII/aVF e pseudo-R em V1 — é o padrão clássico da taquicardia paroxística supraventricular por reentrada nodal (TRN), a taquicardia regular de QRS estreito mais comum na prática. O diagnóstico se ancora na análise do ritmo (regular), da largura do QRS (estreito, indicando origem supraventricular) e, sobretudo, nas alterações discretas do QRS que denunciam a ativação retrógrada dos átrios simultânea à ventricular.

A taquicardia por reentrada nodal é uma arritmia supraventricular que se origina de um circuito de reentrada dentro do nó atrioventricular, que possui duas vias de condução com propriedades eletrofisiológicas distintas (via rápida e via lenta). Durante a taquicardia, o estímulo desce por uma via e sobe pela outra, criando um ciclo contínuo de despolarização. Como o átrio e o ventrículo são ativados quase simultaneamente, a onda P fica "escondida" dentro do complexo QRS — não sendo identificável como uma onda distinta. Essa ativação simultânea, porém, deixa marcas sutis no traçado: a onda P retrógrada, ao se fundir com o final do QRS, pode criar uma pequena onda S em DII, DIII e aVF (o chamado pseudo-S) e uma pequena onda R' em V1 (o pseudo-R). Esses são os achados que a questão descreve e que fecham o diagnóstico.

O mecanismo de reentrada explica também o comportamento clínico: a arritmia inicia e cessa abruptamente (paroxística), mantém frequência cardíaca regular e constante, e responde a manobras que bloqueiam o nó AV, como a manobra de Valsalva e a adenosina. No paciente do enunciado, o episódio sincopal com movimentos tônico-clônicos provavelmente foi uma síncope convulsiva — uma síncope verdadeira (por hipoperfusão cerebral durante a taquicardia rápida) que cursou com atividade motora anormal, simulando uma crise epiléptica. É um cenário típico de taquicardia paroxística em paciente jovem e hígido.

Para diferenciar as taquicardias regulares de QRS estreito, o raciocínio deve seguir uma sequência lógica: primeiro, avaliar se o ritmo é regular ou irregular; segundo, identificar se há ondas P e qual sua relação com o QRS; terceiro, analisar a morfologia do QRS em busca de sinais sutis como pseudo-S e pseudo-R. A tabela abaixo resume os principais diagnósticos diferenciais:

Critério

TRN (reentrada nodal)

Flutter atrial 2:1

Taquicardia atrial

Fibrilação atrial

Ritmo ventricular

Regular

Regular

Regular

Irregular

Onda P

Ausente (escondida no QRS)

Ondas F (dente de serra) em DII, DIII, aVF

Ondas P anormais, com linha isoelétrica

Ondas f irregulares, sem linha isoelétrica

Frequência ventricular

150–250 bpm

~150 bpm (2:1)

150–200 bpm

100–180 bpm (variável)

Sinais típicos

Pseudo-S em DII/DIII/aVF; pseudo-R em V1

Ondas F serrilhadas

Warm up; linha isoelétrica entre P

RR irregular, ausência de P

A pegadinha central desta questão é a ausência de ondas P identificáveis: o candidato pode ser tentado a pensar em fibrilação atrial (que também não tem onda P) ou em flutter atrial (que tem ondas F). No entanto, a regularidade do ritmo e a presença de pseudo-S/pseudo-R afastam essas hipóteses e apontam diretamente para a reentrada nodal. Guarde esses dois sinais — eles são a chave do diagnóstico.

1Onda P ausente
Pseudo-S em DII/DIII/aVF
Pseudo-R em V1
→ Reentrada nodal (TRN)
2Ondas F (dente de serra)
→ Flutter atrial 2:1
3Ondas P anormais visíveis
→ Taquicardia atrial
4RR irregular
→ Fibrilação atrial
Taquicardia regular de QRS estreito
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Taquicardia regular de QRS estreito: Onda P ausente (Pseudo-S em DII/DIII/aVF, Pseudo-R em V1, → Reentrada nodal (TRN)); Ondas F (dente de serra) (→ Flutter atrial 2:1); Ondas P anormais visíveis (→ Taquicardia atrial); RR irregular (→ Fibrilação atrial)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A taquicardia paroxística supraventricular por reentrada nodal (TRN) é a arritmia que melhor explica o traçado. O ritmo é regular (RR constante), a frequência é alta (~180 bpm), o QRS é estreito (origem supraventricular, com condução normal pelo sistema His-Purkinje) e não há ondas P identificáveis porque a ativação atrial ocorre simultaneamente à ventricular. Os pseudo-S em DII, DIII e aVF e o pseudo-R em V1 são a assinatura eletrocardiográfica da TRN típica: a onda P retrógrada deforma o final do QRS. Esses achados, em conjunto, são patognomônicos da reentrada nodal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A taquicardia ventricular monomórfica sustentada apresenta QRS largo (duração > 120 ms), pois a ativação ventricular é anormal, sem condução pelo sistema His-Purkinje. O enunciado descreve QRS estreito, o que exclui a origem ventricular. Além disso, a TV costuma cursar com maior instabilidade hemodinâmica e pode apresentar dissociação AV, capturas e fusões — achados ausentes no traçado descrito. A banca explora aqui a confusão entre taquicardia de QRS estreito (supraventricular) e QRS largo (ventricular).

Alternativa C — ❌ Incorreta

O flutter atrial com condução 2:1 produz frequência ventricular em torno de 150 bpm e, no ECG, observam-se as ondas F (dente de serra) nas derivações inferiores (DII, DIII e aVF), com ausência de linha isoelétrica entre os QRS. O enunciado não menciona ondas F, mas sim pseudo-S e pseudo-R — que são típicos da TRN. Além disso, a frequência de 180 bpm é mais alta que o habitual do flutter 2:1. A ausência de ondas F identificáveis e a presença dos pseudo-S/pseudo-R afastam o flutter atrial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A taquicardia atrial unifocal origina-se de um foco atrial ectópico e caracteriza-se por ondas P anormais, porém identificáveis, com linha isoelétrica entre elas. O enunciado afirma que não há ondas P identificáveis, o que exclui essa hipótese. Além disso, a taquicardia atrial costuma apresentar "warm up" (aceleração progressiva no início), o que não é descrito. A presença de pseudo-S e pseudo-R também não se aplica à taquicardia atrial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A fibrilação atrial com resposta ventricular rápida apresenta ritmo ventricular irregular (intervalos RR irregulares), ausência de ondas P e presença de ondas f (oscilações irregulares na linha de base). O enunciado descreve ritmo regular, o que é incompatível com FA. Além disso, os pseudo-S e pseudo-R não são achados da fibrilação atrial. A regularidade do ritmo é o ponto-chave para excluir a FA.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir ao omitir as ondas P — o candidato pode pensar em FA (que também não tem onda P) ou em flutter (que tem ondas F). Mas a regularidade do ritmo e os pseudo-S/pseudo-R são os diferenciais que apontam para a TRN. Na dúvida entre taquicardias regulares de QRS estreito, procure sempre os sinais de ativação atrial retrógrada: pseudo-S nas inferiores e pseudo-R em V1.

PEGA ESSA DICA!

Para diagnosticar taquicardias regulares de QRS estreito, siga o fluxo: 1) o ritmo é regular? 2) há ondas P? 3) o QRS é estreito? Se regular, sem P e com QRS estreito, pense em TRN e procure os pseudo-S/pseudo-R. Se houver ondas F, é flutter; se o RR for irregular, é FA. Esse raciocínio resolve a maioria das questões de ECG sobre taquicardias.

Gabarito: letra A — Taquicardia paroxística supraventricular por reentrada nodal.

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