Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg413692
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Alergia e Imunologia Pediátrica
Diversos estudos apontam que o uso excessivo de mídias digitais e redes sociais durante a adolescência pode causar efeitos adversos sobre o comportamento, aprendizado e saúde física. Com relação aos principais impactos da exposição prolongada às telas nessa faixa etária, é correto afirmar que:
ANão está ligada ao aparecimento de doenças crônicas e leva ao bem-estar físico.
BTem impactos positivos na aprendizagem, atenção e cognição.
CNão altera o número e a duração dos despertares nem a eficiência do sono.
DA prolongada exposição à luz azul das telas de eletrônicos leva à alteração do sono.
ELeva à comunicação rápida e ampla, com benefícios sempre superiores aos malefícios.
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GabaritoD — A prolongada exposição à luz azul das telas de eletrônicos leva à alteração do sono.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Impactos do uso de telas na adolescência
Gabarito: letra D. A exposição prolongada à luz azul emitida pelas telas de dispositivos eletrônicos interfere na produção de melatonina e, consequentemente, altera o ciclo circadiano, prejudicando a qualidade do sono — efeito amplamente documentado na literatura médica e reconhecido por sociedades de pediatria. As demais alternativas apresentam afirmações contrárias às evidências científicas sobre os efeitos do uso excessivo de mídias digitais nessa faixa etária.
O uso excessivo de mídias digitais e redes sociais na adolescência é um tema de crescente relevância na prática pediátrica, pois está associado a uma série de efeitos adversos sobre o comportamento, o aprendizado e a saúde física. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e outras entidades científicas têm alertado para os riscos do uso abusivo dessas tecnologias, que podem levar a transtornos de atenção, concentração e memória, afetando o rendimento escolar; transtornos do sono; ansiedade, depressão e até ideação suicida; além de problemas posturais, visuais e auditivos.
O mecanismo central do impacto sobre o sono envolve a luz azul (faixa de comprimento de onda em torno de 450–495 nm) emitida pelas telas de smartphones, tablets e computadores. Essa luz suprime a secreção de melatonina, o hormônio que regula o ciclo sono-vigília, atrasando o início do sono e reduzindo sua eficiência. Estudos mostram que adolescentes que usam telas antes de dormir apresentam maior latência para adormecer, menor duração total do sono e mais despertares noturnos. A recomendação é evitar telas pelo menos 1 a 2 horas antes de deitar e manter uma rotina de sono regular, com 8 a 9 horas de descanso noturno.
Além do sono, o uso excessivo de telas está associado a impactos negativos na cognição e na aprendizagem. A exposição prolongada a conteúdos fragmentados e de rápida mudança pode prejudicar a capacidade de atenção sustentada e a memória de trabalho. Também há evidências de associação com transtornos alimentares, devido à internalização de imagens corporais idealizadas, e com o sedentarismo e a obesidade, pela redução do tempo dedicado a atividades físicas. O cyberbullying e a superexposição a conteúdos de violência são outros riscos relevantes, podendo levar a transtornos de conduta social e sexual.
É importante destacar que a questão aborda os efeitos adversos do uso excessivo, não os benefícios potenciais das mídias digitais. Embora as redes sociais possam ter funções positivas, como facilitar a interação social e o acesso à informação, os malefícios do uso abusivo superam os benefícios, especialmente quando comprometem o sono, o desempenho escolar e a saúde mental. A banca explora exatamente essa distinção: as alternativas incorretas negam os efeitos negativos ou superestimam os benefícios, enquanto a correta reconhece um dos principais mecanismos fisiopatológicos envolvidos.
Guarde o critério decisivo: a alternativa correta deve refletir um efeito adverso real e bem estabelecido do uso excessivo de telas, enquanto as incorretas ou negam esses efeitos ou os invertem. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
1Luz azul das telas
2Suprime melatonina
3Altera ciclo circadiano
4Prejudica o sono
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o uso de telas "não está ligada ao aparecimento de doenças crônicas e leva ao bem-estar físico". Isso contraria as evidências: o uso excessivo está associado a sedentarismo, obesidade, transtornos alimentares, riscos posturais e osteoarticulares, além de impactos na saúde mental (ansiedade, depressão). Não há qualquer fundamento científico para afirmar que leva ao bem-estar físico — na verdade, ocorre o oposto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o uso de telas tem "impactos positivos na aprendizagem, atenção e cognição". Na realidade, o uso excessivo está associado a transtornos de atenção, concentração e memória, com prejuízo do rendimento escolar. Embora as mídias digitais possam ter potencial educativo quando usadas com moderação, o uso abusivo tem efeitos predominantemente negativos sobre a cognição.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o uso de telas "não altera o número e a duração dos despertares nem a eficiência do sono". Isso é falso: a exposição à luz azul suprime a melatonina, atrasa o início do sono, aumenta a latência para adormecer, reduz a duração total e piora a eficiência do sono, com mais despertares noturnos. A alternativa nega exatamente um dos efeitos mais bem documentados.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que "a prolongada exposição à luz azul das telas de eletrônicos leva à alteração do sono". Esta é a alternativa correta: a luz azul inibe a produção de melatonina, desregulando o ciclo circadiano e prejudicando o sono. Esse é um dos mecanismos fisiopatológicos mais estudados e reconhecidos, sendo um dos principais motivos pelos quais se recomenda limitar o uso de telas antes de dormir.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o uso de telas "leva à comunicação rápida e ampla, com benefícios sempre superiores aos malefícios". A palavra "sempre" torna a afirmação insustentável: embora as mídias digitais facilitem a comunicação, os malefícios do uso excessivo (transtornos do sono, ansiedade, depressão, cyberbullying, sedentarismo) frequentemente superam os benefícios. A generalização absoluta é cientificamente incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a negação dos efeitos adversos. As alternativas A, B, C e E ou negam os malefícios do uso excessivo de telas ou os invertem em benefícios. A pegadinha está em reconhecer que a única afirmação que reflete um efeito adverso real e bem estabelecido é a D — a alteração do sono pela luz azul. Candidatos que não conhecem o mecanismo da melatonina podem ser induzidos a escolher uma alternativa que minimize os riscos.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre uso de telas na adolescência, lembre-se do tripé de efeitos adversos mais cobrados: (1) sono — luz azul suprime melatonina; (2) cognição — prejuízo de atenção e memória; (3) saúde mental — ansiedade, depressão, cyberbullying. Se a alternativa negar qualquer um desses ou afirmar benefícios superiores, está incorreta.