Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg413705
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Alergia e Imunologia Pediátrica
Menina de 10 anos, previamente hígida, apresenta labilidade emocional e fraqueza muscular há 10 dias, seguidas pelo surgimento de movimentos involuntários, abruptos e irregulares de face e extremidades, que desaparecem durante o sono. Ao exame físico, observa-se o “sinal da ordenha” (aperto intermitente da mão). Há antecedente de dor de garganta há cerca de 2 meses, tratada com anti-inflamatório não esteroidal. Pressão arterial e ausculta cardíaca normais. Qual o diagnóstico mais provável?
  1. ASíndrome de Münchausen
  2. BDoença de Huntington
  3. CTiques Complexos
  4. DCoreia de Sydenham
  5. EDoença de Wilson
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Coreia de Sydenham

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coreia de Sydenham: diagnóstico na criança

Gabarito: letra D. O quadro clínico — menina de 10 anos, movimentos involuntários abruptos e irregulares (coreia), que desaparecem no sono, associados a labilidade emocional, fraqueza muscular e antecedente de faringite — é a apresentação clássica da Coreia de Sydenham, manifestação neurológica da febre reumática, que ocorre semanas a meses após infecção estreptocócica. O "sinal da ordenha" (aperto intermitente da mão) é um sinal semiológico típico dessa condição.

A Coreia de Sydenham é uma desordem do movimento que afeta principalmente crianças e adolescentes, sendo mais comum no sexo feminino. Ela é uma das manifestações maiores da febre reumática, uma doença autoimune desencadeada pela infecção pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A. A patogênese envolve a produção de anticorpos que reagem de forma cruzada com antígenos dos gânglios da base, especialmente o núcleo caudado e o putâmen, levando à disfunção dos circuitos motores e ao aparecimento dos movimentos coreicos.

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na tríade característica: movimentos coreicos (que pioram com estresse e desaparecem durante o sono), labilidade emocional e hipotonia. O antecedente de infecção de garganta, mesmo que tratada, é um dado importante, pois a coreia pode surgir de 1 a 6 meses após a faringite estreptocócica. Exames complementares como ASLO, anti-DNAse B e ecocardiograma podem auxiliar, mas não são necessários para o diagnóstico quando o quadro é típico.

A distinção crucial para esta questão está em reconhecer que a Coreia de Sydenham é uma complicação pós-infecciosa, de natureza autoimune, e não uma doença neurodegenerativa (como Huntington), metabólica (como Wilson) ou psiquiátrica (como tiques ou síndrome factícia). A idade, o antecedente de faringite e o padrão dos movimentos são os elementos que direcionam o diagnóstico. A banca explora exatamente essa diferenciação, oferecendo alternativas que compartilham alguns sintomas, mas que se distinguem pela etiologia e pelo contexto clínico.

Guarde o critério decisivo: coreia + antecedente de faringite + criança = Coreia de Sydenham. É essa combinação que separa a alternativa correta das demais, que apresentam movimentos involuntários, mas com outras causas e contextos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A Síndrome de Münchausen é um transtorno factício em que o paciente simula ou produz sintomas de doença para assumir o papel de doente. Não há, no caso, qualquer indício de simulação ou produção intencional dos sintomas. A criança apresenta um quadro neurológico objetivo, com movimentos involuntários que desaparecem no sono — característica que não se observa em simulações, pois o paciente factício mantém os sintomas mesmo quando observado. Além disso, a presença do "sinal da ordenha" e o antecedente de faringite apontam para uma causa orgânica, não psiquiátrica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A Doença de Huntington é uma doença neurodegenerativa autossômica dominante, causada pela expansão de repetições CAG no gene HTT. Embora cause coreia, ela se manifesta tipicamente em adultos (geralmente após os 30-40 anos), com história familiar positiva e progressão inexorável. Na criança de 10 anos, sem história familiar e com antecedente de faringite, o diagnóstico de Huntington seria altamente improvável. A forma juvenil da doença existe, mas é rara e cursa com rigidez, distonia e declínio cognitivo, não com o quadro agudo descrito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os Tiques Complexos são movimentos ou vocalizações repetitivas, rápidas e sem propósito, que podem ser suprimidos voluntariamente por algum tempo. Diferentemente da coreia, os tiques são mais estereotipados, podem ser parcialmente suprimidos e geralmente estão associados a um impulso premonitório. No caso descrito, os movimentos são abruptos, irregulares e não suprimíveis, e desaparecem no sono — característica típica da coreia, não dos tiques. Além disso, o antecedente de faringite e o "sinal da ordenha" não são compatíveis com transtorno de tiques.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Coreia de Sydenham é a manifestação neurológica mais comum da febre reumática, ocorrendo em cerca de 10-30% dos pacientes. O quadro clássico inclui movimentos coreicos (abruptos, irregulares, que desaparecem no sono), labilidade emocional, hipotonia e fraqueza muscular. O "sinal da ordenha" (milkmaid's grip) é um sinal semiológico típico, caracterizado pelo aperto intermitente da mão ao tentar segurar um objeto. O antecedente de faringite estreptocócica, mesmo que tratada, é o gatilho imunológico. O diagnóstico é clínico, e a confirmação pode ser auxiliada por exames como ASLO e ecocardiograma (para avaliar cardite associada).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A Doença de Wilson é um distúrbio autossômico recessivo do metabolismo do cobre, que se acumula no fígado, cérebro e outros órgãos. Pode causar sintomas neurológicos, incluindo movimentos involuntários, mas o quadro típico inclui distonia, tremor, disartria e, frequentemente, sinais hepáticos (icterícia, hepatomegalia) e o anel de Kayser-Fleischer na córnea. A idade de apresentação costuma ser mais tardia (adolescência ou adulto jovem), e o antecedente de faringite não é um gatilho. No caso descrito, não há sinais de acometimento hepático nem os achados oculares característicos, tornando a Doença de Wilson improvável.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as causas de coreia na infância. O candidato pode ser tentado a escolher Doença de Huntington ou Doença de Wilson por associá-las a movimentos involuntários, mas esquece que a Coreia de Sydenham é a causa mais comum de coreia aguda em crianças, especialmente após infecção estreptocócica. A chave é o antecedente de faringite e a idade pediátrica — elementos que apontam diretamente para a etiologia autoimune pós-estreptocócica.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as causas de coreia, monte um quadro mental: Coreia de Sydenham (criança, pós-faringite, autolimitada), Huntington (adulto, história familiar, progressiva), Wilson (adolescente/adulto, sinais hepáticos e anel de Kayser-Fleischer), tiques (estereotipados, suprimíveis, sem desaparecer no sono). Na prova, a presença de "desaparece durante o sono" é um forte indicativo de coreia, pois os movimentos coreicos cessam com o sono, enquanto tiques e outros movimentos podem persistir.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/qg413705